Augusto entrou no quarto acompanhado da designer e de uma Geórgia com uma expressão vencedora que já anunciava tudo antes de ela abrir a boca.
— Eu disse que ia dar um jeito — Geórgia anunciou, orgulhosa. — Quero dizer, o padrinho sempre tem uma solução para tudo.
Augusto riu.
— Nem sempre. Nem sempre. Mas talvez eu possa ajudar hoje.
Colocou a caixa em cima da cama, ao lado da minha caixa com o vestido preto que ainda estava aberta como uma evidência de crime. Fiquei olhando para ele, sem entender, e ele só fez um gesto incentivando.
— Vá em frente.
Fui até a cama. Abri a caixa.
E meu queixo caiu.
Era um vestido lindo. Romântico, rendado, com aquele corte clássico que eu tinha pedido — e branco. Quer dizer, não exatamente branco-branco, mas um daqueles cinquenta tons de branco da Beatriz. Marfim, talvez. Ou areia. Algo entre o claro e o quente, com uma textura de tecido que parecia ter envelhecido bem, como vinho ou madeira boa, ganhando caráter em vez de perder valor.
Havia algo nas mangas longas, na renda que subia até o pescoço com delicadeza, que dizia uma época diferente da que eu conhecia. Não era moderno. Era atemporal, do jeito que algumas coisas conseguem ser quando foram feitas com cuidado de verdade, sem pressa, para durar mais do que uma única noite.
Funcionava.
Não só funcionava: era lindo!
— Vô, como você conseguiu esse vestido de última hora?
— Está guardado há uns bons anos. — A voz dele ficou mais baixa, mais cheia. — Foi o vestido que sua mãe usou no baile de debutantes dela.
Senti o peito apertar de um jeito que não tinha nada a ver com o medo de minutos atrás.
— É perfeito.
Corri para abraçá-lo, sem me importar com o quanto aquilo era pouco elegante para uma futura noiva em pânico.
— Com esse podemos trabalhar — disse a designer, já se aproximando do vestido com aquele olhar técnico de quem reconhece potencial. — A renda é impecável, mas posso ajustar as mangas para um comprimento mais atual, talvez modernizar o decote sem perder a essência. — Ela ergueu os olhos. — Quanto exatamente podemos mexer?
— O quanto quiserem — Augusto aprovou.
— Pois não vamos mexer nem em um centímetro — corrigi, surpreendendo até a mim mesma com a firmeza. — Quero dizer... só os ajustes necessários para caber em mim. Mas vou usar exatamente como minha mãe usou.
— Talvez com um véu — Geórgia sugeriu, já vibrando de entusiasmo.
— Talvez com um véu — concordei.
— Posso conseguir um — Beatriz disse, já saindo apressada do quarto com aquela determinação que eu já tinha aprendido a confiar.
— Bom — Augusto disse, sorrindo de um jeito genuíno. — Teremos um casamento.
Cerca de uma hora depois, eu estava completamente arrumada.


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