Os jardins do fundo da mansão tinham se transformado completamente.
Cadeiras brancas alinhadas em fileiras perfeitas formavam um corredor que terminava num altar coberto de flores brancas e folhagens verdes, com uma estrutura de madeira clara que parecia ter sido desenhada especificamente para emoldurar o céu da tarde atrás dela. Pétalas — bicolores, exatamente como eu tinha mandado manter — espalhadas pelo caminho. Velas em pedestais altos, ainda apagadas, esperando o entardecer. Uma orquestra pequena posicionada discretamente de lado, os músicos com aquela postura de quem está prestes a tocar algo importante.
Eu não conhecia praticamente nenhum daqueles rostos.
Fileira após fileira de convidados elegantes, sócios do Sartori & Altieri, amigos de longa data da Claire, parentes distantes, membros da alta sociedade. Pessoas que vieram para ver o herdeiro se casar, curiosas sobre a neta perdida que tinha aparecido do nada.
Mas eu estava acompanhada da única família que realmente me importava.
Meu avô segurava meu braço com firmeza, pronto para guiar meus passos pelo caminho de pétalas com aquela elegância que parecia ter nascido com ele. E lá na frente, esperando ao lado do padre, estava o homem que talvez eu ainda não pudesse dizer que amava.
Mas que certamente era alguém que eu desejava amar. Alguém que eu queria ter ao meu lado, construir uma família, construir uma vida.
E então parei de pensar por um segundo, porque a frase tinha me atravessado de um jeito estranho.
Isso era amar?
Era amar alguém não como eu tinha acabado de dizer ao meu avô que amava — aquele amor familiar, protetor, profundo de um jeito calmo — mas amar alguém como homem? Como parceiro de vida?
Suspirei fundo.
Começamos a caminhar.
Cada passo parecia mais lento do que o anterior, como se o tempo tivesse decidido se esticar especificamente para aquele momento. Quando chegamos ao altar, Augusto parou, me entregou para Arthur com as mãos um pouco trêmulas, e disse:
— Cuide bem da minha neta. Você me promete?
— Prometo. — A voz de Arthur saiu firme, sem hesitação nenhuma. — Cuidarei de Zara com minha própria vida, se necessário.
Augusto assentiu, satisfeito, e cumprimentou nós dois com um carinho que não cabia em palavras antes de se afastar para a primeira fileira de cadeiras. Ele não conseguiria ficar de pé durante a cerimônia inteira.
A cerimônia começou.
O padre falou sobre união, sobre compromisso, sobre as coisas bonitas que se dizem em momentos como aquele. Eu estava tão concentrada em não desmoronar que mal absorvi as palavras, esperando apenas o momento de dizer sim.
Foi então que senti a mão de Arthur segurando a minha.
— Você está tremendo — ele sussurrou, baixo o suficiente para que só eu ouvisse.
Olhei para as nossas mãos unidas. Depois para ele.
— Você também.
Ele sorriu, um sorriso pequeno e real.
— Você pode dizer não, se quiser. Eu entendo. É muito.
— Eu não quero. — Apertei a mão dele. — Você quer?
— Quero me casar com você, Zara.
Sorrimos um para o outro, e por um segundo o jardim inteiro, os convidados, o padre, tudo desapareceu e ficou só aquilo.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO