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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 90

Não me lembro qual foi a última vez que chorei tanto na vida. Provavelmente quando perdi minha mãe, há tantos anos, num tempo que eu tinha aprendido a guardar bem longe para conseguir continuar funcionando.

E agora eu estava ali, na capela fria e silenciosa, olhando para o meu avô, que eu tinha reencontrado há tão pouco tempo, deitado imóvel, frio, dentro de um caixão coberto de flores brancas.

O velório estava cheio. Várias pessoas vinham deixar seus sentimentos, apertando minha mão, dizendo coisas que eu não conseguia processar com a cabeça inteira. Reconheci alguns rostos do casamento — pessoas que poucas horas antes estavam sorrindo, brindando à minha felicidade, e agora vestiam preto e abaixavam a voz, dizendo as mesmas frases prontas sobre pesar e condolências que provavelmente repetiam em todo velório que frequentavam. Eu não entendia nada. Não via rostos com clareza, não ouvia vozes direito, só balançava a cabeça como se ainda tivesse que manter alguma compostura, quando por dentro eu estava completamente desabando.

Eu só tinha consciência de uma coisa: Arthur, sentado ao meu lado, a mão dele segurando a minha sem soltar nem por um segundo. Ele estava tão arrasado quanto eu, mesmo que segurasse as lágrimas em público com aquela disciplina treinada. Tinha um olhar perdido, vazio, e também não falava nada. Só ficava ali, presente, do jeito que ele sabia ser presente.

Eu me lembrava de ter perguntado à Genevieve, em pleno caos, o que tinha acontecido. Ela tinha ido nos buscar no Hotel Milani antes de embarcarmos para a lua de mel, e o rosto dela já dizia tudo antes mesmo de abrir a boca.

— O que aconteceu?

— Infarto. — A voz dela saiu baixinho. — Hoje, bem no comecinho da manhã.

— Como ele está? — Arthur tinha perguntado, mas a voz já saiu com um nó na garganta.

— Eu não sei. — Genevieve admitiu, os olhos cheios. — No hospital.

Fomos para o hospital, o motorista dirigindo mais rápido do que deveria, eu agarrada no banco de trás tentando não vomitar de pavor, Arthur ao meu lado com o telefone colado no ouvido tentando conseguir informação de alguém, qualquer um, que pudesse nos dizer alguma coisa antes de chegarmos.

Chegamos tarde demais.

A correria do corredor já tinha parado quando entramos. Não havia mais aquela urgência de equipe médica indo e vindo, só um silêncio pesado e duas enfermeiras evitando nosso olhar, o que de alguma forma já dizia tudo antes de qualquer médico abrir a boca.

— Fizemos tudo o que pudemos, mas o coração dele não aguentou — o médico tinha dito, seguido de uma explicação técnica que eu já não conseguia entender porque eu estava desabando no chão da sala, em lágrimas, sem nenhuma dignidade restante.

E agora estávamos ali, velando o corpo do homem que tinha entrado na minha vida há tão pouco tempo, mas que tinha se tornado uma das pessoas mais importantes que eu já tive.

— Preciso de um pouco de ar — falei em algum momento, finalmente soltando a mão de Arthur e caminhando para fora da capela.

Capítulo 90 1

Capítulo 90 2

Capítulo 90 3

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