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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 94

~ ARTHUR ~

Tinha ido almoçar em casa e voltado com a Zara para o hospital, como planejado.

O clima estava estranho desde o momento em que entramos. Percebi antes mesmo de chegarmos à recepção — aquele burburinho de corredor que muda de tom quando alguém importante passa, olhares que desviavam rápido demais, conversas que abaixavam um decibel sem motivo aparente. Alguns se aproximaram de Zara com condolências genuínas, com aquele afeto de quem tinha convivido com o Augusto por anos e entendia o tamanho da perda. Mas outros — eu conhecia bem o suficiente aquele hospital para distinguir — só queriam saber quanto ela pretendia assumir e com que velocidade.

— Tenho uma reunião com o conselho daqui a pouco — falei, enquanto caminhávamos pelo corredor. — Quer participar?

— Não. — Ela nem hesitou. — O advogado recomendou vida normal, não foi? Não quero me infiltrar em nada do tipo.

— Faz sentido. — Concordei. — Então hoje você vai ficar com a doutora Thaís. Eu tenho que... cuidar de outros assuntos antes da reunião.

— Eu não quero... — Ela começou, e parou. Respirou. — Tá bom.

E saiu andando, deixando-me no corredor.

Olhei para o relógio.

Tinha tempo. Tempo suficiente, se fosse agora.

— É só fazer — murmurei para mim mesmo, e me coloquei em movimento. — É só fazer.

Segui agindo como se estivesse cumprindo meu turno normalmente, cumprimentei Helena no corredor, assinei dois documentos que ela me estendeu sem parar, e tomei o elevador para o terceiro andar com a naturalidade de quem faz aquilo todos os dias. Porque eu fazia. O laboratório de análises clínicas ficava no terceiro, e eu passava por lá com regularidade suficiente para que ninguém achasse nada extraordinário numa visita sem aviso prévio.

As portas se abriram.

O laboratório tinha aquele cheiro de reagente e ar filtrado que eu tinha aprendido a ignorar há anos. Duas técnicas trabalhavam nas bancadas do fundo, de costas para mim. O doutor Farias, responsável pelo setor, estava com a cabeça enterrada num microscópio e ergueu os olhos quando eu entrei.

— Doutor Arthur. — Ele se levantou parcialmente. — Precisa de alguma coisa?

— Só conferir uma coisa no sistema. — Apontei para a estação de trabalho mais próxima da entrada, longe das bancadas. — Pode continuar seu trabalho.

Ele assentiu e voltou ao microscópio sem questionar, porque nunca questionavam. Era o administrador. Entrava, conferia, saía. Era assim há anos.

Sentei na cadeira, loquei com minhas credenciais e esperei a tela carregar.

O sistema do laboratório era organizado por data de entrada, número de protocolo e tipo de exame. Eu sabia exatamente onde procurar. Tinha memorizado o número de protocolo dias atrás, no envelope que o Thomas me entregou na manhã do meu casamento, naquele instante em que eu tinha ficado parado pesando se devia abrir ou não.

Devia ter deixado fechado.

Naveguei pelos menus com movimentos curtos, precisos. Uma das técnicas passou por mim em direção à impressora e eu não levantei os olhos da tela. O doutor Farias tossiu. Alguém lá fora no corredor falou alto antes de se afastar.

Encontrei o arquivo.

Fiquei olhando para ele por um segundo.

Só um segundo.

Capítulo 94 1

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