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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 99

O ambiente foi entrando em foco aos poucos.

Primeiro foi a luz — branca, forte demais. Depois o cheiro, aquele cheiro específico de reagente e ar filtrado que eu já tinha aprendido a identificar sem precisar abrir os olhos. Depois o barulho suave de monitores, e a pressão de alguma coisa presa no meu braço.

Tentei me mover.

A cabeça protestou imediatamente com uma dor que partia da nuca e se espalhava para as têmporas, e minha primeira reação foi sentar e arrancar os cabos que me prendiam ao monitor.

— Hey. — A voz de Genevieve veio de algum lugar à minha esquerda antes que eu completasse o movimento. — Calma, vamos com calma aí. Você devia saber melhor do que eu que não pode sair arrancando isso.

Pisquei. O quarto foi ganhando contornos mais definidos. Cama de hospital, cortina bege, monitor cardíaco, soro no braço. Tudo muito familiar e muito errado para um domingo de tarde.

— Onde eu estou?

— No Sartori e Altieri.

— Eu caí?

— Caiu — Genevieve se inclinou um pouco para frente. — Caiu da escada na minha casa, do nada. Fiquei preocupada e trouxe você aqui direto. Geórgia está lá fora esperando notícias.

— Cadê o Arthur?

Ela mordeu o lábio.

— Bem... depois do que você descobriu, eu e a Geo não sabíamos se você queria que ele fosse avisado. Então resolvemos esperar você acordar para decidir. Achamos que era mais correto...

— Eu quero ver o Arthur agora.

— Tudo bem. Depois que você se acalmar e o médico permitir, eu...

— Arthur é médico. — Interrompi, com menos paciência do que devia ter naquele estado. — Deve estar no hospital. É só chamá-lo.

Genevieve respirou fundo.

— Zara. Por uma vez na vida, seja racional e espera o seu médico voltar, tá? Já apertei o botão para chamar.

Havia algo no tom dela que me fez engolir a próxima resposta antes de ela sair. Deitei de volta, olhei para o teto e fiquei contando as respirações enquanto esperava.

Alguns minutos depois, a porta se abriu.

O médico que entrou tinha uns cinquenta e poucos anos, postura profissional, e aquele jeito de quem já atendeu emergências suficientes para manter a calma em qualquer circunstância mas ainda não perdeu a capacidade de ser humano.

— Que susto para um domingo, hein? — disse, já com o estetoscópio na mão, se aproximando da cama. — Mas pode respirar. Tudo indica que você está bem.

Fez o exame clínico com aquela eficiência de quem faz aquilo há anos — verificou minhas pupilas com uma lanterna, testou reflexos, apertou minha mão e pediu que eu apertasse de volta, perguntou meu nome, a data, onde eu estava. Checou a pressão, a frequência cardíaca, foi anotando coisas no prontuário enquanto falava.

— Todos os exames possíveis foram feitos. Aparentemente você está bem. — Ele pausou, passando a mão levemente na lateral da minha cabeça, onde eu sentia um calor que provavelmente era um galo crescendo. — Como não foi possível fazer raios-x e tomografia, vou mantê-la aqui por mais algumas horas para monitorar. Só para garantir que não apareçam sintomas neurológicos. Dor de cabeça intensa, confusão, vômito persistente — se qualquer uma dessas coisas acontecer, me avisa imediatamente.

Capítulo 99 1

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