— Claro que o Arthur é o pai. Quem mais seria?
Saiu mais ofendido do que eu pretendia. Mas eu entendia a pergunta, mesmo que ela tivesse me pegado de surpresa e chegado num momento em que eu já estava processando informação suficiente para uma semana inteira.
Primeiro, eu não tinha ideia de há quanto tempo estava grávida — Genevieve podia estar imaginando que fosse de antes de eu conhecer o Arthur. Mas antes de ficar com Arthur, eu não ficava com ninguém há um bom, um bom tempo mesmo. A vida que eu tinha levado não deixava muito espaço para esse tipo de coisa, e eu tinha aprendido cedo que envolvimento emocional era o tipo de vulnerabilidade que não combinava com precisar se virar sozinha.
Segundo, ainda existia um teste de parentesco com resultado negativo no cofre dela que podia fazer qualquer um pensar que eu era uma golpista. E eu sabia que, por mais que Gen fosse refinada demais para dizer isso com todas as letras, era exatamente o tipo de pensamento que passa pela cabeça das pessoas quando os fatos não se encaixam do jeito que deveriam.
— Desculpa! — Ela falou rápido. — Desculpa, é só que... o Arthur sempre foi muito criterioso com isso. Ele era um grande conquistador, mas sempre se certificava de não sair deixando filhos pelo mundo com qualquer mulher.
— Eu não sou qualquer mulher! — Protesto quase imediatamente.
— Claro que não! — Ela apertou minha mão. — Céus, acho que estou tão nervosa que não estou conseguindo me expressar direito. É só que... estou assumindo que essa gravidez seja da primeira vez que vocês ficaram juntos. No seu casamento você já estava reclamando de enjoos, lembra?
— Claro que lembro.
— Então... vocês não se protegeram?
— Nos protegemos.
— Então...?
— Eu não sei, tá! — As palavras saíram mais altas do que eu queria. — Camisinha não é cem por cento segura, e eu não tomo anticoncepcional. Pode ter sido isso. Tem que ter sido isso.
— Zara. — Ela se ajeito na beira da cama e me olhou fundo nos olhos com aquela expressão de quem vai dizer uma coisa difícil, mas sabe que não tem como evitar. — Você acha que um "pode ter sido isso" vai convencer o Arthur?
— Convencer de quê? Eu não fiz esse filho sozinha, Gen.
— Eu sei. Mas tenta entender o lado dele. — Ela baixou a voz. — Eu só estou dizendo isso porque você é minha amiga. Mas o Arthur é meu amigo antes. Eu sei como a cabeça dele funciona. E não quero que vocês dois se separem por besteira. Então tenta entender... tem um teste de parentesco seu e do Augusto que — ela abaixou a voz para quase um sussurro — deu negativo. E além disso, uma garota com quem, a princípio, ele ia passar só uma noite, aparece grávida. O que você acha que ele vai pensar?
Não precisei de muito tempo para ligar os pontos.
— Que eu quis me garantir por todos os lados.
— Exatamente.
Fiquei olhando para ela por um segundo.
— E por que você está me ajudando? Devia estar do lado dele. Ele é seu amigo antes.


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