Capítulo 341 – Salva a minha mulher!
Benjamin
— Aline! — minha voz saiu esgarçada. — Ela tá… ela tá…
Ela não me respondeu, se manteve atenta à minha mulher.
— Andrew, mantém a pressão controlada, continua aferindo. — Aline falou firme, sem perder a calma.
Andrew já estava com o estetoscópio no pescoço e a braçadeira no braço da Rosa, atento a cada sinal. Lyu abriu a maleta com as mãos rápidas, organizando as coisas em cima da cômoda.
— O bebê ainda tem batimento, mas a pressão dela tá nas alturas. — Aline disse, a voz grave. — Se não abaixarmos, ela não vai aguentar até o hospital.
Meu coração batia junto com o da minha chica. Eu não sabia onde colocar as mãos, o que fazer, além de segurar a dela e implorar:
— Fica comigo, amor… fica comigo.
— Lyu, tem anti-hipertensivo na maleta? — Aline perguntou sem tirar os olhos da Rosa.
— Tem sim. — a enfermeira confirmou, separando rapidamente uma ampola.
— Então prepara. Vamos tentar estabilizar a pressão dela antes de sair daqui. Se não responder, corremos ainda mais rápido pro hospital. — Aline ordenou, a voz firme, mas com uma urgência que gelou meu sangue.
— Acho melhor descermos já preparar um carro. — Jack disse, mas minha atenção ainda estava na minha chica.
— Vai ver isso. — Alex respondeu a ele, que saiu correndo ao lado de Tom.
— Catharina, confirma para o hospital: suspeita de eclâmpsia, gestante a termo, convulsão tônico-clônica, pressão muito elevada. Precisamos de sala preparada e obstetra de plantão. — minha cunhada disse, com urgência.
— Já estou com o plantonista na linha. — Cat falava rápido, a mão firme no telefone. — Pronto-socorro obstétrico liberado. Cirurgia em alerta. — ela confirmou, e Aline só assentiu.
Rosa começava a ceder nos espasmos, mas ainda tremia. Aline a virou de lado com a ajuda de Andrew.
— Precisamos manter a via aérea livre. — ela disse, e Andrew só concordou.
Eu só conseguia respirar porque, mesmo no desespero, via que elas sabiam exatamente o que fazer. Me aproximei da minha mulher mais uma vez.
— Rosa, me ouve… querida, respira… — minha voz falhava, mas eu não soltava sua mão por nada.
— Pressão, Andrew? — Aline perguntou.
Andrew reapertou a braçadeira no braço da Rosa, olhando o visor com o cenho fechado.
— Duzentos e dez por cento e vinte. — a voz dele saiu grave, e o número entrou no meu peito como uma marreta.
Lyu se aproximou com a medicação na seringa.
— Aplica devagar. Precisamos que baixe um pouco até o hospital. — Aline disse a ela, depois virou o rosto pra mim. — Ben, preciso que você me escute. Vamos levá-la agora. O medicamento deve começar a agir, mas o parto vai precisar acontecer no hospital. É a melhor chance para as duas, tá?
Assenti, mas a cabeça rodava. Eu via Rosa piscando devagar, como se a luz fosse demais pro seus olhos.
— Mi… ogro… — saiu de seus lábios, baixo, como um fio. Ouvir ela voltar a me chamar me trouxe um alívio momentâneo.
— Tô aqui, minha vida… tô aqui. — beijei sua testa, molhando-a com minhas lágrimas.
— O carro está pronto! — Thomas apareceu à porta, chave em punho.
— Certo. — Aline assentiu. — Ben, você carrega ela?
Dei a volta na cama para pegar minha mulher e, por um instante, minhas pernas cederam.
— Quer que eu a leve? — Brady me perguntou.
— Nem pensar. — estendi os braços e, com cuidado, levantei minha Rosa. Ela se moldou em mim como sempre, mas agora parecia mais pesada… ou era o medo esmagando meus ombros. — Eu levo a minha mulher. — respondi para meu irmão.
— Lyu, já deixa uma segunda dose preparada, só por garantia. — Aline disse e a japa assentiu. E em segundos saímos do quarto; eu praticamente voava pelo corredor e descemos em disparada. No meio da escada, cruzamos com Evie, Jo e Alessa vindo na direção contrária, os rostos em alarme.
— O que aconteceu? — Evie perguntou.
Alex respondeu por mim, firme, sem floreios:
— A pressão subiu. Precisamos levá-la agora.
— Vamos com vocês. — Jo já virava sobre os calcanhares, e Alessa a seguiu.
Tom assumiu o volante e Alex sentou ao seu lado. Jack abriu a porta pra mim e entrei com a Rosa no banco de trás; Aline entrou pelo outro lado, ajeitando-a no meu colo.
— Não vamos conseguir passar o cinto. — ela me disse.
— Eu sou a proteção dela. — respondi e ela só assentiu.
— A medicação. — Lyu disse entregando a Aline pela janela, Catharina também apareceu.
— Tô indo na frente com Andrew, Ethan já está esperando no carro. — ela nos informou, e correu para o carro à nossa frente.
— EU VOU JUNTO! — gritei, mas assim que chegasse na porta, ela se fechou como uma sentença. As letras Acesso Restrito me acertaram como um soco.
— Só a equipe. — o segurança manteve o braço estendido, a voz protocolar. Eu gritei em um rugido.
— É a MINHA MULHER! — avancei na porta tentando abri-la, alguém tentou me segurar.
Acho que foi o Brady, não sei, porque naquele momento eu ceguei. Eu desvencilhei no reflexo, o cotovelo batendo em outro peito, outro ombro. Jack apareceu pela esquerda, a mão aberta num gesto de calma que eu não tinha para dar.
— Ben! — a voz do Alex cortou todas as outras. Ele veio por trás, me prensou pelos braços num abraço de ferro, a boca perto do meu ouvido.
— Olha pra mim.
Eu tentei, os olhos ardendo, o mundo borrado as lágrimas descendo.
— Agora não depende mais de você, irmão. — ele falava baixo, sem pressa, com a autoridade que sempre fez todo mundo calar. — Aline sabe o que está fazendo. Catharina sabe o que está fazendo. Os melhores estão lá dentro. A Rosa é uma lutadora, você sabe disso. A sua parte, agora, é ficar de pé. Entendeu?
— Eu… — gaguejei, a raiva e o medo brigando dentro do meu peito. — Eu não… eu não sei ficar aqui.
— Eu fico com você. — Alex não soltou meus braços. — A gente fica com você. E quando elas saírem, você vai estar inteiro pra recebê-las. É assim que você ajuda a sua mulher e a sua filha agora.
Minha respiração era uma marreta. Eu fechei os olhos, me forcei a ouvir. Dentro do meu crânio, o ecoar: fica de pé. O corredor ficou grande demais, depois pequeno, como se estivesse se fechando em mim.
— Vai dar certo. — Alex sussurrou.
— Ela é minha vida, Alex… — respondi, rouco, o olhar preso na porta por onde a levaram.
Alex se manteve agarrado a mim, o meu peso, a minha âncora. E meus irmãos se juntaram a nós.
Minha mente traiçoeira me levou até nossa conversa minutos antes de tudo isso acontecer. A voz dela pedindo, os olhos implorando:
"Promete pra mim… que se alguma coisa acontecer… Aurora é a primeira opção."
Olhei novamente para a porta, depois para o vazio. Tentei chamar por Deus, ou por quem quer que estivesse disposto a me ouvir.
"Salva a minha mulher..." — supliquei.
E, do lugar mais honesto e dolorido de dentro de mim, o pensamento veio, cortando como uma verdade absoluta:
"Eu amo nossa filha, Rosa… mas eu não vou saber viver sem você."
"Eu não vou saber..."

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