Entrar Via

Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 146

Cap.145

— Esquece isso. Eu não vou contar a ela a verdade nem o que penso em fazer. Ela vai acabar ficando ainda mais assustada se souber que, na verdade, foi comprada e que estava na presença do arrematador.

— Não sei como você vai conseguir fazer isso... talvez como Adon, um contrato de dívida falso. O que acha?

— Vou pensar sobre isso, mas agora... quero ir me gabar para meu irmão mais velho. Fiz um progresso maravilhoso com minha irmã.

— Você nem sabe se é ou não. Para de se iludir.

— Vai se lascar, Átila. Você sabe... mesmo se ela não for Simone, ela é marcada pela tragédia junto com a gente. Vou tratá-la como se fosse, assim como o pai fez com Adon, transformando ele em nosso irmão. Eu aceito tudo!

— Acho melhor vocês dois largarem esse assunto e saírem daqui. Não param de chamar atenção, e eu não gosto disso — William alertou dentro do carro.

Axel entrou no apartamento de Adon com o andar descontraído de um gladiador após os louros da vitória. Adon, sentado em uma poltrona perto da janela, com um laptop no colo, mal ergueu os olhos.

— Parece que alguém comeu o canário — comentou Adon, a voz ainda um pouco rouca.

— Algo assim — Axel respondeu, jogando-se no sofá oposto com um suspiro satisfeito. — Sabe, depois do serviço sujo, fui recompensado. A Selene e a Katleia me trataram como se eu fosse o super-homem de calça jeans. Petiscos, bebida, sorrisos… a nova, a Maju, até cortou frutas pra mim. Foi um banho de ego, Adon. Daqueles que aquecem a alma — disse, em tom meio debochado.

Depois disso, viu o rosto de Adon se fechar um pouco mais. O olhar cinza ficou distante, fixo na tela do computador, mas sem realmente enxergar nada.

— Selene nunca me tratou assim, de todas as vezes que a salvei — a frase saiu baixa, mais uma constatação amarga do que uma acusação.

Axel ergueu as sobrancelhas, surpreso.

Um sorriso maroto surgiu em seus lábios. Ele não podia perder a chance.

— Bom, eu sou mais legal. E, além disso — encolheu os ombros, tentando soar despretensioso —, é coisa de… melhores amigos, sabe? Ela se sente segura com a gente. Eu e o Átila. Tipo irmãos mais velhos esquentados.

Adon soltou um som seco, um quase riso sem humor.

— É só porque vocês estavam ensinando defesa pessoal a ela. Ela sente gratidão, não adoração.

— Chame como quiser — Axel rebateu, ainda sorrindo. — O fato é que eu tive minha festinha de herói. E foi bom.

O clima ficou um pouco pesado. Para disfarçar, Axel mudou de assunto, relatando os detalhes mais sérios do resgate, da compra burocrática e da preocupante cláusula de posse.

A expressão de Adon tornou-se profissional, analítica, mas um brilho de algo turbulento ainda se escondia por trás de seus olhos.

— Continuem investigando — ordenou Adon, fechando o laptop com um clique seco. — E acompanhem a Selene. De perto, mas sem que ela perceba. Se bem que nem estacionados na porta dela, ela perceberia.

Nesse momento, Átila, que ouvira a última parte da conversa ao entrar na sala, acrescentou:

— Falando nisso, ela largou de vez o Grupo Felix. Conseguiu um emprego como bartender naquele bar perto da universidade.

Adon fechou os olhos por um segundo, como se absorvesse um golpe esperado.

— Deixe assim, por enquanto. É menos exposto. Ela precisa se sentir no controle de algo.

Átila assentiu, mas depois perguntou, cruzando os braços:

Adon não se abaixou para pegar os papéis. Olhou para o chão por um momento e, então, ergueu o olhar para o pai.

Lentamente, com uma dignidade solene que parecia aumentar sua estatura, aproximou-se da mesa e se ajoelhou no tapete, ficando de frente para Alex, como um vassalo perante seu rei — mas com os olhos firmes, destravados.

— Eu sinto muito, pai. Mas agora que não estamos mais em sintonia… não posso continuar.

— Adon! — o grito veio carregado de pura desilusão raivosa. — Como se atreve? Depois de todos esses anos? Está me apunhalando agora?

Adon se levantou, não mais na posição de súdito, mas de igual. A dor que carregava há anos transformou-se em palavras claras e cortantes.

— Você que me apunhalou. Eu fiz de tudo. Dei tudo de mim por esta empresa. Te obedeci em tudo, mesmo quando discordava. Mas você nunca está satisfeito. Agora, só tenho uma coisa com a qual quero me importar, e você não se importa em feri-la, em sujar minha imagem para ela. Em dez anos… nada me fez me sentir vivo, me fez me sentir bem, como estar ao lado da Selene.

Alex deu um passo à frente, o rosto congestionado por uma mistura de fúria e medo.

— Ela não é para você! Por causa dessa mulher, toda a nossa família pode ser reduzida a cinzas! E tudo o que você construiu também! E sem isso, você acha que vai conseguir mantê-la viva? Você sabe como somos rigorosos com essa questão! Selene é um problema! Mercadorias não devem sair por aí livremente! Uma hora ela pode escancarar o que está acontecendo nesta cidade! É isso que você quer?

— Eu já resolvi isso — a voz de Adon foi calma, fatal. Ele tirou um papel dobrado do bolso interno do paletó e o estendeu ao pai.

Alex pegou o documento com desdém, mas seus olhos escanearam as linhas rapidamente. A cor drenou de seu rosto. A fúria deu lugar a um choque pálido e gelado. Suas mãos começaram a tremer levemente, fazendo o papel sussurrar.

Ele ergueu os olhos para Adon, que parecia uma estátua de mármore diante dele.

— Você… — a voz de Alex se perdeu, reduzida a um sopro rouco.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!