Cap.147
O que ele viu ao empurrar a porta do VIP 3 o paralisou por uma fração de segundo.
Era um campo de batalha em miniatura. Vidro espalhado por todo o chão, manchas escuras de líquido alcoólico, dois homens no chão contorcendo-se — um segurando o rosto ensanguentado, outro o estômago — e Montenegro de pé, segurando um candelabro quebrado, com um corte aberto na testa.
E, no centro do caos, em cima do sofá, de pé como uma fúria anciã, estava Selene.
Seu colete estava rasgado no ombro, o cabelo despenteado caía sobre o rosto pálido e manchado de lágrimas de raiva.
Na mão, ela segurava o caco afiado de uma garrafa como uma adaga, apontando para Montenegro, o peito subindo e descendo em arfadas descontroladas. Seus olhos, por um segundo, eram puro pânico animal.
Então, eles encontraram os dele.
A fúria e o medo desmoronaram. O caco de vidro caiu de seus dedos amortecidos, estilhaçando-se no chão já coberto de fragmentos. Seus olhos encheram-se de lágrimas limpas, de um alívio tão profundo que doía.
— Adon… — o sussurro foi apenas um frêmito.
Ele cruzou a sala em três passos largos, ignorando Montenegro, que começava a balbuciar uma explicação.
Não disse uma palavra. Apenas envolveu Selene com os braços, levantando-a do sofá com facilidade, aninhando-a contra o peito. Ela enterrou o rosto em seu pescoço, os soluços abafados sacudindo o corpo dele.
Ele a carregou para fora do quarto, passando por Carlo e pelo gerente noturno, que chegavam naquele instante, horrorizados.
— Senhor Adon, mil perdões! É só a nova bartender, essa desequilibrada, causando confusão com nossos melhores clientes! Já está demitida, pode deixar que eu resolvo essa…
Adon parou. Seu olhar sobre o gerente era gélido o suficiente para congelar o inferno.
— Esta reunião acabou — sua voz era baixa, mas cortou o ruído da boate como um fio de navalha. — E essa “bartender desequilibrada” é a minha esposa. Você, seu desgraçado, está demitido e banido — e você sabe o que isso significa, certo? Suma da minha vista antes que eu demita você de respirar.
Sem esperar resposta, voltou para a sala VIP privada onde estivera antes. Deixou Selene com cuidado no sofá de couro.
Ela ainda tremia, os soluços convulsivos. Ele ajoelhou-se diante dela, pegando um lenço de linho imaculado do bolso e começando a limpar suavemente o rosto molhado dela — as manchas de spray de champanhe, um pequeno arranhão no queixo.
— Calma… estou aqui. Você está segura. Ninguém mais vai te tocar. Meus homens estão lá fora. Nenhum deles vai ficar impune por encostar em você — sua voz era um sussurro áspero, carregado de uma emoção violenta contida.
Aos poucos, os soluços de Selene foram amainando. O choque dava lugar à realidade.
Ela sentiu a textura cara do sofá, viu a sala luxuosa, olhou para o rosto de Adon — tão perto, tão preocupado.
E então, como se um interruptor tivesse sido acionado, toda a mágoa, o ciúme, o medo e a raiva acumulados nas últimas semanas explodiram.
Ela parou de chorar subitamente. Seus olhos, ainda vermelhos, fixaram-se nos dele com intensidade feroz. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ergueu as mãos e deu um forte empurrão contra o peito dele, fazendo-o perder o equilíbrio e sentar-se no sofá, surpreso.
— Como você se atreve?! — a voz dela saiu rouca, mas poderosa, os lábios tremendo. — Sumir do mapa! Me deixar pensando mil coisas… e ainda por cima voltar pra essa vida? Com outra mulher pendurada no seu braço? Quer morrer também, Adon? Porque eu quase morri lá dentro!
Ela estava de pé agora, tremendo não mais de medo, mas de fúria pura. As lágrimas que corriam eram de raiva.
— Mentira. Você tava saindo com outra mulher. Pendurada no seu braço.
Adon afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela.
— Aquela mulher, a morena, é sócia de moda do Carlo, o ex-gerente. A outra é esposa do advogado dele. Foi casualidade. Teatro de negócios. Nada mais — a voz dele era clara, sem espaço para dúvidas. — Você é a única mulher que importa neste lugar. Em qualquer lugar.
Selene o encarou, buscando uma mentira, uma falha. Encontrou apenas a verdade crua e ardente em sua expressão.
— É verdade? — a pergunta saiu num sopro.
— É verdade — ele afirmou e, antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, selou os lábios nos dela.
Não foi um beijo de reconciliação suave. Foi um beijo de posse, de fome acumulada, de desespero transformado em desejo. Um grito silencioso.
Selene respondeu com a mesma intensidade, as mãos subindo para se enterrar nos cabelos escuros dele, puxando-o para mais perto, como se quisesse fundi-lo a si.
O sabor era familiar: uísque caro, hortelã do gel… e uma ponta salgada de lágrimas não identificadas.
Quando finalmente se separaram para respirar, ofegantes, Adon a estudou, os olhos escurecidos pela paixão e por um lampejo de curiosidade.
— Você tá bêbada? — perguntou, a voz rouca, analisando os gestos dela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!