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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 158

Cap.157

O mundo desfocou novamente. A proposta era absurda, já que ela teria que lidar novamente com Alex.

— Não — a resposta saiu automática, carregada de pânico. — Não posso voltar para lá. Você sabe o que aconteceu. Seu pai… a Rose… Mima…

— O Grupo Felix não é mais o reino exclusivo do meu pai. É meu, e livre de qualquer interferência de Alex. — A voz de Adon era uma lâmina, cortando objeções. — E eu não estou pedindo para você voltar como uma estagiária qualquer. Você será meu braço direito. Minha assessora pessoal. Minha secretária pessoal, com acesso a tudo, com um salário que refletirá sua importância. Você ficará no escritório ao lado do meu. Todos os dias. E, na maioria das vezes, no meu trono.

— Por quê? — Selene perguntou, verdadeiramente confusa. — Por que você faria isso? Depois de tudo… por que me daria tanto poder?

Adon fechou a distância finalmente, mas apenas para colocar as mãos nos ombros dela, com um toque firme, mas não agressivo. Seu olhar era intenso, quase hipnótico.

— Porque você é a única pessoa neste mundo em quem eu confio sem reservas. Porque você é forte, inteligente e me entende de uma forma que ninguém mais entende. E sei que você é capaz o suficiente. Estou te dando a chance de provar o quão incrível você é. — Ele estava falando de Selene, que vestia a roupa de alguém abandonada e sem estudo mais do que todos, mas suas palavras, sem que ele soubesse, perfuravam camadas mais profundas da identidade dela. — E acredito que você não quer voltar para aquela boate, não é? Para aquele lugar onde homens como Montenegro acham que podem te tocar.

Selene olhou para as mãos dele, grandes e quentes em seus ombros.

— E se eu disser não? — ela sussurrou, uma última tentativa fútil.

— Você não vai. — Ele não estava ameaçando; estava afirmando um fato. Ele conhecia sua coragem e seu cansaço da luta solitária. — Você vai voltar comigo. Não como uma empregada. Como minha parceira. Para todos verem.

Ele soltou seus ombros e estendeu a mão, não como uma ordem, mas como um pacto.

Com um fôlego trêmulo, ela colocou a mão na dele. A dela era fria. A dele, quente.

— Está bem — ela capitulou, a voz quase inaudível.

— Eu só quero te mostrar que ninguém mais vai ousar te desrespeitar.

— Não vou mais rejeitar boas oportunidades, já que é assim.

Um sorriso satisfeito, porém sombrio, tocou os lábios de Adon. Ele a puxou suavemente para um abraço rápido, impessoal.

— Amanhã será um novo começo para nós dois.

No dia seguinte, no saguão principal do Grupo Felix.

O burburinho habitual morreu instantaneamente quando as portas do elevador exclusivo se abriram.

Adon Felix saiu, não com a expressão fechada de costume, mas com uma autoridade radiante e calculada. E, ao seu lado, de mãos dadas com ele, estava Selene.

Ela estava impecável em um tailleur cinza elegante, mas simples. Seu rosto estava pálido, porém sereno, os olhos fixos à frente.

A mão de Adon a envolvia, e funcionários pararam no meio do caminho, copos de café esquecidos no ar. Sussurros se espalharam como um rastilho de pólvora.

“É ela… a estagiária… a que causou a confusão…”

“O presidente está de volta… e trouxe ela?”

“O senhor Felix não era contra essa garota?”

Adon não olhou para os lados. Caminhou direto para o centro do saguão, diante da grande escadaria de mármore. Parou. A atenção de todos os andares, das varandas, estava voltada para eles.

Com uma voz que ecoou clara no silêncio absoluto, ele anunciou para todos os funcionários daquele andar:

— A partir de hoje, Selene será minha Secretária Pessoal e Assessora Executiva. Ela terá acesso total ao meu escritório e autoridade direta em meu nome. Qualquer ordem dela é uma ordem minha. Qualquer desrespeito a ela é um desrespeito a mim.

Ele ergueu a mão entrelaçada com a dela, um gesto simbólico e feroz.

— Deem as boas-vindas a ela. E lembrem-se: ela não está aqui por favor. Está aqui por direito.

Adon havia retornado ao trono. E trouxera consigo, para o mundo inteiro ver, a mulher que era, sem que ele soubesse, a própria razão de seu antigo luto.

E agora, também, a peça central de seu futuro.

A tarde no escritório do topo do arranha-céu do Grupo Felix foi um turbilhão meticuloso. Adon, de volta ao seu elemento, era um general reconquistando seu território.

Pilhas de contratos, relatórios financeiros truncados pela sua ausência e propostas de negócios aguardavam sua assinatura e seu olhar implacável.

O ar estava carregado do silêncio intenso do poder concentrado, quebrado apenas pelo som suave de páginas sendo viradas, da caneta de Adon riscando o papel e pelo teclar discreto de Selene em um laptop que ele providenciara para ela.

Ele a colocara em uma escrivaninha elegantemente minimalista, posicionada não do lado de fora, como seria o de uma secretária comum, mas dentro do próprio escritório executivo, em um canto com vista para a cidade.

Ela lidava com e-mails, triava ligações e organizava sua agenda com uma eficiência surpreendente, mas seu olhar, por vezes, perdia-se na paisagem urbana lá fora ou pousava nas costas largas de Adon enquanto ele falava ao telefone, em voz baixa e ameaçadora. Cada gesto dele era familiar e, agora, agonizantemente proibido, mesmo sendo tão elegante.

Ela ainda sorria com a ironia dos dias passados. Até então, pensava que ele era apenas um vagabundo vivendo às custas dos outros, mas parecia que os outros é que viviam às custas dele.

— Quantos segredos mais ele tem?

— Você não se cansa de me observar? — ele perguntou, com a voz calma, ainda concentrado no laptop.

— Não sei se consigo desgrudar do seu corpo… não sei… — ela murmurou, apertando os olhos e balançando a cabeça.

— Você poderia ir para casa — Adon disse, sem levantar os olhos, já no fim da tarde. O sol começava a se pôr, pintando o céu de laranja e roxo atrás dos vidros. — O pior já está feito. O resto eu termino amanhã.

Selene, que organizava pastas em um arquivo, parou. Ir para casa significava solidão. Desde cedo, estava grudada em Adon — na verdade, desde ontem. Ele não desgrudara da casa deles, ainda mais depois de Axel ter sido tão bem tratado lá. Adon não queria dar espaço para Axel aparecer novamente e tentar se aproveitar.

— Prefiro terminar isso — ela respondeu, a voz um pouco firme demais. — Se vou ser seu braço direito, preciso entender a profundidade da bagunça. Afinal, nos dias em que você passou longe da empresa, parece que tudo parou. Vou ficar e te ajudar.

As palavras a envolveram, quentes e perigosas.

Adon se aproximou, fechando a distância. O ar entre eles pareceu ficar mais pesado, carregado de tudo o que não era dito.

Ele viu. Com um suspiro que parecia vir do fundo da alma, ele a puxou para um abraço, envolvendo-a juntamente com o casaco. Ela resistiu por um segundo, rígida, mas seu corpo, exausto e faminto por conforto, traiu-a. Ela cedeu, enterrando o rosto no peito dele, puxando seu perfume com força pelas narinas.

Selene sentiu o coração dele bater mais rápido contra sua orelha. As mãos dele em suas costas pararam de acariciar e começaram a traçar círculos mais lentos, mais intencionais.

Ela ergueu o rosto, seus olhos encontrando os dele, que estavam escuros, dilatados pela pouca luz e por algo mais.

— Adon… — ela tentou protestar, mas seu nome saiu como um pedido.

— Eu sei — ele murmurou, como se entendesse uma batalha interna que ela mesma não compreendia totalmente. — Eu também.

E então ele a beijou. Não foi como o beijo possessivo e faminto da boate.

Foi lento, profundo, exploratório, sua língua deslizando, envolvendo-a cada vez mais.

Selene se perdeu nele. Esqueceu-se do cemitério, de Mima, do nome “Simone”. Existia apenas o sabor dele, a segurança esmagadora de seus braços, o calor do corpo dele contra o seu, envolvido pelo casaco que era uma extensão dele.

O beijo os levou até o sofá de couro macio na área de descanso do escritório.

Roupas foram despidas com urgência, mas também com uma reverência nova.

Não foi apenas sexo; foi uma reconexão desesperada, um pacto selado na pele, uma tentativa de ambos de encontrar o outro no meio do caos em que suas vidas haviam se tornado.

Adon a reverenciava com toques e beijos, como se estivesse reivindicando cada centímetro, não com posse brutal, mas com uma devoção que a assustava.

E Selene, por sua vez, correspondeu com uma intensidade que vinha do abismo, agarrando-se a ele como a única âncora em um mar de mentiras.

A exaustão física e emocional eventualmente os venceu. Enlaçados, nus sob o casaco de Adon que agora os cobria, eles adormeceram no sofá largo, o coração de um batendo no ritmo do outro, a cidade iluminada fazendo o papel de testemunha silenciosa através do grande vitral.

Amanhecer

O primeiro raio de sol, intenso e dourado, cortou o horizonte e inundou o escritório através do vitral, acordando Adon.

Ele piscou, sentindo o peso aconchegante de Selene dormindo profundamente sobre seu peito, o cabelo espalhado como um manto escuro.

O rosto dela estava relaxado, em paz, com marcas de lágrimas secas nas bochechas.

Um sentimento de posse feroz e de ternura avassaladora o invadiu. Ele a ajustou suavemente em seus braços, não querendo que ela saísse dali.

Foi então que a porta do escritório se abriu com um clique suave.

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