Cap.12
O hospital cheirava a desinfetante, e com todos ali também á desespero e roupas molhadas.
Katleia foi atendida rapidamente, em estado critico, o tempo parece ter parado enquanto esperavam que a vida dela fosse salvo.
A sala de espera da UTI era um retrato da exaustão. Maju estava encolhida em um canto, abraçando os joelhos no chão frio de linóleo, tremendo tanto de frio quanto de choque. Mima, ao seu lado, tentava aquecê-la esfregando seus braços, seu próprio rosto uma máscara de preocupação pálida.
Átila era um pêndulo humano de ansiedade, percorrendo o mesmo trecho de corredor com passos curtos e tensos, os punhos cerrados nos bolsos do casaco encharcado.
Cada olhar para a porta fechada da UTI era um golpe. Ele a vira desabar. Ele sentira seu coração fraquejar sob suas mãos. A culpa, uma emoção que ele tentava manter em um cofre trancado, vazava por todas as frestas, misturada a uma fúria silenciosa e direcionada.
Selene estava envolta nos braços de Adon, seu rosto enterrado no peito dele. Seus ombros tremiam com soluços abafados.
Adon a segurava firme enquanto ela tremia de frio, seu olhar sobre a cabeça dela era duro, calculista, já traçando linhas de defesa em um mapa invisível mesmo que seu coração estivesse em pânico, o que aconteceria se aquela menina não sobrevivesse?
Gildete, com os dedos ainda frios, pegou o celular de Katleia, que estava no pijama que fora deixando para traz após colocarem a roupa hospitalar. Viu a última ligação recebida, Tio Silva. Com um pressentimento pesando no estômago, discou o número.
A conversa foi breve e sussurrada. Quando desligou, seu rosto estava lívido. Ela se aproximou do pequeno grupo, puxando Mima para perto.
— Meninas… — sua voz saiu rouca o corpo congelando. — O policial… o Tio Silva. Ele ligou para ela hoje à noite. Aquele monstro… o tio dela. Foi solto. Liberdade condicional por bom comportamento... aquele desgraçado!
O ar saiu dos pulmões de todas elas ao mesmo tempo. O quebra-cabeça de horror se encaixou. A reação dela foi seu pesadelo tornando-se realidade e ganhando carne e osso e liberdade para lhe perseguir e terminar o que prometeu que terminaria.
Nesse momento, a porta do corredor se abriu. Axel e William entraram, carregando sacolas grandes. Ambos estavam encharcados, mas traziam um ar de ação prática.
— Trouxe roupas secas para todo mundo — anunciou Axel, sua voz um pouco tensa. — Estão todos tremendo... se não se trocarem, vão ficar doentes logo, logo.
Ele distribuiu os pacotes, casacos de moletom, calças, meias grossas. Roupas simples, quentes, compradas às pressas em algum lugar aberto 24h. Átila pegou o seu, olhando para as peças que agora parecia um padrão de fardamento.
— Não tinha outra coisa? — murmurou, mas já estava se despindo do casaco molhado. A preocupação por Katleia superava qualquer vaidade.
Axel deu de ombros, entregando um pijama para Selene.
— Está chovendo demais lá fora, e aqui dentro está ameno. É para não pegarem pneumonia enquanto esperam.
Vestidos com as roupas secas, um pouco menos fantasmas, eles se acomodaram para a longa vigia. A noite se arrastou, marcada pelo tique-taque do relógio da parede e pelo som suave das máquinas do outro lado da porta.
Quando o médico finalmente saiu, já amanhecendo, o cansaço nos olhos de todos foi substituído por um alerta agudo.
— Ela está acordada. Estável, mas muito frágil. O coração passou por um estresse extremo. Pode entrar, mas apenas dois por vez, por favor.
A instrução foi dada, mas ignorada no instante em que a porta se abriu. Eles entraram todos juntos, um pequeno exército de rostos preocupados e roupas de moletom.
Katleia estava na cama, pequena e pálida contra os lençóis brancos, uma rede de tubos e fios conectada a ela.
Seus olhos, ainda opacos da medicação, percorreram o quarto, pousando em cada um deles. Havia uma confusão neles, depois um lampejo de alívio profundo, seguido de uma vergonha avassaladora.
William, sempre o advogado, esfregou o rosto, cansado.
— Eu também tenho que me meter nisso?
Adon virou-se para ele.
— Óbvio. Quero que cada um de vocês se responsabilize por uma. William, você investiga a Gildete. Siga-a, descubra seus hábitos, seus segredos. Até então, essa daí é a que mais sai, a que mais mantém mistério. Ainda sinto que ela esconde alguma coisa importante. Algo que pode nos pegar de surpresa.
Direcionou-se então a Átila.
— Você, Átila, investigue e tente encontrar esse homem que persegue a Katleia. Use tudo o que você sabe fazer. Digital, físico, o que for. Eu quero um nome, um endereço, um padrão. Rápido, quero saber quem é a mãe dela e onde ela está.
Por fim, olhou para Axel, que parecia querer estar em qualquer outro lugar.
— Axel, você investiga a Mima. Sempre tive interesse em saber mais sobre ela… Tenho quase certeza de que essa menina é filha de algum mafioso que acabou abandonando-a e a irmã. Há um ar… familiar nela, de alguém que sabe muito mais sobre sua família do que aparenta.. Descubra de qual rato ela veio, antes que o cheiro do queijo atraia o resto da colônia para a minha porta. Quanto mais sabemos quem são nossos aliados, melhor fica para lidarmos.
— E tudo isso para proteger Simone? — William perguntou.
— Sim, cada pessoa que está ao lado de Selene, quero anular qualquer risco que elas venham representar a vida de Simone, não quero que ela se machuque de novo ou passe por alguma situação de risco, por isso em três dias, vocês devem encontrar todas as informações necessárias.
A ordem estava dada. Não era um pedido. Era um plano tático. As vidas das quatro mulheres que Selene se importava, e que agora, por tabela, estavam sob a asa dos Felix, e seriam vasculhadas, Tudo em nome da proteção de Selene. Tudo em nome de evitar que outro pesadelo, como o que quase matou Katleia, se repetisse.
Enquanto dentro do quarto as mulheres se reconfortavam em um frágil círculo de apoio, do lado de fora, no corredor frio do hospital, uma operação muito diferente, sombria e implacável, era colocada em movimento.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!