Cap.13
A calma que desceu sobre o quarto de hospital ainda era carregada de preocupação. As outras meninas haviam saído, a contragosto, para tomar um café ou tentar descansar um pouco, deixando Katleia sozinha com Selene, seus pensamentos e o zumbido baixo dos monitores.
— Não se preocupe, amanhã mesmo nós vamos até os Bertans e vamos resolver isso, ok?
— Selene… mas eles são seus avós, não têm nada a ver comigo. Como você pode querer pedir ajuda a eles para um desconhecido?
— Você não é desconhecida. Além disso… sua segurança é a minha segurança também. Porque, se eu encontrasse esse homem, eu o mataria sem pensar duas vezes. Por isso… eu quero muito que você confie em mim. Não estamos mais sozinhas. Foi por isso que comprei aquela casa… para que pudéssemos ficar juntas em segurança. Ninguém vai conseguir entrar naquela fortaleza, sem falar que meu próprio irmão está cuidando de tudo.
— Mas… se é seguro, como aquele homem entrou? Eu não entendo.
Selene comprimiu os lábios, sem conseguir responder. Apenas apertou a mão de Katleia com desconforto e tristeza.
— Eu vou trazer um pouco de café, ok?
— Não… é melhor você ir comer algo com as meninas. Volte depois, não se preocupe comigo.
Selene concordou e saiu, mesmo sem vontade, mas porque havia assuntos que ela não sabia como comentar com Katleia.
Foi então que Átila entrou. Ele fechou a porta com um clique suave, sua presença preenchendo o espaço de uma forma diferente da das mulheres — mais sólida, mais intencional — de modo que ela sentiu uma expectativa que nem ela mesma entendia.
Ele puxou uma cadeira para perto da cama e sentou-se, não como um visitante casual, mas como alguém com um propósito.
Katleia o observou, os olhos ainda um pouco opacos pela medicação, mas mais focados do que antes.
— Está tudo bem ficar sem elas aqui? — perguntou ele, sua voz mais suave do que o habitual.
— Por um tempo, sim… — ela sussurrou, a voz ainda áspera.
Ele assentiu, deixando um silêncio confortável pairar antes de mergulhar no que viera fazer.
— Katleia… preciso que você me conte exatamente o que viu. De quem você estava correndo naquela noite? A ponto de se jogar do segundo andar daquela forma… parecia até mesmo uma cena de terror.
Um tremor percorreu seu corpo, quase imperceptível. Ela fechou os olhos por um segundo, como se revivesse o pavor.
— Era… era ele. A silhueta dele. Na minha cabeceira, próximo aos meus pés. Eu tinha certeza. Tanto tempo sem vê-lo, e justamente no dia em que ele saiu da cadeia, ele foi me visitar. — Sua voz quebrou.
Átila inclinou-se para frente, os cotovelos nos joelhos, mantendo um contato visual constante e calmo.
— Eu verifiquei tudo. Imediatamente depois de te trazer para cá, voltei lá. Não tinha ninguém no seu quarto, Katleia. Ninguém. Além disso, as câmeras, os sensores… tudo mostrava que alguém tinha saído, mas ninguém tinha entrado. Eu te encontrei assim que o sensor apontou, antes mesmo de você pular da sacada.
Ela abriu os olhos, uma confusão nítida em seu olhar.
— Mas… o quarto estava trancado? Porque ele claramente saiu e desceu as escadas atrás de mim! Eu vi!
— Estava trancado — ele confirmou, sua voz era um fio de lógica tentando costurar uma realidade fraturada. — E a chave estava no bolso do seu pijama, encharcado de chuva. Você mesma trancou a porta, lembra? Eu instalei a fechadura para você. Foi você quem a trancou, quem registrou a senha. Ninguém mais conseguiria abrir ou fechar.
A memória, distorcida pelo pânico, começou a se reorganizar. Ela viu mentalmente suas próprias mãos trêmulas girando o cadeado digital, ouvindo o clique de segurança antes de se enfiar na cama, tentando se esconder do mundo. O pijama com bolso… sim.
— E… e o andar de baixo? — ela perguntou, numa última tentativa de ancorar o pesadelo na realidade.
— Nada — Átila balançou a cabeça. — Nenhum sinal de invasão. As câmeras que instalei não captaram movimento algum, exceto o seu, quando você saiu correndo e… — Ele não terminou a frase, poupando-a do detalhe do salto.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!