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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 320

Cap.127

Pov, Selene Felix

Após chegarmos eu fui para o quarto e tomei um banho rápido, queria conversar com Adon o mais breve possível, e parece que ele não vai passar a noite em casa, esses dias ele parece mais distante que o normal, mais ocupado do que de costume.

Enquanto caminhava tela do celular brilhava contra os meus olhos na penumbra do corredor, a última mensagem de Axel antes de embarcar gravada na minha retina.

Eu já tinha lido aquelas linhas três vezes, mas cada palavra parecia pesar uma tonelada.

Irmão vagabundo 2

"Olha... estou indo. Quando eu voltar, o Adon já será o Don. Você é uma mulher forte e nasceu para isso, para governar ao lado dele.

O Adon está acostumado a fazer tudo sozinho, está sempre carregando o mundo e todos nós nas costas, mas... você é a esposa dele. Pode dividir esse fardo. Seja mais justa com ele também. Ele preparou uma casa para vocês, o cara bruto até ficou clichê por causa de você.

Por isso, ao menos conheça a mansão que ele próprio decorou, pensando exatamente no que você gosta. Não me desaponte, quero que meu irmão esteja bem. E sim, eu amo mais o Adon do que você, mas não conta para ele não, que isso soa meio gay."

Apertei o aparelho contra o peito, soltando um arfar que misturava irritação e um aperto incômodo na garganta.

— Que babaca... — murmurei para o nada, engolindo em seco.

Mas ele tinha razão.

Cada maldita palavra era uma verdade que eu vinha tentando ignorar. Guardei o celular no bolso do meu roupão de seda e empurrei a porta pesada de madeira da biblioteca.

O ambiente estava imerso em uma névoa de silêncio, quebrado apenas pelo som sutil da chuva que ameaçava cair.

Adon estava lá. Sentado na enorme poltrona de couro escuro, sob a luz fraca de um único abajur de canto.

O corpo dele não mudara nada, continuava aquele homem, forte demais, com os ombros largos que pareciam projetados para aguentar o impacto de um desabamento, mas sem exageros, o mesmo corpo que me fez querer bancar ele a alguns meses atrás, em apenas alguns meses tudo mudou tão rápido.

Ele era uma montanha de músculos e responsabilidade. Olhando para ele ali, cercado por papéis e com o cenho franzido, uma pontada de culpa me atravessou.

De fato... eu agora era uma mulher casada.

Eu precisava ter mais cuidado com o meu casamento. Vinha deixando Adon em segundo plano, perdida no caos dos Bertans, de Katleia, de Átila, do meu pai... enquanto ele apenas segurava as pontas, sem reclamar.

Quando notei a aproximação dos meus passos, Adon ergueu os olhos. A rigidez em sua mandíbula cedeu instantaneamente e um sorriso de canto, cansado mas genuinamente caloroso, surgiu em seus lábios. Ele empurrou os relatórios para o lado.

Não hesitei. Aproximei-me e me sentei diretamente em seu colo, montada sobre suas coxas, sentindo a textura áspera da sua calça jeans contra a minha pele. Levei as mãos ao seu rosto, meus dedos traçando a linha de sua barba por fazer, analisando cada detalhe.

Ele estava abatido. Havia sombras escuras discretas sob seus olhos e uma exaustão silenciosa gravada nas linhas da sua testa.

— Você está bem? — perguntei, minha voz suavizando como raramente acontecia.

Adon subiu as mãos grandes, espalmando uma delas sobre a minha que estava em sua bochecha. Ele inclinou a cabeça de leve, pressionando um beijo terno na palma da minha mão, sem desviar os olhos dos meus.

Aquelas pupilas escuras me devoravam com uma intensidade que fez meu estômago dar um nó quente.

— Sim — ele respondeu, a voz grave vibrando contra o meu peito. — Onde você estiver é onde eu estou. E se você está aqui, eu estou bem, não disse?

Sorri, sentindo um calorzinho gostoso se espalhar, mas balancei a cabeça.

— Não é bem assim, Adon... — inclinei-me para a frente e juntei nossos lábios em um beijo breve, macio, sentindo o gosto familiar dele.

Ele correspondeu imediatamente, os braços dele circulando minha cintura com uma força possessiva, apertando-me contra seu corpo. Quando nos afastamos apenas alguns milímetros, apoiei minha testa na dele.

— Me desculpa — sussurrei.

Adon piscou, confuso, as mãos subindo pelas minhas costas por baixo do roupão.

— Desculpa pelo quê, Selene?

— Eu não estava sendo atenciosa com o nosso casamento. Com você. Quero cuidar mais de você, Adon... já que você tem cuidado de tanta coisa, de tanta gente, o tempo todo.

Ele soltou um riso curto, soprado, relaxando os ombros contra o encosto da poltrona.

— Está tudo bem. Não há nada de novo nisso. É o meu trabalho, você deve concluir seu mestrado e fazer as coisas que quer.

— Mas eu não vou negligenciar você de novo — insisti, apertando meus dedos nos cabelos da nuca dele.

Adon sorriu, os olhos brilhando com uma ponta de provocação bem-humorada.

— Selene, você acha mesmo que eu não posso me cuidar sozinho?

— Sim! — retruquei, inflando o peito com aquela audácia que ele conhecia bem. — Eu não mudei de ideia. Eu disse que ia te bancar e eu vou. Eu sou até mais poderosa que você, sabia? Tenho que herdar os patrimônios dos Bertans e, se eu vacilar, posso conseguir o controle de mil soldados. Quando você finalmente se tornar o Don, eu posso usar tudo isso a seu favor! Tudo para você para te apoiar.

Adon soltou uma risada mais alta, o som ecoando baixo pela biblioteca silenciosa. Ele apertou minha cintura, me trazendo ainda mais para perto.

— Só se for para me matar com esse exército, né?

— Não... — protestei, roçando meu nariz no dele, sentindo minha respiração começar a acelerar com a proximidade física. — É para te ajudar. De verdade.

A expressão dele mudou ligeiramente, ficando pensativa. O olhar dele desceu pelos meus lábios antes de voltar para os meus olhos.

— Talvez... em algum momento isso venha a ser útil — ele admitiu, o tom descendo para algo mais estratégico e sombrio. — Tem coisas que já estão saindo do controle dos Felix. Mas nada melhor do que sacrificar os Bertans para equilibrar a balança.

— Tudo por você, meu querido Don — sussurrei, a palavra "Don" saindo como um elogio perverso nos seus ouvidos, é um contraste cruel com os Bertans, eu estou dividida entre a justiça implacável dos Bertans e da máfia do meu marido, não tenho pensado muito nessa situação, mas estou bem lascada, parando para analisar, mas meu foco agora era ele. Eu queria analisar, ele.

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