Cap.129
O Peso do Silêncio
POv Katleia.
Selene tinha dito na mesa do café que a mudança seria dali a uma semana.
Mas, no fundo do meu coração, eu realmente queria que ela fosse logo.
Ela e o Adon precisavam desesperadamente de um tempo só deles.
Desde aquele meu incidente, desde a noite em que o pânico tomou conta de mim e eu empunhei aquela Katana como uma lunática , eu vinha carregando uma culpa esmagadora.
Eu me sentia um fardo para as meninas. Todas aquelas minhas crises, os sustos na madrugada... Por mais que o medo de ficar sozinha ainda sussurrasse no meu ouvido a cada vez que as luzes se apagavam, eu sabia que não podia depender delas para sempre. Eu precisava crescer.
E, de certa forma, eu estava melhorando.
Átila vinha me ajudando a encontrar uma âncora, um chão firme onde pisar quando o mundo parecia desabar. Mas o que eu faria agora que ele estava distante, submerso nos problemas da própria família? Para não enlouquecer, passei a dedicar minhas horas livres à leitura e a estudar um pouco de psicologia. Queria entender os nós da minha própria mente, decifrar os gatilhos do trauma para que eu nunca mais colocasse em risco as pessoas que amo.
Por sorte, nossa conspiração feminina deu certo.
Eu, Gildete e Maju praticamente empurramos Selene para fora do ninho.
Fizemos ela entender que não precisava esperar uma semana inteira, a mansão nova estava pronta, decorada e esperando por eles.
Gildete, com sua energia maternal de sempre, assumiu o comando e passou o dia ajudando a arrumar as malas, dobrando os vestidos de seda de Selene entre conselhos sussurrados sobre casamento.
No final da tarde, as malas estavam alinhadas no hall.
O momento da despedida chegou carregado de uma atmosfera agridoce.
Selene, tentando manter sua pose de mulher inabalável, olhava para nós como uma mãe pássaro com medo de deixar os filhotes no ninho.
— Olhem aqui, eu vou embora, mas é temporário, entenderam? — ela disparou, apontando o dedo para cada uma de nós, a voz ligeiramente embargada. — Todos os dias, assim que eu sair da faculdade, eu venho direto para cá. Vou ver você, Kat, ver como as meninas estão... Não pensem que vão se livrar de mim tão fácil.
— Ah, Sisi, vá em paz! — Gildete exclamou, empurrando-a levemente pelos ombros em direção à porta. — Está tudo bem por aqui. Nós sabemos nos cuidar. Vá cuidar do seu marido que ele já esperou demais.
Adon estava parado junto ao carro, carregando a última mala no porta-malas.
Havia uma leveza inédita em seu rosto, um brilho de genuína alegria que eu raramente via naquele homem tão sério.
Ele olhou para Selene e depois para nós, acenando com a cabeça em um agradecimento silencioso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!