Cap.36
— Não liguei para ouvir suas piadas — Adon retrucou, impaciente.
— Ah, ligou sim. Deixa eu adivinhar, tocou na mascotinha e agora está com o fogo no rabo? Eu avisei para não encostar nela, cara. Ela estava drogada.
— Cuida da sua vida, Axel. Não encostei nela da forma que você pensa, ou... não literalmente. — ele disse entre os dentes.
Adon caminhou até a cama. Selene estava deitada de lado, dormindo profundamente na nudez vulnerável. Ele pegou um lençol da ponta da cama e o jogou sobre o corpo dela, um gesto de pudor tardio.
Quase instantaneamente, Selene se mexeu no sono e, num ato de birra inconsciente, tirou o lençol com um movimento de quadril, deixando-o amassado ao lado de seu corpo. Ela voltou a dormir, nua e alheia ao tormento que causava.
Adon soltou um suspiro de pura frustração, olhando para o corpo perfeito e exposto em sua cama.
— Isso não está ajudando... — ele murmurou, mais para si do que para Axel, analisando a mulher que havia despertado um lado dele que ele mal reconhecia.
— Ajudando o quê? A manter a castidade, Adon? — Axel riu no telefone. — O que você quer, afinal?
— Onde você está?
— Ainda no bar limpando sua bagunça e. Bebendo com o Átila. Por quê?
— Que ótimo. Ver... arruma serviço de quarto para mim. Três no mínimo. Que se dane, três ou mais.
Um silêncio momentâneo se seguiu, interrompido pela gargalhada rouca de Axel do outro lado da linha, que compreendeu perfeitamente a situação.
A ironia cortante do irmão era a trilha sonora da derrota de Adon para o próprio desejo.
Adon segurava o celular, ainda no viva-voz, a toalha baixa na cintura, a tensão palpável.
— Do que você está rindo, Axel? Quer ser degolado? — Adon perguntou, a voz quase um rosnado.
Do outro lado, ouviu-se uma nova risada, a de Átila, que evidentemente estava ouvindo a conversa.
— Adon, meu irmão,querido futuro don. — a voz grave e calma de Átila interveio, com um tom de repreensão jocosa. — Depois do que você assinou, você não pode encostar em mulher nenhuma que não seja... aquela que serve. Não esqueça. A mulher que serve para você está bem aí, mas você não pode, de jeito nenhum, encostar nela para não estragar seu acordo. Controle-se.
O rosto de Adon se contorceu em frustração. O lembrete de Átila era a gota d’água.
— Que se foda contrato! Eu preciso disso... eu preciso foder... — ele apertou os olhos, o desejo lhe corroendo. — É preciso descansar.
— Estamos indo para sua casa, então, você pode usar o segundo método, treinar até morrer, afinal esse corpinho não foi construído dormindo, né? Pode treinar até vir a exaustão e desmaiar, aí seu pau fica quieto. — disse Atila.
— Não se preocupe, querido irmão. Eu vou manter essa sua farsa até o fim. Vou te mandar uns trocados depois, se quiser ter o gostinho de ser sustentado.
Adon estava no limite. O stress da situação, a provocação dos irmãos e a teimosia inconsciente de Selene o fizeram perder o controle.
— Como eu disse, vão se foder! — ele gritou. — Não se atrevam a pisar os pés na minha casa!
Neste exato momento, Selene balbuciou, o sono levemente interrompido pelo grito.
— Adon... — ela murmurou, a voz fraca. — Não pode proibir seu amigo de entrar na própria casa dele, sua casa? o que esta dizendo? E você não tem um pingo de vergonha de me trazer para a cama de seu amigo!
A risada de Axel e Atila se intensificou, a ironia era clara, Selene pensava que ele morava com os amigos.
Adon apertou o botão de desligar com tamanha força que parecia querer quebrar o aparelho, encerrando a ligação irritado e vencido pelo caos que havia se instalado em sua suíte.
O riso de Axel e Átila ainda reverberava em sua cabeça, alimentando o que ele mais odiava em si, o descontrole.
Selene continuava ali, encolhida despida como um convite agressivo ao corpo de adon, respirando de forma tranquila, alheia ao caos que provocava dentro dele.
— Eu não vou dormir no sofá, se você não quiser se cobrir eu vou fazer você querer se cobrir. — ele disse, pegando o controle do ar-condicionado.

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