Cap. 47
Ela o agarrou pelo pulso. — Rápido, vem comigo! Elas não podem te ver aqui!
Sem entender nada, ele a seguiu pelos corredores estreitos até o quarto dela. Selene entrou, empurrou-o lá pra dentro e fechou a porta num estalo.
— Fica quieto! — sussurrou, ofegante. — Se elas te virem aqui, eu tô morta!
Do outro lado da porta, ouviu-se uma voz animada. — Selene? Você tá em casa ainda? — era Gildete.
Selene respondeu com a voz mais calma que conseguiu fingir: — Tô! Tô trocando de roupa!
Ela se encostou na porta, espiando pela fresta. Lá fora, passos e risadas. Dentro do quarto, o som da respiração de Adon, muito próximo.
Até que ela sentiu. Algo quente tocou seu ombro. O hálito dele.
— Você está mesmo trocando de roupa, como disse a ela? — ele sussurrou, a voz grave, com aquele tom que fazia o corpo dela trair o bom senso. — Porque... eu gostaria muito de ver.
Selene se virou num sobressalto, os olhos arregalados, a boca aberta para repreendê-lo, mas o sorriso maroto dele a desarmou por completo.
Ela ia responder, quando uma batida mais forte na porta a fez prender o fôlego.
— Selene! — era Katleia. — Aquele carro tá na frente da sua casa de novo!
Selene gelou. Adon arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Acho que você deveria ter cuidado com aquele gigolô de dois metros — Katleia continuou, com aquele tom zombeteiro que só ela tinha. — Aposto que ele tá tentando te extorquir agora que você tá caidinha por ele!
Selene encostou a testa na madeira, vermelha de vergonha. — Kat... esquece isso, por favor...
— Tá bom... — Katleia murmurou, rindo.
Por trás dela, Adon ficou em silêncio por um instante e depois soltou um som entre riso e resmungo. — Gigolô... — murmurou, cruzando os braços, indignado. — Dois metros, tudo bem. Mas gigolô?
Selene tapou a boca com a mão, tentando não rir, mas o ombro tremia. Ele percebeu.
— Você tá rindo? — ele perguntou, ofendido, mas com o canto dos lábios curvando num sorriso.
— Eu não... juro, mesmo que você nem tem motivo pra se magoar, né? — ela sussurrou, entre risos sufocados. — Enfim... eu não tô rindo!
— Tô vendo. — ele respondeu, chegando mais perto, o olhar intenso de aborrecimento. — Tô vendo perfeitamente.
Selene engoliu seco, o coração acelerado, desviando o olhar. Do outro lado da porta, as amigas ainda conversavam, mas dentro do quarto o silêncio era outro. Seus olhares estavam fixos um no outro — sem respostas, sem perguntas, só a tensão e a confusão do momento.
— Tudo bem... vamos esperar enquanto elas vão embora... eu não quero que elas te vejam. — ela o empurrou sem agressividade, a mão em seu tórax.
Ele apenas se sentou, de péssimo humor, mantendo os braços cruzados enquanto a observava, bufando várias vezes.
Selene ainda tentava recuperar o fôlego quando ouviu os passos apressados subindo a escada.
— Selene, termina de se arrumar, temos algo pra te mostrar. Logo estamos subindo. — avisou Katleia.
— Droga... — sussurrou, espiando pela brecha da porta. — Elas não vão dar trégua.
Adon arqueou uma sobrancelha, ainda sem camisa. — “Elas”? — perguntou, curioso, com aquele tom rouco que parecia sempre zombar dela.
— Minhas amigas — respondeu, aflita, puxando o braço dele. — Rápido, vem comigo, se te virem aqui eu tô morta!
Ele deixou-se guiar, divertido, enquanto ela o arrastava pelo quarto, segurando sua mão. Selene abriu o guarda-roupa com a mão trêmula e apontou.
— Entra.
Ela se virou de costas para o guarda-roupa, os olhos arregalados e o rosto em fogo. — Eu? Apaixonada por você? — murmurou com raiva contida. — Eu sou como você, Adon. Não me apaixono, ainda mais por você. Só que, diferente de você, eu não uso as pessoas.
Silêncio. Do outro lado da madeira, o som de uma respiração lenta, profunda. Até que ele respondeu, com voz mais baixa:
— Não? Então por que sua voz treme quando fala comigo?
Antes que ela pudesse reagir, Katleia bateu na porta.
— Selene, aquele carro ainda tá na frente de casa! Aposto que é o do gigolô de dois metros, viu? Cuidado pra não acabar bancando a trouxa! Eu vi o amigo rico dele lá, supostamente esse homem deve ser um stalker maluco, fiquei até com medo de sair!
Selene encostou a testa na porta, o rosto queimando de vergonha. De dentro do guarda-roupa, Adon conteve uma risada abafada.
— Gigolô, é? — ele sussurrou, divertido. — Acho que acabei de ganhar um novo apelido, já que essa é a segunda vez que ela me chama assim.
Ela fechou os olhos, mortificada. — Eu te odeio, Adon.
— Não odeia, freirinha... — o tom dele se tornou quase um murmúrio contra o silêncio da casa. — Se odiasse, não me esconderia no seu quarto.
A voz das amigas foi se afastando, os passos diminuindo pela escada. Selene esperou mais um minuto, respirando fundo, antes de abrir a porta.
Adon saiu do guarda-roupa, e o perfume dele invadiu o quarto como se marcasse território. Ele ajeitou o punho da calça e a observou em silêncio, o olhar quente e divertido.
— Você pode negar, mas sua própria amiga acabou te entregando. O que você sente? — murmurou, chegando perto.
Ela estava com as mãos apoiadas na porta, forçando o olho para ver através da brecha estreita. — Cala a boca e sai daqui — ela respondeu, mas a voz saiu fraca.
O coração ficou descompassado quando sentiu a mão dele apoiar-se acima dela. Ela se virou por instinto, os olhos arregalados.
Ele sorriu, encostando os dedos sob o queixo dela, fazendo-a olhar para ele, aproximando seu rosto do dela como se fosse beijá-la.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!