Cap.92
Ela virou o celular para ele, exibindo a mensagem de alguém como um troféu. Eu só consegui sair do carro, batendo o pé no chão com uma força que vinha da raiva mais pura. Não era só ciúmes. Era o desprezo por aquela encenação barata, por saber que, na teia de poder dele, eu era a mais fácil de ser removida.
A voz de Adon cortou o ar, e o frio que emanou dele era físico. Eu ainda consegui ouvir antes de me afastar:
— Se você encostar mais uma vez na Selene assim, você vai se arrepender, Guilhermina.
Mima empalideceu, mas a máscara de doçura vacilou apenas por um segundo, e eu fiquei sem reação por ele ter tido alguma reação, me defendendo.
— Não se preocupe, somos melhores amigas. Ela não liga. Não sabe que as melhores relações são as mais ácidas?
Ele se virou para ela, e o sorriso que surgiu em seus lábios não tinha um pingo de humor. Era perverso e desconcertante.
— Você é quem controla minha vida? Acha que, porque tem o apoio de um certo todo-poderoso, vai conseguir o que quer? — Ele inclinou-se um pouco. — Além disso… tenho umas suspeitas sobre você. Se estiverem corretas, não me culpe se eu agir de forma… impulsiva.
O ar entre eles ficou carregado. Mima engoliu seco.
— Adon… do que está falando? Você sabe o quanto você significa para mim.
— Sim, sim… — Ele deu de ombros, como se estivesse dispensando uma mosca.
E então, ele partiu. Deixou-me na calçada, com o gosto amargo da impotência na boca. Eu não briguei. Não gritei.
Qualquer reação minha só alimentaria o fogo que Mima tanto queria ver arder. Para ela, qualquer emoção que eu demonstrasse seria uma vitória.
A verdadeira dor, eu carregaria sozinha, em silêncio — o preço absurdo de sentir algo por um homem como Adon.
Mais tarde
As fotos anônimas chegavam como picadas de alfinete no celular. Não sei quem estava me enviando.
Mima, radiante, em uma loja que parecia saída de um conto de fadas, cercada por sedas e caixas de joias. Adon ao fundo, uma figura imponente e distante, mas presente. Pagando.
Uma facada no peito.
À tarde, foi a vez da Rose. Outra enxurrada de imagens. Vestidos que custavam mais que minha vida inteira. O sorriso vitorioso dela.
Parece que Adon estava tendo uma tarde incrível com outras mulheres.
— É claro que ele sairia com todas elas e as levaria a lugares que não me levaria… — sussurrei para as paredes vazias do meu quarto, o sorriso nos meus lábios um gesto vazio de autopiedade.
A mensagem dele chegou como um choque elétrico: “Vou te buscar. Se prepare.”
O coração deu um salto contraditório. Apesar da dor, da humilhação, do conhecimento nítido de que eu era apenas mais um capricho em sua agenda… eu iria.
Finalmente, ele se virou. E o que vi em seus olhos me tirou o fôlego. Não era indiferença. Era ansiedade. Uma expectativa genuína, quase febril, que ele não conseguia disfarçar. Era tão diferente da postura entediada que teve com Mima e Rose, que parecia outro homem.
— Quero escolher algumas coisas junto com você — disse ele, e a voz tinha uma suavidade que raramente eu ouvia. Era áspera por natureza, mas naquele momento, era um convite. — Vamos?
Ele saiu do carro e veio até o meu lado, abrindo a porta. Sua mão se estendeu, e, quando a peguei, o toque não foi possessivo, mas… conduzente. Protetor. Ele me guiou para dentro.
— Esta é uma das melhores boutiques desta cidade — explicou, baixinho, como se compartilhasse um segredo.
— Por que você me trouxe aqui, Adon? — perguntei, ainda perdida.
Ele parou e se virou totalmente para mim, bloqueando minha visão de tudo, menos dele.
— Porque você terá que ser a mulher mais linda de todas naquela festa.
A declaração me atravessou. Minha boca ficou seca.
Ele então pegou minha mão novamente e, com uma determinação suave, me levou para o centro da loja. Ao fazê-lo, fez um breve, quase imperceptível aceno de cabeça para a gerente, uma mulher de vestido impecável que observava tudo com olhos profissionais.
— Escolha tudo o que quiser, Selene — ele disse, alto o suficiente para as vendedoras ouvirem. E então, num sussurro que só eu pude captar, inclinou-se: — Eu te disse. Tenho muitos amigos. Eles me devem favores.
Não sei como ele poderia conseguir esses favores e poder gastar até mesmo milhões se fosse preciso ou se ele quisesse. A cada dia que passa, tento entender Adon e suas ligações. Às vezes… sinto que deveria olhar com mais atenção e descobrir o que está acontecendo de verdade, mas o jeito dele de evitar perguntas, ou parecer que não gosta delas, me deixa insegura, já que até mesmo já o vi sendo capaz de matar pessoas. Talvez as pessoas tenham medo dele.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!