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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

STELLA HARPER

Eu deveria ter aprendido a sussurrar.

Ou melhor, a calar a boca de vez. Mas às vezes a frustração escapava antes que eu conseguisse engolir.

— Você me chamou de robô?

Congelou tudo em mim. Músculos, garganta, respiração.

Meu estômago virou um nó. Cada célula do meu corpo parecia gritar para que eu fugisse, mas tudo o que consegui fazer foi me virar devagar, como se pudesse adiar o inevitável.

— E-eu… não, senhor. Claro que não. — tentei sorrir. A tentativa morreu no meio do caminho. — Eu estava falando de… de outra coisa. Uma impressora. Antiga. Da sala de arquivos. Ela vive travando, faz uns barulhos horríveis… Parece um robô velho. Foi isso.

Ficou um silêncio.

Damian Winter era o mestre do silêncio. Mestre em olhar sem expressão, sem raiva visível, mas ainda assim conseguir me fazer sentir como se eu estivesse sendo julgada por um tribunal inteiro.

Ele não respondeu. Só me encarou com aqueles olhos de vidro, frios, claros e impossíveis de decifrar. Como se estivesse vasculhando minha alma, esperando o menor sinal de tremor para me destruir.

Odiava aquele olhar. Odiava como ele me fazia sentir... pequena.

— Entendo. — ele disse por fim. Andou até sua mesa como se nada tivesse acontecido. — Eu tinha acabado de entrar, então compreendi errado. Bom saber que está preocupada com a manutenção dos equipamentos. Avise o setor de TI para providenciar a substituição.

A forma como ele falou me fez tremer mais do que se tivesse gritado comigo. A falta de qualquer traço de emoção me fazia temer uma vingança mais tarde.

Damian era um homem que não se podia decifrar, talvez, porque ele mesmo já tivesse apagado qualquer humanidade em nome da eficiência.

Ajeitei a saia e me levantei, pronta para sair da sala e esquecer aquele momento vergonhoso.

Já estava com a mão na maçaneta quando ouvi sua voz novamente.

— Stella.

Parei. Fechei os olhos por um instante e inspirei.

— Sim, senhor?

— Prepare-se para viajar. Amanhã. Vou para a Suíça, e quero você comigo.

Virei lentamente. Franzi as sobrancelhas, surpresa.

— Eu… me desculpe, pensei que só o senhor fosse. Não houve essa inclusão no sistema do RH...

— Foi uma decisão de última hora. — sua voz não deixava espaço para argumentação. — E prefiro ter alguém que saiba ler entrelinhas nos contratos, em vez de bajuladores que mal sabem diferenciar um orçamento de um relatório anual.

Fiquei em silêncio por alguns segundos antes de assentir.

— Entendido, senhor Winter.

Ele não respondeu. Só voltou os olhos para a tela do computador, como se eu já não estivesse mais ali.

[...]

A viagem para Zurique era longa, e o silêncio dele era uma constante. Dessa forma eu também me sentia desconfortável em falar e incomodá-lo, então permaneci quieta.

Sentei ao lado dele com o tablet em mãos, tentando manter a concentração nos contratos. Já era a terceira vez que revisava os mesmos documentos, mas não conseguia parar. Parte por responsabilidade, outra parte porque, sinceramente, não sabia o que fazer com minhas mãos tendo meu chefe tão perto.

— Sabe, Stella... — ele começou, me tirando de pensamentos. — você deveria aprender a relaxar um pouco. Passar horas grudada nesses contratos não é exatamente o melhor remédio contra o estresse.

Ergui os olhos brevemente, só o suficiente para encará-lo. Eu ouvi direito? Será que é uma pegadinha? Ele é a última pessoa que eu esperaria dizer que preciso relaxar. Olhei para a sua mão e notei que segurava um copo de uísque. Não sei quantos já bebeu, mas acho que já estava no estágio "alegrinho". Quase sorri ao pensar nisso.

Voltei a olhar para a tela do tablet antes que minha expressão entregasse mais do que deveria.

— Trabalho é trabalho, senhor Winter. — respondi.

— Então me diga, Stella — continuou, com aquele tom quase entediado — qual é o seu jeito de relaxar? Um bom livro? Uma taça de vinho? Ou talvez uma noite quente?

Minhas mãos se moveram mais rápido na tela, embora meus olhos não estivessem mais absorvendo nada. Aquilo só podia ser provocação. Tento pensar em outra coisa para acalmar minhas bochechas quentes.

— Eu prefiro manter o foco no que importa, senhor.

— Interessante... — vejo pelo canto do olho ele tomar um gole da bebida. — No meu caso, sexo sempre me relaxa.

2 - Essa boquinha bonita conta muitas mentiras 1

2 - Essa boquinha bonita conta muitas mentiras 2

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