O semblante de Okan endurece, e ele toma o uísque em um gole só, como se quisesse dissolver algo dentro de si.
—Com você? —Ele diz demonstrando surpresa novamente. Seus olhos estreitados se voltam para mim e depois para ele novamente.
—Sim, ficamos ensaiando hoje à tarde.
Kayra aproveita o momento para segurar meu braço.
— Dá uma licencinha, meu irmão. Vou levar Emily para apresentar aos tios.
— Com sua licença. — Digo com uma leve mesura antes de me afastar com Kayra.
Antes que nos distanciemos, lanço um último olhar para Okan e capto algo nos olhos dele — um brilho maquiavélico que me arrepia.
— Amiga, o que foi aquilo? — Kayra pergunta entre risos, enquanto caminhamos. — Você nem parecia a garota insegura de hoje à tarde, quando falamos sobre você tocar piano.
Dou de ombros, sorrindo.
— É verdade, eu estava insegura. Mas tocar piano é como andar de bicicleta. Assim que toquei aquelas teclas, foi como acessar um arquivo antigo na minha memória e recuperar tudo o que aprendi.
— Realmente. Você tocou superbem hoje à tarde. Meu pai vai adorar te ouvir. E, por falar nisso, sabia que o Okan também toca muito bem?
— Acredito. — Respondo, tentando parecer indiferente, mas algo no meu tom me denuncia.
Sorrio para minha amiga. Nossa amizade nunca passou dos portões da universidade, mas ela é real e tangível, uma ligação forte. Sei que Kayra gosta de mim de verdade e por isso não me arrependo de estar aqui. E nenhum irmãozinho preconceituoso destruirá isso.
Sinto o preconceito na pele quando Kayra inocentemente se aproxima comigo do casal de meia-idade. O homem me estuda com os olhos duros e a mulher me olha com um aperto de lábios.
—Tio, tia essa é Emily. Ela estuda comigo administração. Emily, esses são Osman Krishnan, irmão de meu pai e Samia Krishnan.
Eles não dizem nada apenas acenam com a cabeça para mim. O pai de Kayra, o senhor Ibraim Mustafá Krishnan, fala algo no ouvido do senhor, como se se desculpasse pela minha presença na festa. Isso me incomoda.
—O jantar está servido. — Uma empregada anuncia com uma leve mesura na sala.
O senhor Krishnan imediatamente os afasta da minha presença. Kayra olha para mim sem graça.
Todos olham para ele.
—Quero agradecer a Allah pela abençoada família que tenho e pela presença do meu irmão e sua família. Hoje eles estão muito felizes, como eu, Ayla foi prometida em casamento. Seu noivado se dará no próximo mês. Todos sabem que também, alimento há muito tempo, alimento esse sonho. De ver meu filho casado com uma mulher que manterá nossos costumes e o fará feliz. Espero também que isso se cumpra em nossa família. Eu proponho um brinde. Ao casamento bem-sucedido.
Meus olhos se movimentam até parar em Okan. Nossos olhos se encontram com tal intensidade que ele segura os meus.
— Agora passo a palavra para meu filho Okan. Ah, o velhinho danadinho fala inglês. Filho, ore em agradecimento por esse maravilhoso momento.
Okan quando ouve o pedido do pai, parece voltar com tudo para a realidade pois acaba batendo sua mão em seu copo que quase vira na mesa, mas chega a derramar partes de seu conteúdo.
O líquido amarelo do suco de laranja mancha a imaculada toalha de linho branca. Ayla se levanta assustada quando ele começa a escorrer indo em direção ao seu vestido.
Aperto meus lábios para não rir.
—Hum, perdoe-me. —Okan pega um guardanapo e dá para ela. E com outro ele coloca sobre o líquido que ainda fazia seu percurso em direção ao seu colo.
—Que foi isso meu filho? A emoção te deixou desajeitado?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...