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Romance Proibido romance Capítulo 33

O celular toca, interrompendo meus pensamentos. Atendo, é mamãe. Após desejarmos um feliz ano-novo, começamos a conversar:

— Que boa filha que você ficou. Nós também estamos presos aqui.

Eu suspiro, observando a neve caindo do outro lado da janela.

— Não venha, mamãe. — Minha voz é calma, mas carregada de preocupação. O mundo lá fora está todo embranquecido, os flocos de neve dançam no ar. — Está nevando muito.

— E você e Kayra? Como estão indo? Ela é tão legal quanto sempre pareceu?

Engulo em seco. Kayra não é o problema aqui.

— Ela é ótima, muito receptiva. — Respondo, tentando desviar do assunto.

— E a família dela? Te aceitaram bem?

— Sim, muito bem. — Digo, mudando rapidamente o rumo da conversa. — E tia Olga?

— Ela está aqui do meu lado. Vou passar o telefone para ela. Depois seu pai quer falar com você também.

Falo com minha tia, suas palavras afetuosas me enchem de saudade. Me faz pensar que talvez eu devesse ter ido com meus pais. Papai, por sua vez, não se alonga. Ele não gosta de falar ao telefone, mas não deixa de me desejar um feliz ano-novo e perguntar se estou bem.

Depois de desligar, ao colocar o celular no criado-mudo, ele toca novamente. A imagem de Carol aparece. Atendo sorrindo.

— E aí? — Ela começa animada.

— E aí digo eu! Vocês não estão acampadas com esse tempo horrível, ou estão?

— Estamos! A nevasca ainda não chegou aqui. Estamos a 58 milhas daí, então não se preocupe.

— Mas vocês sabem que o vento pode mudar, né? E a nevasca pode ir para onde vocês estão.

— Sim, "voz da razão", sabemos. Se isso acontecer, ficaremos em um hotel. Já combinamos tudo. — Ela ri. — E você? Está gostando de passar os dias com Kayra, a estranha?

Rio ao lembrar do apelido que elas deram a Kayra na festa, mas repreendo Carol:

— Ela é muito amável, faz de tudo para que eu me sinta bem aqui. Pare de chamá-la assim, é só diferente por causa dos costumes.

— E o irmão dela? O "possessivo" que ela tanto teme?

Meu coração salta, mas minha voz sai firme:

— Sim, conheci. Mas não quero falar sobre ele.

— Hum, então ele deve ser tão esquisito quanto ela.

— Peça ao Frank para cortar mais lenha.

— Sim, senhor Krishnan. — Ela responde, seguindo para os quartos.

— Deus, estou morrendo de fome. Esse almoço não sai nunca! Emily, venha comigo. Vamos agilizar as coisas na cozinha. — Kayra diz, puxando-me do sofá.

Estar nessa casa é como enfrentar o inevitável. A todo momento, cruzo com Okan. Seja nas refeições, nos momentos de lazer ou, como agora, assistindo ao noticiário. Nada nunca me prepara para essas situações. Estar sob o mesmo teto que ele, respirando o mesmo ar, desestabiliza minha alma. Cada vez que nossos olhares se encontram, algo mais profundo e poderoso que palavras acontece.

No almoço, isso se repete. Sentada à mesa com todos, tento manter o semblante calmo e passivo. Por dentro, estou em frangalhos, tão tensa que meus ombros chegam a doer pelo esforço de encenar uma tranquilidade que não sinto.

Depois da refeição, todos decidimos tirar um cochilo. A manhã havia sido impiedosa, expulsando-nos das camas pelo frio cortante. Agora, com os aquecedores em alta, o calor nos convida ao aconchego dos quartos.

Mas relaxar é impossível. Meu coração dispara enquanto encaro a porta, temendo que Okan possa surgir a qualquer momento com aquele seu jeito autoritário. Mas ele não aparece. O tempo passa, o silêncio do quarto me acalma, e meus olhos começam a pesar até que adormeço.

Acordo devagar, piscando lentamente. O rádio-relógio marca 16h, e a luz ainda ilumina o quarto. Espreguiço-me, afastando as cobertas, e levanto sem pressa. Vou ao banheiro, penteio os cabelos e lavo o rosto. Passo uma maquiagem leve, o suficiente para suavizar meu semblante e afastar qualquer traço de cansaço.

Vou até a janela com a esperança de que o tempo tenha melhorado. Ao afastar as cortinas, porém, meu coração desanima.

Deus! A neve está ainda mais alta, caindo pesada lá fora.

Minha atenção é capturada por duas figuras no jardim. Reconheço Okan em um casaco grosso, o capuz cobrindo sua cabeça. Ao lado dele, está um homem de meia-idade, carregando um carrinho enquanto Okan manuseia uma pá. Eles espalham sal grosso ao redor da casa e nos caminhos que levam aos carros, lutando contra o gelo acumulado.

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