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Romance Proibido romance Capítulo 32

Quando eles nos veem, ambos se ajeitam. Ômer sorri calorosamente para nós, mas os olhos negros de Okan se cravam em mim com uma intensidade que me desarma. Meu corpo inteiro se arrepia, e um espasmo percorre meu abdômen quando o olhar dele desce pelo meu corpo sem qualquer disfarce.

— Bem, vamos lá! Quem começa? — Kayra pergunta, tentando quebrar o momento.

— Podem começar vocês. — Okan diz, estendendo a raquete para mim. Seus olhos permanecem fixos nos meus, carregados de algo que não consigo nomear. Respiro fundo, estufo o peito e aceito a raquete.

Antes que eu possa me afastar, ele segura meu braço com delicadeza, me puxando para perto. Seus olhos, enigmáticos, me estudam enquanto ele explica calmamente:

— A bola só é considerada fora se bater acima das linhas das paredes laterais. Cada jogada precisa tocar a parede frontal. Pode fazer tabela com as laterais ou o vidro de fundo, mas só pode quicar no chão uma vez. O objetivo é dificultar a vida do adversário, variando as jogadas para ganhar pontos.

Sua voz firme e baixa me faz sentir um calor subir pelo rosto.

— Alguma dúvida? — Ele pergunta, seus olhos perfurando os meus.

— Não. — Respondo quase em um sussurro.

— Podemos começar? — Kayra interrompe, impaciente.

Okan solta meu braço, mas seu olhar se mantém em mim por um momento antes de se dirigir a ela:

— Podemos.

O jogo começa.

No início, meus movimentos são desajeitados. A raquete parece pesada, e rebater a bola no tempo certo é um desafio. Mas aos poucos vou pegando o jeito. Apesar disso, não consigo me concentrar completamente. A proximidade de Okan me deixa em um estado de nervosismo constante. Seus olhares, sua presença, até mesmo seu perfume másculo criam um caos dentro de mim.

Quando ele sorri, vitorioso, ao ver nossos adversários errarem, sinto meu coração pular. Seus sorrisos têm um charme devastador, e me pego retribuindo-os com lábios trêmulos, desejando desesperadamente sentir os dele.

Cada vez que ele se aproxima para corrigir um movimento ou me encorajar, meu coração dispara, e o calor que sinto não tem nada a ver com o esforço físico. Okan é um ótimo parceiro, cobrindo meus erros e incentivando-me de forma paciente, o que faz com que nossa dupla perca por muito pouco. Apenas dois pontos nos separam da vitória.

Depois de vinte minutos jogando, meu corpo está exausto, mas minha mente está um turbilhão. É então que Ômer rebate uma bola lançada por Okan com força excessiva. A bola vem em minha direção como um míssil. Sem tempo para reagir, desvio bruscamente para evitar o impacto, mas perco o equilíbrio e vou direto contra o corpo firme de Okan, que tenta pegar a bola por mim.

Sinto suas mãos fortes segurarem meu braço antes que eu caia no chão. Meu corpo congela, e nossos olhares se encontram. Os olhos de Okan, quentes como um deserto abrasador, me prendem de forma inescapável. Sua respiração pesada acaricia meu rosto, e por um momento, parece que o mundo ao nosso redor desaparece.

— E aí vocês dois! Vamos voltar ao jogo e assistir a gente vencer! — Ômer brinca, rindo.

Me afasto de Okan rapidamente, tentando esconder o quanto estou abalada. Mas ao olhar para Kayra, percebo seus olhos afiados sobre nós, claramente desconfiados.

Deus! Imagine se ela soubesse do resto.

Volto para a minha posição com o semblante sério, tentando recuperar o foco. Jogamos mais dez minutos.

— Eu cansei! — Digo, ofegante, quando pela terceira vez seguida erro a bola, forçando Okan a cobrir mais um dos meus deslizes.

Okan também está ofegante. Ele dobra o corpo para frente, apoiando as mãos nos joelhos, enquanto um sorriso relaxado ilumina seu rosto suado. Seus cabelos, agora despenteados, só aumentam sua aura de sensualidade.

Deus, ele é de tirar o fôlego.

— Hum, uma garota que sabe perder. — Ele provoca, ainda sorrindo.

Meu coração dispara, e, sem pensar, respondo:

— Isso depende do que perdemos.

Seus olhos se intensificam, fixando-se nos meus. Um arrepio percorre minha espinha quando ele lambe os lábios, e o calor que me invade é quase insuportável. Ele é estonteante, e eu deveria saber melhor.

— Aí, parceiro, vencemos! — A voz de Kayra corta o momento.

Desvio o olhar para ela e Ômer, que erguem os braços e batem as mãos em um gesto de celebração. A energia deles é contagiante, e acabo sorrindo.

Okan se aproxima de mim, e sua presença parece crescer até me cercar completamente. Ele para tão perto que sinto o calor de seu corpo irradiando em ondas.

— Até que não perdemos de muito. — Ele comenta, amenizando nossa derrota com um tom descontraído.

Sua consideração me toca de um jeito inesperado, e não consigo evitar um leve sorriso.

— Você pegou quase todas as bolas, por isso não perdemos de lavada.

As imagens de Okan tocando piano surgem na minha mente como um filme que se recusa a parar. Ele era pura paixão naquele momento, e algo dentro de mim se conectou àquela intensidade. Desde então, essa conexão só cresceu. Não é só a beleza dele que me atrai, mas sua autenticidade, seu amor pela família e a forma como vive sua vida sem máscaras. Ele é desarmadoramente verdadeiro, e isso é o que mais me cativa.

Com um suspiro, pego o controle remoto e aumento a temperatura do quarto. Preciso de um banho para esfriar a cabeça e organizar meus pensamentos.

Antes de me dirigir ao banheiro, reparo no meu celular piscando em cima do criado-mudo. Um sorriso me escapa ao ver mensagens da minha mãe e das minhas amigas, além de algumas chamadas perdidas.

Abro a mensagem da minha mãe. É um “bom dia” caloroso acompanhado de uma foto dela com meu pai perto da lareira da casa da tia Olga. Outra foto mostra as duas no sofá, sorrindo. Ela termina a mensagem perguntando preocupada se me arrisquei a voltar para casa.

Respondo:

Bom dia, não fui. Ficarei aqui na casa da Kayra também.😍😍😍😍

Tiro uma selfie com um sorriso e envio para ela.

A próxima mensagem é das “malucas”. Elas tiraram uma selfie juntas, com um fundo espetacular: um campo coberto de neve, pinheiros altos ao longe quebrando a brancura do cenário. Uma fogueira acesa e uma chaleira sobre a grelha completam a paisagem aconchegante.

Escreveram uma mensagem longa, cheia de carinho:

Você poderia estar aqui conosco, em harmonia com a natureza. Sentimos sua falta. Sem você, fica chato.

Meu sorriso se alarga, mas há uma pontada de saudade. Elas sempre sabem como aquecer meu coração, mesmo à distância.

Eu sorrio e escrevo.

Bom dia, malucas! No verão acampamos. Quem sabe na praia? Ou no campo com um lindo lago de pano de fundo com águas cristalinas? E essa foto? Não é a atual, né? Vocês estão ainda aí?😶😶😶

Tiro uma selfie com um sorriso que tenta transmitir leveza, mas meus olhos não conseguem esconder completamente o turbilhão de sentimentos. Atrás de mim, a imagem da cama aconchegante e quentinha do quarto, um pequeno refúgio que deveria me trazer paz. Mando a foto para as malucas, sem mencionar nada sobre Okan.

Ainda não me sinto pronta para falar sobre ele, nem mesmo para elas. O que eu diria? Como explicar esse enigma de homem que parece invadir minha mente sem esforço? Talvez, pessoalmente, eu conte essa história maluca. Mas, sinceramente, não sei.

A verdade é que nem eu mesma consigo entender completamente o que está acontecendo. Parte de mim quer compartilhar, buscar conselhos, ouvir risadas e teorias conspiratórias delas. Outra parte quer guardar tudo para mim, como se ao verbalizar, eu estivesse admitindo algo que prefiro evitar.

Ainda indecisa, suspiro e deixo o celular de lado. As mensagens delas sempre aquecem meu coração, mas Okan ocupa tanto espaço na minha mente agora que é difícil pensar em qualquer outra coisa.

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