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Romance Proibido romance Capítulo 56

Emily

Um mês sem Okan. Tenho me esforçado para encarar tudo de forma melhor. Talvez eu simplesmente esteja exausta de sentir pena de mim mesma. Entendi que posso sobreviver sem ele, embora o vazio deixado por sua ausência pareça ter criado raízes profundas dentro de mim. Tornei-me forte o suficiente para suportá-lo, mas ele ainda está lá, constante, como uma sombra que me acompanha.

Tenho preenchido meu tempo com o trabalho e a universidade, tentando sufocar as memórias que insistem em emergir. Durante os intervalos, converso com Kayra, mas ela, ultimamente, não tem me feito bem. Sua presença traz à tona lembranças de tudo, como o dia em que ela tocou no assunto: Okan.

A animada Kayra comentou que seu irmão finalmente “tomou jeito”, que está mais presente em casa e vê Sila todo final de semana. Suas palavras foram como um golpe certeiro, desferido diretamente no meu coração. Saber que ele segue em frente, vivendo sua vida sem olhar para trás, enquanto eu atravesso um deserto árido, me derrubou. Reuni, então, uma força minúscula que vem me ajudando a seguir em frente e desconversei, afastando os pensamentos tristes que ameaçavam tomar conta de mim. Mas, ao mesmo tempo, me perguntei: por que ainda sofro por ele?

Durante o dia, sou tudo o que esperam de mim. Mas basta pegar a direção do carro ou entrar no silêncio do meu quarto, e Okan se torna parte do meu mundo novamente. É difícil me convencer de que ele não pertence a ele. Pequenas lágrimas escorrem pelo meu rosto, inevitáveis. Revivo os momentos que tivemos juntos, imaginando o que poderíamos ter sido. Toda vez que isso acontece, luto para não sucumbir à decepção e me forço a trazer pensamentos que me consolam: "Ele não é para mim." Tento acreditar nisso com todas as minhas forças.

Mas não é fácil. É uma batalha constante entre o que quero sentir e o que preciso acreditar. Geralmente, sou vencida pelas imagens dele que invadem minha mente: tocando piano com delicadeza, sorrindo para mim, jogando squash com intensidade. Revivo o calor de seus braços ao redor do meu corpo, a profundidade de seus olhos negros, que às vezes sorriam, às vezes carregavam uma seriedade avassaladora, mas que, em todas as ocasiões, me despiam com desejo.

Ainda amo seu cheiro.

Ele me levou a um lugar que eu não sabia que existia. Mostrou-me sensações e sentimentos que coloriram meu mundo com tons que nunca imaginei. Deus! Como está sendo difícil aceitar que ele não é para mim. Pergunto-me, às vezes, se cometi um erro. Será que deveria ter aceitado o que ele propôs?

Não, não, não! Isso teria sido conveniente demais para ele. Ele estaria comigo, mas teria um estepe caso as coisas não dessem certo.

Hoje acordei me sentindo péssima. O estômago revirado me prendeu à cama. Vomitei até não restar mais nada, e talvez, agora, me sinta um pouco melhor.

Okan

Minha vida nunca foi fácil. Desde cedo, meu pai exerceu sobre mim uma pressão imensa para ser o melhor em tudo. Isso moldou minha praticidade; sempre tomei decisões deixando as emoções de fora, e isso se refletiu não apenas nos negócios, mas em minha vida pessoal. A única afeição que me permiti foi pela minha família. Gostar verdadeiramente de uma mulher era algo que desconhecia.

Emily é jovem, tem uma vida inteira pela frente, enquanto eu... sou um tolo por nutrir esses sentimentos. Ela não é turca, nunca será. E me deixou isso bem claro.

Tenho investido no meu noivado. Vejo Sila todo final de semana. Seus pais sempre estão presentes, o que torna tudo mais fácil. Sila é doce, faz de tudo para me agradar, mas falta algo. Estou incompleto, como se tivesse perdido uma parte de mim.

Allah! Que ironia sentir-me assim. Sempre fui um homem que não permitia ser manipulado. Até a promessa feita ao meu pai foi sincera, sem nenhuma pressão.

Tenho tentado gostar de Sila, mas é difícil. Meu coração resiste. Minha mente começa a sussurrar pensamentos sombrios: "Será que estou cometendo o maior erro da minha vida?"

Por outro lado, uma parte de mim insiste em acreditar que o tempo resolverá tudo. Que as memórias de Emily, seu sorriso, seu cheiro, suas mãos macias, e tudo o que ela trouxe à minha vida, desaparecerão. Então, poderei seguir com Sila, honrar nossos costumes e criar uma família que preservará tudo o que meu pai tanto valorizou.

Passo a mão pelos olhos. Parece tão certo... e tão errado ao mesmo tempo.

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