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Romance Proibido romance Capítulo 63

Ziguezagueando pelo tráfego, fazendo ultrapassagens ousadas pela esquerda e direita, faço de tudo para chegar rápido em casa. Cada segundo parece uma eternidade.

Assim que entro no hall, o burburinho de vozes chega até meus ouvidos. A temeridade se instala em meu peito. Avanço com cautela e, ao ver Sila chorando nos ombros de Kayra e meu pai pálido, sentado no sofá, uma onda de desespero me toma. Mentalmente, solto um palavrão em turco. Imediatamente, todos percebem minha presença e me olham, como se esperassem o pior.

— Ah, que bom que está aqui! Queremos ouvir sua versão de tudo o que Sila, sua noiva, nos contou. — Meu pai diz, com as mãos trêmulas e uma expressão abatida.

Sinto meu rosto endurecer ao responder:

— Ex-noiva. Terminamos.

O choro de Sila ecoa alto pela sala, e meu pai estreita os olhos, tentando entender.

— Então é verdade? — ele pergunta, com uma voz que mal sai.

— Emily? — Kayra me encara, confusa e em choque. — Você se envolveu com ela?

— Sim, ele me disse esse nome. — Sila, entre lágrimas, confirma.

Ver Sila dessa maneira não me toca, ao contrário, me enoja.

Allah! Como eu errei! Como fui um idiota arrogante, me recusando a aceitar que realmente estava apaixonado por Emily.

— É ela mesma? Você se envolveu com a minha amiga, debaixo dos nossos narizes? — Kayra pergunta, a voz embargada pela dor.

— Sim, me envolvi com Emily. Mas ela não sabia do noivado. — Respondo, sentindo o peso de cada palavra.

— Então é verdade o que Sila nos contou? — Meu pai me pergunta, com a voz fraca e a mão no peito, claramente abalado.

Assinto, e me aproximo dele, preocupado com sua saúde tão frágil. Sinto-me culpado por causar tamanha agitação nele. Ajoelho-me à sua frente, tocando a testa aos seus joelhos.

— Perdoe-me, baba. Perdoe-me. — Digo, com a voz trêmula de arrependimento.

— Você não só traiu Sila, você traiu a todos nós. Você e aquela garota inconsequente. — Ele diz, a voz carregada de raiva.

Eu ergo a cabeça, transtornado, e falo com mais firmeza:

— Ela não tem culpa de nada. Eu a atormentei aqui nesta casa. Fiquei atrás dela até conseguir o que queria. Eu a assediei o tempo todo, roubei a chave do quarto dela, eu a infernizei. Eu sou culpado por tudo isso.

Meu pai aperta os lábios, os olhos fixos em mim.

— Tudo isso por causa de bom sexo?

Eu solto um suspiro pesado, quase um grito de angústia.

— Eu achava que era só isso que me atraía nela... mas, no fundo, era mais do que isso.

Meu pai corta minhas palavras abruptamente:

— Você nos desonrou nesta casa. Allah! Nos fazendo de bobos. Jamais esperaria isso de você, Okan.

— Sim, pai. Fiz isso. A culpa é toda minha. Emily não tem culpa de nada, ela é tão jovem.

— Allah! Coloquei a tentação dentro da minha casa. Errei ao permitir que ela frequentasse aqui. Como uma cobra astuta, ela te seduziu. Enfeitiçou. — Ele continua, como se eu tivesse falado sobre o tempo, imerso em sua dor.

— Pai... — Tento intervir, mas ele me corta de novo.

— Sila me disse que te perdoará. Esqueça Emily. A cultura desse povo é assim mesmo. Elas não se valorizam e se entregam para qualquer um.

Me levanto, a voz firme.

— Já disse que Emily não é assim, e não haverá casamento.

Eu percebo que ainda estou com a aliança no dedo, e a retiro lentamente, depositando-a na mesinha de centro da sala. O som do metal atingindo a madeira ressoa forte no silêncio.

Sila chora mais alto no sofá, e meu pai ofega, visivelmente preocupado. Vejo o medo em seus olhos.

— Você se casará com Sila. O que sente por Emily é passageiro. Ela não é mulher para você! — Ele diz, a voz falha de tanto ressentimento.

Eu o encaro, decidido.

— Não é passageiro. Se fosse, eu a teria esquecido. Eu me apaixonei por Emily. Ela é a mulher que quero ao meu lado.

Sila, então, solta uma exclamação exasperada e se levanta do sofá, furiosa.

— Já ouvi muito por hoje. Você é um demônio em forma de gente. Seu... seu... monte de merda! — Ela grita, antes de sair apressada da sala.

"Já vai tarde", penso, vendo Kayra correr atrás dela.

— Okan, você remará contra a minha vontade? — Meu pai pergunta, a voz falhando.

— Baba, independentemente de gostar de Emily, não haverá casamento. Eu não amo Sila. Isso é um fato.

Meu pai me olha, a esperança ainda refletida em seus olhos.

— Eu te arrumo outra mulher do nosso povo.

Meneio a cabeça, com firmeza.

— Não, baba. Quero ser livre para fazer minhas escolhas. Allah! Tenho trinta e cinco anos, e não dezessete, como quando te fiz essa promessa. Acho que o senhor se aproveitou do fato de eu ser jovem demais para entender a seriedade do que estava fazendo.

— Que desgraça na minha casa, Allah! — Meu pai exclama, com as mãos levantadas, como se implorasse por uma resposta.

Eu me agacho, encarando-o de perto.

— Baba, por muito tempo aceitei no meu coração o pedido que me fez. Tentei me adequar a ele, a todo momento. Nunca me envolvi emocionalmente com as mulheres com quem saí. Eram apenas casos de uma noite, justamente para que, no momento certo, eu escolhesse a mulher com os predicados que o senhor tanto valoriza. Mas hoje, entendi que o casamento não tem nada a ver com seguir tradições. Tem a ver com os sentimentos que o coração nos dita. Amar foge da razão.

— Você tem coragem de me confessar que saía com mulheres mundanas? — Meu pai questiona, a dor transbordando em sua voz.

Eu me exaspero.

— Pai, o senhor ouviu o que eu disse? Não me venha com essas falas agora. O senhor sempre soube que eu dei os meus pulos fora.

Meu pai me encara, a angústia estampada em seu rosto.

—Tudo bem, é verdade, mas eu sempre achei que fosse cumprir sua promessa, que na hora do vamos ver, você iria se casar com uma mulher do nosso povo, que eu teria meu desejo satisfeito.

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