—Eu não posso cumprir seu desejo. Por isso te peço, exime-me dessa promessa que te fiz, baba. Sou o teu sangue. Não posso aceitar que o senhor vire as costas para mim nesse momento.
Meu pai passa a mão nos cabelos com raiva.
— Você já falou com essa mulher?
—Não, ainda não, mas independentemente de dar certo com Emily ou não, não quero estar preso a algo que não tenho certeza se realizarei futuramente.
—O que eu posso responder? Se eu disser que não, adianta alguma coisa?
—Sim, pai. Mas eu seria infeliz. Um casamento de olhos fechados para mim não dará certo. Acabaremos em divórcio.
—Então me promete uma coisa. Caso não dê certo com Emily, você ao menos tentará gostar de uma mulher do nosso povo.
Eu respiro fundo.
—Sim, tentarei baba, se não der certo com Emily posso fazer isso. Mas desde que eu escolha a mulher com que irei me casar.
—Tudo bem. Está desobrigado da promessa.
Eu me agacho e beijo sua mão e colo minha testa nela.
—Obrigado, baba.
Fico um tempo assim de joelhos. Então me levanto e dou com Kayra nos observando.
—Sila foi embora, eu pedi para o nosso motorista levá-la.
—Fez bem. —Meu pai diz sua voz sai fraca e eu imediatamente olho para ele.
—Baba, vamos para o quarto descansar. —Digo preocupado.
—Sabe como eu me sinto? Como se tivesse saído de uma batalha que não ganhei.
Não respondo nada. Hoje o dia foi cheio para mim também, eu sinto que participei de uma batalha também, mas saí vitorioso.
Depois de ajudá-lo a se deitar e fechar um pouco as cortinas eu me volto para ele.
—É bom estarmos aqui sozinhos, não quero que sua irmã ouça o que eu irei dizer.
Eu fungo.
—Fale-me então antes que ela entre no quarto.
—Você pode ter prejudicado sua irmã com seu ato. Que família vai querer se unir a ela se Sila contar o que fez?
—Eu sei baba. —Digo cheio de angústia.
—Sabe? E me diz com essa calma? —Meu pai se enfurece.
—Já conversamos sobre isso lá na sala. Eu abri meus sentimentos. Eu estou vegetando baba. Minha cabeça o tempo todo está em Emily. Não posso viver assim, olhando para trás.
Meu pai funga e fecha os olhos, sem dizer nada.
—Baba, quer que eu peça para Kayra ficar aqui com o senhor uns instantes?
—Se ela quiser. —Ele diz de olhos fechados dando de ombros. —Já vi que não apito nada nessa casa.
Eu ignoro suas falas azedas.
—O senhor sabe que ela gosta de ficar com o senhor, pelo menos até o senhor dormir.
Ele não diz nada. Dou um beijo na testa dele.
—Vou pedir para ela ficar.
—Você terá força de opinião com aquela moça?
Solto o ar.
—Com relação aos costumes?
Meu pai assente.
—Sim, claro. Você está achando que perguntei sobre o quê?
—Se ela realmente gostar de mim, acredito que sim. Contudo não a obrigarei a nada. Será tudo na base da conversa. Quando se conversa sobre o assunto é mais fácil conquistar do que com brigas.
Meu pai parece que não gostou muito das minhas palavras como se conversar parecesse fraqueza da minha parte, mas eu acredito que é ao contrário, isso demonstrará a minha força, pois usarei de bons argumentos. Imposição não leva a nada e sim acordos.
—Baba, vou chamar Kayra.
Encontro Kayra andando de um lado para o outro. Parece aflita.
—E papai?
— Pensei. — Minha resposta é firme. — E é por isso que terminei. Para não prolongar ainda mais algo que nunca daria certo.
Kayra suspira profundamente, como se buscasse paciência.
— Só espero que, um dia, você olhe para trás e veja o estrago que causou.
— Kayra... Pensei que gostasse de Emily.
—Ela me traiu!
—Quem traiu a todos fui eu, não ela.
—Ela poderia ter me falado?
—Para quê? Para você julgá-la? A decisão era minha! Por que ela então te contaria se dei continuidade com meu noivado?
Ela aperta os lábios e abaixando a cabeça solta o ar. Eu me aproximo dela.
—Por favor, não seja do contra. Melhore as coisas com o baba, ele já está o suficientemente abalado e decepcionado para você encher a cabeça dele.
—Você acha que sou louca de lutar contra tudo isso? Se ele aceitou, quem sou eu para dizer alguma coisa?
Bato palmas com ironia.
—Bravo! Agora me passe o telefone de Emily, chegando ao hotel vou ligar para ela e marcar para nos vermos.
Pego o meu celular para anotar.
—Você não tem o celular dela?
—Não, eu deixei meu cartão, mas não peguei o celular para não cair em tentação. Mas acredito que do jeito que eu a tratei, ela nem teria me dado.
Ela aperta os lábios.
—Anota aí.
Minhas mãos tremem quando digito o número na minha agenda. Ela se vira e segue em direção ao quarto do nosso pai, e eu a deixo ir. Sei que o tempo será o único capaz de amenizar o que aconteceu hoje.
Saio de casa me sentindo mais leve.
Allah! Obrigado. Digo mentalmente indo até meu quarto trocar de camisa. Um grande peso saiu dos meus ombros, agora é correr atrás do prejuízo, da minha felicidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...