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Romance Proibido romance Capítulo 68

Okan

Os dias passaram arrastados, cada um mais difícil que o outro. Joguei-me no trabalho como um náufrago se agarra a uma tábua, tentando silenciar a dor que grita dentro de mim. Em casa, mantenho um autocontrole meticuloso. Não quero que ninguém saiba o quão profundamente Emily me atingiu com seu desprezo. Não vejo o que aconteceu como um ponto final, mas como uma vírgula. Ela precisa de tempo. É isso, tempo para refletir e, talvez, punir-me pelos erros que cometi.

Conversei com meu pai sobre trabalho e trivialidades, evitando mencionar Emily. Ele também parece evitar o assunto, como se ignorá-lo pudesse apagar meus sentimentos. No fundo, sei que ele ainda espera que eu desista dela, que volte à promessa feita: encontrar uma mulher adequada, que se alinhe às expectativas da nossa cultura.

Já Kayra, minha irmã, virou a cara para mim. Sempre que nos cruzamos, ela se apressa a sair do ambiente, como se minha presença a incomodasse. Imagino que esteja fazendo o mesmo com Emily.

Hoje, sexta-feira, decidi vir para casa mais cedo. A dor de cabeça latejante é insuportável, mas é apenas uma sombra da dor maior que carrego no peito. Estou no meu quarto agora, andando de um lado para o outro como um leão enjaulado.

Emily.

Ela ocupa cada pensamento meu. Vejo-a tocando piano, cantando suavemente. Relembro nossas conversas, as risadas, e até mesmo os momentos breves, mas intensos, que compartilhamos. Essas lembranças me aquecem e me atormentam na mesma medida. Mas o que mais me persegue é aquele olhar de desprezo que ela me lançou no escritório. Allah! É essa memória que está me levando à loucura.

Os dias são um borrão. Funciono como um robô, cumprindo obrigações no automático. Não tenho comido direito, mal consigo dormir, e a saudade dela me corrói. Noites atrás, quase fui até ela — à universidade, ao banco, onde quer que estivesse. Mas me contive. Achei que dar-lhe espaço fosse a melhor estratégia.

Hoje, porém, é diferente. Algo dentro de mim quebrou. Não posso mais esperar.

Pego as chaves do carro com determinação renovada. A sensação de agir é um alívio, mesmo que misturado à incerteza. Não sei como ela irá me receber, mas isso não importa agora. Emily precisa me ouvir, e eu preciso falar.

“Allah,” faço uma prece silenciosa, “ajude-me a consertar isso. Que ela ouça meu coração.”

Caminho até o quarto de Kayra e bato na porta. Ela demora alguns segundos para abrir, e quando me vê, solta o ar como se já soubesse o motivo da visita.

— O que você quer? — pergunta, apertando os lábios em sinal de contrariedade.

— Você tem visto Emily?

Ela arqueia as sobrancelhas, surpresa.

— Não estou entendendo. Você não terminou com Sila para ficar com ela?

— Sim... e não. É complicado.

— Bem, nem adianta me pedir para intermediar nada com ela, mesmo porque, ela não está indo ao curso.

Meu coração se aperta.

— Um dia você mencionou que ela trabalha em um banco. Que banco é esse?

Kayra cruza os braços, o olhar frio.

— Por que você não a esquece? Se ela não quer nada com você, melhor! Papai anda esperançoso de que isso seja fogo de palha, que você finalmente recobre o juízo. Ele me contou sobre sua promessa.

— Uma promessa de me casar com uma turca? — pergunto, ríspido.

Ela assente.

— Sim.

— Meus sentimentos por Emily são profundos, Kayra. Demorei para entender isso.

Ela me olha com descrença, como se eu estivesse falando em outra língua.

— Você sempre criticou mulheres como ela. Sempre pegou no meu pé, e agora isso?

— Posso entrar? Acho que devo algumas explicações. Minha cabeça tem estado um caos, e evitei essa conversa porque não sabia por onde começar.

Ela reluta, mas acaba deixando a porta aberta, como manda o costume, e se senta de frente para mim.

— Kayra, nem sei como dizer isso. É difícil até para mim entender. Os costumes que sempre defendi com tanta veemência, aqueles que nos foram impostos e que eu sempre zelosamente mantive... depois de conhecer Emily, eles não perderam seu valor, mas tornaram-se secundários.

Respiro fundo, buscando palavras.

— O que menos penso agora é nisso. Allah sabe como lutei contra meus sentimentos, depreciando Emily, essa mulher incrível que tanto me atrai. Antes de seduzi-la, mostrei a ela o quanto achava que éramos incompatíveis.

Kayra balança a cabeça, incrédula.

— E mesmo assim ela te quis? Allah!

— Assim como eu, ela viu algo em mim. Sei que esperava mais de mim, uma atitude que eu não tive. Nós éramos muito bons juntos, Kayra. É nisso que aposto todas as minhas fichas.

— Ah, eu imagino no que vocês eram bons. Allah! Foi só um bom sexo, Okan. Por que você não a esquece? Emily é livre demais, faz o que quer, veste o que quer. Como você vai lidar com isso?

Minha voz sai firme, sem hesitar:

Kayra franze a testa, ainda sem entender completamente.

— Ainda não estou entendendo.

Solto o ar com um suspiro pesado. O que vou dizer agora é a última coisa que queria admitir.

— Ela espera um filho meu. Ela está grávida. Ela foi me contar sobre isso.

A reação de Kayra é instantânea.

— Emily grávida? O que você está esperando aqui então? Corre atrás do prejuízo!

Eu sorrio, mas é um sorriso vazio, sem alegria.

— O que você acha que estou fazendo aqui? Preciso saber que banco ela trabalha?

Ela me encara, surpresa.

— Mas eu comentei com você?

— Emily era só um nome para mim, eu não dei importância, não guardei.

Kayra, sem mais perguntas, solta um suspiro e finalmente me dá a resposta que eu buscava.

— Royal, fica na St. Martin's Ln.

Solto o ar com alívio. Uma sensação que me toma por inteiro, como se, de alguma forma, as peças do quebra-cabeça estivessem se encaixando.

— Allah! Na St. Martin's, tão próximo do hotel! Que horas ela sai do trabalho?

— Quatro e meia ou cinco horas. Depende.

Me levanto da cama com uma energia renovada, como se finalmente tivesse encontrado um rumo. Antes de sair do quarto, volto para encará-la uma última vez.

— Não conte nada a papai. Não ainda. Se Allah permitir, eu e Emily, juntos, vamos contar para ele sobre a gravidez.

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