Emily
Esses três dias que se passaram têm sido um tormento. Cada noite, eu me vi rolando na cama, entre pensamentos confusos e lágrimas silenciosas. Quando finalmente consegui adormecer, os pesadelos me assolaram — Okan em sonhos perturbadores, imagens dele que pareciam tatuadas na minha mente. Quando abro os olhos, lá estou eu novamente, pensando nele. O senhor Riley, meu chefe, que é gerente do banco, já notou minha distração e tem reclamado da minha falta de foco. Com medo de ser demitida, acabei contando sobre a minha gravidez.
Não estou indo à faculdade. Não consigo olhar para Kayra agora, acho que ela já sabe de tudo e deve estar com raiva de mim, se sentindo traída, pois não me procurou, não me ligou.
Que idiota eu fui. Okan só queria me usar. Ele deixou isso claro com aquela proposta ridícula, querendo ficar comigo até perder o interesse.
Agora que sua noiva terminou com ele, ele me quer de volta.
Por que eu ficaria com um homem que não me valorizou?
Passo as mãos pelo rosto, tentando controlar as lágrimas, mas elas continuam descendo sem que eu perceba. A dor vem de um lugar profundo, pois a idiota aqui se apaixonou por Okan.
O tempo vai me fazer esquecê-lo, e finalmente ele será indiferente para mim.
De repente, escuto alguém limpar a garganta. Pisco, atordoada, e quando ergo os olhos, vejo um homem de cabelos grisalhos.
— Perdoe-me. O senhor deseja alguma coisa?
— Aqui não é abertura de conta?
Que pergunta idiota.
— Sim. — Respondo, forçando um sorriso amarelo.
— Quero abrir uma conta para a minha neta. Quais documentos eu preciso?
Só então percebo a garotinha ao lado dele.
Deus, ainda bem que o meu horário de saída está chegando. Eu estou completamente distraída, cometendo gafes e me sentindo completamente desorientada.
Depois de atender o cliente, relaxo um pouco, mas meus pensamentos continuam a me consumir.
Justo hoje meu carro não pegou, e depois afogou. Como estava atrasada, meu pai me trouxe ao trabalho. Ficou combinado que eu pegaria um táxi para voltar para casa. Mas Letícia me ligou depois do almoço, convidando-me para ir à sua casa, e seu motorista me levaria de volta. Não recusei a oferta, mas também não a aceitei de imediato. Sei que preciso me distrair, por isso estou cogitando ir. Já avisei meu pai que talvez eu demore.
Okan
Estou dentro do meu carro, o ar quente do motor ligado me aquece um pouco, mas o frio lá fora ainda é cortante. Cada olhar que dou para o relógio só me faz sentir a ansiedade crescer.
Finalmente, são quatro e meia. Saio do carro rapidamente, ajeito meu sobretudo e coloco as luvas negras. Arrumo o cachecol cinza no pescoço e passo pela entrada do banco, me escondendo debaixo de uma grande banca de jornal.
Então, ela sai. Meu coração dispara e, mesmo com as pernas trêmulas, me forço a caminhar até ela.
— Emily.
Ela ofega quando me vê ao lado dela de repente.
— Okan! — Sua voz sai arrastada, surpresa.
— Precisamos conversar. Vem comigo! Está muito frio aqui fora. — Eu a pego pelo braço, sem muito esforço, mas o suficiente para a conduzir.
Ela se solta com um movimento brusco.
— Acho que você não aprendeu nada. Continua arrogante como sempre. Você não pode simplesmente chegar e me puxar pelo braço como se fosse um homem das cavernas.
As palavras dela me atingem. Não faço isso por arrogância, mas por determinação, por impulso — quando quero algo, vou até o fim.
— Emily, por favor, não me ataque. Eu tenho dormido mal, pareço um zumbi no trabalho, quase bati o carro vindo para cá. Não estou me alimentando direito. Eu só quero conversar, me redimir. Por favor, venha comigo.
Ela solta um suspiro pesado enquanto me encara com o queixo erguido e o cenho franzido.
Outro manobrista abre a porta para Emily, e ele a cumprimenta educadamente.
— Boa tarde, senhorita.
— Boa tarde. — Ela responde, sorrindo, e eu me pego olhando para o sorriso dela, lembrando do dia em que jogamos squash juntos, como ela estava mais receptiva comigo. O aperto no peito só aumenta.
Eu a conduzo pelo hotel, passando pela recepção, onde as recepcionistas não disfarçam os olhares entre si, claramente reparando no quanto sou fascinado por ela. Será que Emily não percebe que estou diferente? Mais magro, mais abatido?
Ela evita meu olhar, baixando a cabeça. Isso me machuca, mais do que eu gostaria de admitir.
Chegamos à minha sala, e a vejo sentando-se em uma cadeira à distância. Ela empurra a cadeira para longe da minha, como se quisesse manter distância, e eu me sento à sua frente.
— Muito bem. — Ela diz, sua voz fria, como se estivesse em uma muralha impenetrável. — Estamos aqui.
Eu olho para ela, sentindo uma saudade imensa, meus olhos deslizano lentamente por seu cabelo brilhante, a maquiagem leve. Sinto vontade de tocá-la, de sentir o cheiro da sua pele, mas me contenho.
— Você está muito bonita. — Escapa dos meus lábios.
Ela endurece a expressão.
— Okan! — Ela me adverte, como se falar sobre sua beleza fosse algo ofensivo. — Não viemos aqui para você jogar seu charme em cima de mim, certo?
Sinto a vergonha me invadir, o sangue subindo ao meu rosto. Não está sendo fácil para mim, e a tensão no ar é quase palpável.
— Emily... — Começo, a voz trêmula. — Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria para corrigir tudo, mas não posso. Sou vítima da minha criação, mas sei que errei. Errei com minha arrogância, com meus julgamentos. Allah, eu sou o mais velho e você está começando sua vida adulta. Não deveria ter agido como agi. Me sinto completamente responsável pela criança que espera, mas não é por isso que te chamei aqui.
Ela solta uma risada amarga.
— Não! Duvido! Não precisa se desculpar por ter me engravidado. Descansa, Okan. Eu te absolvo de qualquer culpa. Podemos tentar ter uma relação saudável, por causa do nosso filho. E não te culpo. Eu errei também.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Romance Proibido
Não consigo liberar para leitura, mesmo tendo saldo disponível....
Fiz a compra e não desbloqueia para ler , falta de respeito com o leitor!!!...