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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 107

Liam levou o copo aos lábios antes de permitir que o olhar descesse até a pista de dança. Não tinha pressa. Não demonstrava urgência. Pelo menos, era essa a versão de si mesmo que ele insistia em manter. Controle absoluto, sempre.

Mas quando finalmente virou o rosto na direção da pista… bastou um segundo.

Ele a encontrou.

Olívia estava bem no centro da multidão, como se fosse o único ponto iluminado da boate. Ela ria, dançava e girava o corpo com leveza instintiva, como quem pertencia àquela música. Jogava o cabelo para trás num gesto tão natural, que nem percebia que o movimento atraía olhares. Brilhava, completamente alheia ao efeito que causava.

Havia nela uma energia diferente.

Uma sensualidade natural, espontânea, livre.

Uma leveza que só aparecia quando ele não estava por perto.

E aquilo atingiu Liam de um jeito que ele odiava admitir, até para si mesmo.

Ele a amava. Não era mais segredo, nem para ele.

Mas amar Olívia não fazia dele alguém melhor.

Fazia dele alguém consciente.

Consciente de que ele era o peso.

O contrato que ela nunca quis.

A obrigação.

A pressão que ela nunca pediu.

A parte da vida dela que não veio do amor, mas de uma imposição dele.

E agora, olhando ela brilhar ali embaixo…

tão livre, tão viva, tão diferente da mulher que tentava respirar ao lado dele…

…Liam sentiu um incômodo fundo, frio, direto.

Não doía. Liam não era um homem que sofria daquele jeito.

Mas apertava.

Uma mistura de amor, ciúme e a amarga constatação de que ele era parte do motivo de ela não se mover com aquela leveza quando estava ao lado dele.

Era intolerável. E impossível de controlar.

Ainda assim, por fora…

ele seguia o mesmo Holt de sempre.

Frio.

Implacável.

Irretocável.

Só quem realmente conhecia Liam — como Alex — perceberia que aquele músculo no maxilar não tinha contraído por acaso.

E olhos masculinos seguiam Olívia.

Um, dois, três. Alguns discretos. Outros, descarados.

Liam fechou a expressão no mesmo instante.

O maxilar travou, duro como pedra. Os dedos apertaram o copo com tanta força que o vidro soltou um estalo quase imperceptível. O ombro enrijeceu. A respiração ficou mais lenta, mais pesada, como se cada centímetro do corpo estivesse sendo obrigado a permanecer parado.

Ele continuava implacável por fora. Mas por dentro, cada músculo gritava para descer aquelas escadas e arrancá-la da pista.

Alex, ao lado dele, percebeu tudo com um sorriso de canto, irônico, mas com uma pitada de cautela porque ele conhecia o amigo o suficiente para saber quando a linha entre ciúme e explosão emocional estava ficando fina demais.

Alex inclinou um pouco o corpo para observar melhor.

— O implacável fingindo que nada o atinge. Como sempre. — pensou.

Mas não disse nada.

Apenas observou enquanto o olhar de Liam permanecia fixo em Olívia. Um olhar frio à primeira vista, mas que escondia algo mais profundo. Algo que ele jamais admitiria em voz alta.

Ciúme.

O dele seguiu também.

Alex notou.

— Sabe o que eu acho curioso? — ele disse, bebendo mais um gole. — Você fica aqui em cima se torturando… e se alguém encostar nela, você desce com essa sua cara de mármore fingindo que é só controle, quando, na verdade, está pronto para matar.

Liam pousou o copo na mesa com um pouco mais de força do que pretendia. O barulho do vidro ecoou.

— Chega, Alex. — avisou, olhando-o com aquele olhar que congelava o ambiente. — Não vim aqui pra ouvir análise de comportamento.

Alex não recuou. Também não sorriu.

— Não veio pra isso… mas está precisando. — respondeu, calmo. — Porque, do jeito que você está olhando pra sua própria esposa, quem não te conhece jura que ela é sua inimiga. Vai lá. Dança com ela antes que vire uma confusão maior.

Silêncio.

Liam desviou o olhar de Alex e voltou a focar na pista. Olívia estava de costas agora, dançando com Ísis, rindo de alguma coisa que a amiga falou. A mão dela tocava instintivamente na barriga de vez em quando, como se protegesse o bebê mesmo em meio ao caos da boate.

Ele sentiu aquilo.

Não demonstrou.

— Nossa… — murmurou, olhando para a pista. — Tem uma mulher ali que eu não consigo parar de olhar. Sério. Ela está me chamando atenção de um jeito irritante. Acho que encontrei a minha encrenca.

Liam não reagiu. Nem sequer fingiu interesse. Apenas ajeitou a camisa no corpo com aquele gesto automático, impaciente, que surgia quando estava prestes a perder o controle.

Sem aviso, sem explicação, seguiu em direção à saída da área VIP.

Calmo.

Lento.

Perigosamente impassível.

Alex o acompanhou com o olhar, soltando um meio sorriso que misturava ironia e preocupação.

— Vai dar merda… — murmurou, dando outro gole no whisky. — E, pela primeira vez, acho que vou ter que entrar com recursos para meu amigo não perder o réu primário.

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