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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 106

Olívia se apoiou com um cotovelo no balcão, sentindo o alívio de tirar o peso um pouco dos pés. O barman se aproximou quase de imediato.

— O que vai ser pra você?

— Uma água sem gás, bem gelada. — ela pediu. — Copo grande, por favor.

Ele assentiu e virou-se para pegar.

Foi então que sentiu.

Aquela sensação tão específica. O peso de um olhar preso nela. Um olhar que não disfarçava.

Virou o rosto devagar.

Ao lado, um homem alto, forte, bonito, camisa preta justa delineando o peito, barba bem aparada, olhos escuros que riam sozinhos. Ele estava claramente ali por causa dela. E não fazia questão nenhuma de esconder isso.

Ele sorriu. Daqueles sorrisos treinados, que já vinham com intenção.

— Boa noite, princesa… — a voz dele era grave, envolvente. — Estou te observando desde que você entrou. Tive que vir antes que fosse tarde.

Olívia ergueu uma sobrancelha, sem se intimidar. O tipo de autoconfiança dele era familiar e previsível.

Ele se aproximou meio passo.

— Você dança bem. Tem uma presença… magnética. — o sorriso dele cresceu, de canto. — Dança comigo?

A água dela chegou. Olívia pegou, respirou fundo, e respondeu da forma mais simples e impecável possível, levantando a mão esquerda e deixando a aliança brilhar sob as luzes coloridas.

— Sou muito bem casada.

O homem mordeu o lábio inferior, num gesto que era metade charme, metade provocação.

— E ele te deixa dançar sozinha desse jeito? — perguntou, não agressivo, mas insistente.

Olívia manteve o olhar firme. Orgulhosa. Serena. Atrevida na medida certa.

— Confiança é tudo num relacionamento. — disse. — E eu amo o meu marido. Boa noite.

Ela virou levemente o corpo para encerrar a conversa, mas ele tentou mais uma veze. Educado, porém audacioso.

— Não sou ciumento, princesa. — disse ele, com um sorriso que parecia acreditar realmente que tinha alguma chance.

Olívia girou o rosto para ele de volta, agora com um sorriso pequeno, irônico, afiado. O tipo de sorriso que deixava claro quando ela já tinha vencido a conversa.

— Ótimo. — respondeu, calma. — Porque se você tiver amor à sua vida… é melhor ficar longe de mim.

Não disse como aviso.

Disse como fato.

O homem piscou, surpreso. Não esperava tanta firmeza vinda de alguém tão delicada. Sorriu de novo, mas dessa vez levantou as mãos em sinal de paz, reconhecendo a derrota.

— Entendi. — respondeu. — Tenha uma boa noite.

E se afastou.

Olívia soltou um sopro leve, quase um riso, tomou a primeira golada de água, desistiu de descansar e voltou para a pista.

Ela sabia que Liam estava em algum lugar daquela cidade e, mesmo sem vê-lo, tinha certeza absoluta de uma coisa: se ele tivesse assistido àquela cena no bar… provavelmente teria incendiado a boate inteira.

Quando voltou, a primeira cena que encontrou foi Laura beijando um homem enorme. Um negão alto, forte, sorriso de cinema, mãos grandes segurando a cintura dela como se já se conhecessem há semanas, não minutos.

Olívia arregalou os olhos, incrédula.

— Amiga… — disse para Ísis, com um sorriso divertido e choque sincero. — Ela é rápida.

Ísis gargalhou alto, levantando o copo como se brindasse ao acontecimento.

— Marca registrada dos Holt. — respondeu. — Ela só está honrando o legado da família.

Os seguranças abriram espaço de imediato.

Liam passou primeiro. Impecável, frio, implacável. Alex veio atrás, cumprimentando dois funcionários.

A área VIP era outro mundo.

Luzes mais suaves. Sofás confortáveis. Garçons circulando com taças de cristal. Vista privilegiada para a pista. Uma janela perfeita para quem queria ver sem ser visto.

Alguns amigos se aproximaram assim que os viram entrar na área VIP.

— Liam! Alex! — chamou um deles, já abrindo os braços para cumprimentá-los.

Vieram apertos de mão firmes, abraços rápidos. Conversaram sobre negócios, viagens recentes, carros novos, investimentos que “valiam ouro naquela semana”.

O garçom apareceu com a bandeja e o whisky foi servido em copos pesados de cristal.

Alex interagia com todos, rindo, provocando, gesticulando. Ele era o tipo de homem que preenchia o ambiente sem esforço.

Liam, ao contrário, apenas erguia o copo, bebia devagar. O olhar permanecia frio, observador, cada músculo da mandíbula marcado pela tensão que ele disfarçava como parte de sua postura habitual.

Até que Alex, no meio de uma frase qualquer, deixou o olhar escorregar para a pista lá embaixo. Ele esticou o pescoço só o suficiente para enxergar melhor e um sorriso irônico nasceu no canto da boca.

Ele deu um tapa leve no braço de Liam, sem cerimônia.

— Interessante… — murmurou, com aquele sorriso que nunca vinha coisa boa. — O destino é sutil, mas certeiro. E hoje ele quer te ensinar algo que você devia ter aprendido faz tempo.

Liam virou o rosto lentamente, como quem escolhe não reagir à provocação. O olhar continuava frio, firme, impassível. Uma máscara que ele controlava melhor do que qualquer outra pessoa naquele ambiente.

— Seja claro, Alex. — disse, sem elevar o tom. A voz saiu fria, reta, quase ameaçadora. — Você sabe que não estou com paciência para suas brincadeiras hoje.

Alex prendeu os lábios num meio-sorriso e fez um gesto sutil com a cabeça. Um movimento curto para o lado, indicando a pista.

— Já deu uma olhada lá embaixo? — perguntou. — Viu quem está na pista de dança?

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