Olívia se apoiou com um cotovelo no balcão, sentindo o alívio de tirar o peso um pouco dos pés. O barman se aproximou quase de imediato.
— O que vai ser pra você?
— Uma água sem gás, bem gelada. — ela pediu. — Copo grande, por favor.
Ele assentiu e virou-se para pegar.
Foi então que sentiu.
Aquela sensação tão específica. O peso de um olhar preso nela. Um olhar que não disfarçava.
Virou o rosto devagar.
Ao lado, um homem alto, forte, bonito, camisa preta justa delineando o peito, barba bem aparada, olhos escuros que riam sozinhos. Ele estava claramente ali por causa dela. E não fazia questão nenhuma de esconder isso.
Ele sorriu. Daqueles sorrisos treinados, que já vinham com intenção.
— Boa noite, princesa… — a voz dele era grave, envolvente. — Estou te observando desde que você entrou. Tive que vir antes que fosse tarde.
Olívia ergueu uma sobrancelha, sem se intimidar. O tipo de autoconfiança dele era familiar e previsível.
Ele se aproximou meio passo.
— Você dança bem. Tem uma presença… magnética. — o sorriso dele cresceu, de canto. — Dança comigo?
A água dela chegou. Olívia pegou, respirou fundo, e respondeu da forma mais simples e impecável possível, levantando a mão esquerda e deixando a aliança brilhar sob as luzes coloridas.
— Sou muito bem casada.
O homem mordeu o lábio inferior, num gesto que era metade charme, metade provocação.
— E ele te deixa dançar sozinha desse jeito? — perguntou, não agressivo, mas insistente.
Olívia manteve o olhar firme. Orgulhosa. Serena. Atrevida na medida certa.
— Confiança é tudo num relacionamento. — disse. — E eu amo o meu marido. Boa noite.
Ela virou levemente o corpo para encerrar a conversa, mas ele tentou mais uma veze. Educado, porém audacioso.
— Não sou ciumento, princesa. — disse ele, com um sorriso que parecia acreditar realmente que tinha alguma chance.
Olívia girou o rosto para ele de volta, agora com um sorriso pequeno, irônico, afiado. O tipo de sorriso que deixava claro quando ela já tinha vencido a conversa.
— Ótimo. — respondeu, calma. — Porque se você tiver amor à sua vida… é melhor ficar longe de mim.
Não disse como aviso.
Disse como fato.
O homem piscou, surpreso. Não esperava tanta firmeza vinda de alguém tão delicada. Sorriu de novo, mas dessa vez levantou as mãos em sinal de paz, reconhecendo a derrota.
— Entendi. — respondeu. — Tenha uma boa noite.
E se afastou.
Olívia soltou um sopro leve, quase um riso, tomou a primeira golada de água, desistiu de descansar e voltou para a pista.
Ela sabia que Liam estava em algum lugar daquela cidade e, mesmo sem vê-lo, tinha certeza absoluta de uma coisa: se ele tivesse assistido àquela cena no bar… provavelmente teria incendiado a boate inteira.
Quando voltou, a primeira cena que encontrou foi Laura beijando um homem enorme. Um negão alto, forte, sorriso de cinema, mãos grandes segurando a cintura dela como se já se conhecessem há semanas, não minutos.
Olívia arregalou os olhos, incrédula.
— Amiga… — disse para Ísis, com um sorriso divertido e choque sincero. — Ela é rápida.
Ísis gargalhou alto, levantando o copo como se brindasse ao acontecimento.
— Marca registrada dos Holt. — respondeu. — Ela só está honrando o legado da família.
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