Olívia olhou para as mãos dele em seus ombros… e depois ergueu o olhar com aquela coragem teimosa que sempre fazia Liam perder o centro.
— Eu sei exatamente do que você é capaz. — disse, serena. — Me solta.
Liam a soltou imediatamente, mas sem quebrar o contato visual.
— Nós vamos embora. Agora. — disse, cada palavra um comando revestido de gelo.
Olívia sustentou o olhar, aquele olhar que sempre ousava desafiá-lo e então virou-se com uma indignante naturalidade. Abriu a bolsa, pegou o batom e inclinou o rosto para o espelho, como se Liam não estivesse a poucos passos de perder o controle.
— Como que eu vou voltar para a pista de dança sem retocar o batom? — murmurou, a voz baixa, quase melosa.
Passou o batom devagar, os lábios deslizando pelo vermelho com precisão calculada. Pelo reflexo, encontrou os olhos dele e reproduziu o mesmo olhar da foto de lingerie, aquele que o havia feito ultrapassar limites que ele jamais admitiria ter cruzado.
Guardou o batom.
Virou-se.
Olívia levantou o rosto com uma inocência falsa, doce demais para ser real e justamente por isso, incendiária.
Suas mãos tocaram o peitoral dele. Quentes. Macias. Íntimas demais para o campo minado em que eles estavam.
Ela sorriu de leve, como quem segura uma arma escondida atrás das costas.
— Ficou bom… marido? — perguntou, a voz suave como seda e afiada como uma lâmina.
Mas antes que Liam pudesse reagir, dizer qualquer coisa ou sequer recuperar o fôlego, duas batidas fortes ecoaram na porta.
Olívia sorriu de lado — aquele sorriso torto e vitorioso que ele conhecia bem, o tipo que atravessava qualquer defesa dele sem nem pedir licença.
Um sorriso que dizia claramente: eu ganhei essa.
Ela caminhou até a porta sem oferecer a ele nem um último olhar. Só no instante final — num gesto lento, calculado, venenoso — virou o rosto por cima do ombro. Olhos brilhando de desafio. Lábios vermelhos demais. Postura que sabia exatamente o que fazia com ele.
— Vou dançar só pra você, mozão. — disse, destrancando a porta com uma calma que era pura crueldade elegante. Uma promessa. Uma provocação. Uma sentença.
Abriu.
E saiu sem olhar para trás.
Deixou Liam sozinho no banheiro, com o perfume dela prendendo-se nas paredes… e a fúria dele crescendo como uma tempestade prestes a estourar o teto.
Olívia voltou para onde as meninas estavam, com o batimento acelerado pela guerra silenciosa no banheiro. As luzes piscavam, a música vibrava no peito, e assim que ela chegou, Laura a agarrou pelo braço com força.
— Onde você estava? — perguntou, quase gritando por causa da música, mas com os olhos arregalados de pura curiosidade e um tiquinho de desespero. — Sumiu do nada!
— No banheiro. — disse Olívia, ajeitando o cabelo como se nada tivesse acontecido. — Por quê?
Laura aproximou o rosto dela, ansiosa, como quem vai soltar uma bomba.
— Você não vai acreditar quem está aqui. — disse, com um sorriso travesso carregado de caos.
Olívia abriu a boca para responder, mas Ísis chegou tropeçando um pouquinho, com o copo na mão e o olhar meio perdido.
— Ou eu estou muito bêbada… ou eu vi o meu chefe. — disse, apontando para algum ponto imaginário.
Olívia soltou uma risada curta.
— Você já está bêbada, Ísis. — disse, divertida. — Mas sim… você viu o Liam.
Os olhos de Ísis se arregalaram, e ela tomou mais um gole, como se isso ajudasse a processar a informação.
Laura virou para Olívia, aflita.
— Onde você o viu? — perguntou, quase dançando de ansiedade.
Olívia fez um biquinho, fingindo inocência, a inocência mais mentirosa do mundo.
— Ele surtou e me prendeu no banheiro. — confessou, com um sorriso que dizia exatamente o contrário de “arrependida”. — E eu, como sempre, provoquei.



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