Liam suspirou, irritado, falando do jeito que usava quando precisava colocar limites na irmã.
— Aquela mulher é casada, Laura. O marido dela está ali. — apontou discretamente com um leve movimento de queixo. — Ela é minha amiga de faculdade. Não viaja.
Laura estreitou os olhos com um sorriso malicioso, cruzando os braços.
— Amiga, sei. — disse, com ironia afiada. — Amiga que fica falando no pé do ouvido, bem inclinadinha, toda cheia de intimidade?
Liam sustentou o olhar sem um único tremor, a postura impecavelmente implacável.
— O problema das pessoas é ver uma cena e interpretar do jeito que convém. — disse num tom gelado, porém preciso. — Onde nós estamos, Laura? Em uma boate barulhenta. Pensa numa pessoa que fala baixo… é ela. — Ele não piscou. — Se eu estivesse tendo alguma coisa com ela, o marido dela, que também é meu amigo, já teria caído na porrada comigo. — Fez um gesto breve, tão discreto quanto cortante. — Eu prezo pela minha imagem, Princesa. E você sabe muito bem disso.
Laura deu um sorriso torto, aquele cheio de ironia que só ela sabia fazer.
— Preza mesmo. — disse, divertida. — Mas boa sorte explicando essa cena pra sua esposa… porque, se fosse comigo, eu já tinha arrastado a lambisgoia pelos cabelos escada abaixo, pronta pra guerra. — Ela deu dois passos para trás, já virando o corpo. — Tchau, o boy me espera. — disse, com um sorriso malicioso. — E não venha com seus surtos… que hoje eu estou impossível.
E saiu balançando a cintura, espirituosa como sempre.
Ísis saiu do banheiro ajeitando o cabelo, ainda rindo sozinha de algo que nem lembrava mais. Virou o corredor… e esbarrou direto em Alex.
Ele bloqueou o caminho com um braço apoiado na parede — casual, mas intencional demais para ser coincidência.
— Me dá licença? — pediu ela, tentando desviar, já sem paciência para obstáculos humanos.
Alex abriu um sorriso lento, aquele típico de homem que conhece o próprio charme e sabe muito bem como usá-lo.
— Você acredita em amor à primeira vista? — perguntou, inclinando o corpo, a voz baixa e carregada de ousadia.
Uma cantada velha, dita como se fosse uma promessa inédita.
Ísis ergueu uma sobrancelha, dominando a arte da ironia sem esforço.
— Claro. — respondeu, séria por um segundo dramático. — Acredito em contos de fadas, Papai Noel, fada madrinha… — deu um passo para o lado — …e também acredito que você já usou essa frase com metade das mulheres dessa boate.
Tentou passar, mas Alex segurou o braço dela — suave, sem pressa, quase um convite delicado.
— E se eu estiver falando a verdade? — provocou, o sorriso diminuindo apenas o suficiente para parecer sincero.
Ela soltou um riso curto, um pouco quente demais por causa da bebida.
— Não perca seu tempo, gatinho. — deu dois tapinhas no braço dele. — Eu não sou mulher emocionada que cai em cantada de playboy.
Puxou o braço, recuou dois passos elegantes e completou, mandando um beijo no ar:
— Bye-bye, Don Juan.
Virou e voltou para a pista, deixando perfume, sarcasmo e um Alex intrigado para trás.
Olívia a encontrou logo em seguida — e a expressão dela deixava claro que algo tinha acontecido.
— Você acredita que o Liam estava todo sorridente com uma mulher? — perguntou, indignada, os olhos brilhando com uma raiva gelada prestes a transbordar. — Sorridente!
Ísis deu um sorrisinho cansado, divertido, incapaz de levar drama alheio tão a sério quanto devia.
— Amiga… hoje eu acredito em tudo. Até em homem jurando amor à primeira vista. — disse, colocando a mão no ombro de Olívia como quem dá um diagnóstico preciso. — E outra: você está morrendo de ciúmes. Vocês dois precisam de uma boa conversa… e de sexo pra baixar a poeira.
Olívia riu, mesmo tentando se agarrar à indignação. Ísis piscou, orgulhosa da própria sinceridade inconveniente.
— Vou pegar uma bebida. — avisou, virando-se para o bar. — Hoje eu só quero afogar minha tristeza no álcool.
Laura chegou logo depois, puxando Olívia pela cintura com urgência e empolgação.


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