O silêncio no salão era espesso quando o juiz de paz anunciou:
— Pode beijar a noiva.
Olívia sentiu o corpo inteiro tremer. O coração batia descompassado, a respiração curta. Liam a observava com um olhar profundo, quase hipnótico. Por um instante, tudo desapareceu: convidados, flashes, música. Só havia os olhos dele, verdes, intensos, e a lembrança do real motivo daquele casamento.
Ele levantou a mão e, com os dedos longos, fez um carinho leve no rosto dela. O toque, inesperado, percorreu a pele de Olívia como um fio de eletricidade. Ela engoliu seco. Então Liam inclinou-se e a beijou.
Não foi um beijo de fachada. Era calmo, firme, mas havia nele uma doçura contida, como se cada movimento tivesse sido cuidadosamente medido. Olívia, sem perceber, correspondeu. Quando ele encostou a testa na dela e deu três selinhos curtos, o coração dela acelerou ainda mais. Por um instante, o contrato deixou de existir. Por um instante, parecia real.
Os convidados explodiram em aplausos. Liam piscou como quem desperta de um transe e recuou meio passo. Voltou à postura ereta, o rosto retomando a neutralidade habitual. Olívia, ainda com o calor do beijo nos lábios, ergueu os olhos para ele, confusa. “Quem é esse homem?”, pensou. “O monstro que me comprou ou o marido que acabou de me beijar?”
A cerimônia terminou e os dois caminharam juntos para a festa. Os fotógrafos disputavam espaço, os flashes pipocavam. Eles posaram lado a lado, trocando sorrisos ensaiados, cumprimentando convidados. Às vezes Liam pousava a mão na cintura de Olívia, e ela se esforçava para parecer confortável. Para quem via de fora, era um casal apaixonado. Para ela, era um labirinto de emoções.
No canto do salão, Alexander observava a cena com um copo de uísque na mão. Quando Liam se aproximou para respirar um pouco, Alex não resistiu.
— Tem certeza que não está apaixonado pela sua esposa? — perguntou, divertido, mas com olhar perspicaz.
Liam pegou uma taça de champanhe e bebeu devagar, sem alterar a expressão.
— É só um contrato. — respondeu frio.
Alex inclinou-se, sorrindo.
— Mas na hora do beijo… quem olhava jurava que estava vendo um casal apaixonado. Parecia que tinha sentimento de ambos os lados.
Liam lançou-lhe um olhar impaciente.
— Não viaja, Alex.
O advogado deu um gole no uísque.
— É questão de tempo para esse casamento ser real. Você sabe.
— A única coisa que sei, são os reais motivos dessa farsa. — retrucou Liam, seco. — Daqui a doze meses tudo acaba e vou seguir com meu filho e minha fortuna.
Alex ergueu uma sobrancelha.
— E a lua de mel, onde vai ser?
— Suíça.
Alex riu.
— Olha só, o “Rei dos Mares” virando romântico nos Alpes. Vai patinar no gelo com a esposa também?
Liam sorriu de canto, o olhar frio, mas a voz ganhou um traço de malícia.
— Todos precisam acreditar que é real, sobretudo meu avô — disse. — Mas nos Alpes… não vai ter patinação com esposa nenhuma. Vai ter champanhe, lareira e uma acompanhante de luxo escolhida a dedo, pronta para tornar o frio mais interessante.
Alex balançou a cabeça, rindo baixo.
— É questão de tempo, amigo…

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