Uma semana havia passado, mas para Olívia cada dia parecia um capítulo de um romance que ela mesma não escrevia. Desde que assinou o contrato, Liam surgia como uma sombra brilhante em cada aspecto da sua vida. Chegava à empresa ao fim do expediente, levava para jantares, para suíte onde estava hospedado, ia na mansão dela. Às vezes rolava até uns beijos. Tudo tinha que parecer real.
Para quem olhava de fora, era um casal apaixonado, sólido. Nas redes sociais, começaram a aparecer fotos de mãos entrelaçadas, sorrisos congelados e a legenda discreta: “um novo começo”. Ana mostrava tudo para as amigas com orgulho, Fabrício parecia mais calmo, e até Victor sempre comentava que ela tinha acertado na escolha.
Mas por dentro, Olívia sentia o teatro sufocá-la. Cada gesto ensaiado era um lembrete do contrato, da chantagem, do bebê crescendo no ventre. E, no entanto, havia momentos rápidos, quase imperceptíveis, em que a máscara de Liam parecia rachar. Um olhar demorado, um toque menos calculado. Isso a deixava confusa.
Depois de um jantar em que Liam apresentou Olívia aos investidores, ele a levou de volta para casa. Encostado no carro, as mãos enfiadas nos bolsos, fitava a fachada imponente da mansão.
— Você já decorou tudo o que eu contei sobre mim? — perguntou Liam, a voz baixa e controlada. — Todos precisam acreditar que é real, principalmente meu avô.
Olívia cruzou os braços, a expressão carregada de ironia.
— Não é fácil memorizar informações de pessoas que somos obrigadas a tolerar.
Os olhos dele estreitaram.
— A recíproca é verdadeira — retrucou, frio. — É insuportável conviver com uma mulher mimada que acha que o mundo é um conto de fadas.
A raiva subiu-lhe ao rosto.
— O que você quer dizer? Que eu sou imatura e vivo sonhando? Sério… isso não vai dar certo. Você é extremamente insuportável, arrogante. Você se acha, não é, Liam?
Liam viu Fabrício na janela, imediatamente tirou as mãos dos bolsos e, num movimento rápido, segurou-a pela cintura com firmeza, aproximando-a de si para calar qualquer palavra que pudesse sair de sua boca. Olívia estremeceu, sentindo o ar preso no peito. Liam inclinou-se, o rosto perigosamente próximo; os olhos, indecifráveis, a prenderam.
— O que está fazendo? — perguntou ela, com as mãos no peito dele.
Antes que pudesse falar novamente, ele a beijou. Um beijo intenso, calculado para parecer real. Por um instante, os dois pareciam se fundir. O sabor de menta do hálito dele misturou-se ao perfume doce dela. As mãos dele apertaram-lhe a cintura; e, no embalo, ela passou os braços ao redor do pescoço dele.
Quando o beijo terminou, ele manteve a testa encostada na dela por um segundo, respirou fundo e murmurou:
— Seu pai estava olhando. Não pense que foi real.
Virou-se, entrou no carro e deu partida, deixando-a na calçada. Ela levou os dedos aos lábios ainda quentes e olhou para trás. Não havia ninguém. Sussurrou para si mesma:
— Você é um mentiroso… que beija extremamente bem.
Entrou na mansão em silêncio, tentando entender o que havia sentido.
Na manhã do casamento, o SPA luxuoso parecia um cenário de filme. Em pé, diante do enorme espelho, Olívia observava seu reflexo.
O vestido de noiva estilo sereia delineava suas curvas com elegância. Pérolas bordadas de forma delicada refletiam a luz suave. A maquiagem era sutil, realçando os olhos azuis; o cabelo, preso em um coque baixo com algumas mechas soltas. Tudo perfeito para um casamento real.
Ana entrou devagar e aproximou-se da filha.
— Filha… precisamos conversar. — disse, a voz mansa. — Você realmente quer se casar?
Olívia respirou fundo, ajustando um brinco.
— Que pergunta é essa, mãe? É claro que eu quero. — respondeu, automática.
Ana pousou a mão no ombro da filha.
— Eu te gerei, Olívia. Te conheço melhor do que ninguém. Apesar de querer mostrar para todos que está feliz, eu vejo tristeza nos seus olhos. Por favor, se está acontecendo algo, se abra comigo.
Olívia fechou os olhos por um instante, engolindo o choro.


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