O quarto estava silencioso, quebrado apenas pelas respirações pesadas dos dois.
Liam virou o rosto para ela, ainda ofegante, e sorriu de canto.
— Vamos tomar um banho, amor. — disse com a voz rouca, mas agora calma. — Depois você dorme.
Olívia riu baixinho, sem forças para responder de imediato, apenas assentindo. Ele se levantou primeiro e a pegou no colo indo para o banheiro.
O banho foi lento, sem pressa. Água quente, mãos deslizando com cuidado, gestos simples, carregados de carinho. Nada urgente. Nada intenso. Só o conforto de estarem ali, juntos, inteiros.
Quando voltaram para o quarto, ambos vestiam roupões. O cabelo molhado, a pele relaxada. Sentaram-se na cama lado a lado, encostados.
Olívia passou a mão no ventre e fez uma careta divertida.
— Nossa… estou faminta. — disse, pegando uma uva da tábua e levando à boca.
Liam a observou por um segundo, satisfeito demais para fingir outra coisa.
— Eu não. — respondeu, tranquilo. — Estou completamente satisfeito. — Ele fez uma pausa breve, o olhar deslizando por ela. — Você é muito gostosa, Mozão… — completou, com um meio sorriso. — E ainda por cima dança muito bem. Sabe exatamente como me tirar do eixo.
Olívia corou na mesma hora, os olhos desviando por reflexo. Pegou outra uva, estendeu a mão até ele.
— Então come essa.
Liam aceitou a uva, mordendo devagar, sem tirar os olhos dela.
— Eu adoro ver você assim… — murmurou, a voz baixa, carregada de satisfação. — Toda corada.
Ele roçou polegar na lateral do rosto dela.
— Fica oficialmente intimada a dançar mais vezes pra mim. — completou, com um meio sorriso cheio de intenção. — Só pra eu ter o prazer de ver essa mesma reação de novo.
Ela sorriu, sem conseguir esconder o brilho no olhar.
— Vamos ver nosso filme? — sugeriu, apoiando-se ainda mais nele, buscando o conforto do corpo dele como quem já sabia que ficaria ali.
Liam inclinou levemente a cabeça, lançando um olhar de falsa reprovação, o canto da boca denunciando o divertimento.
— Agora você lembra do filme… — provocou, a voz baixa, arrastada, cheia de malícia contida. — Sua safada.
Olívia riu, aproximando-se ainda mais, os dedos brincando distraídos no peito dele.
— Safada… — repetiu, com um sorriso lento, confiante. — Que você não vive mais sem.
Eles começaram a assistir, dividindo frutas e alguns petiscos, comentando cenas soltas, rindo baixo, o clima completamente diferente de minutos antes. Quando já não quiseram mais comer, Liam se levantou, colocou as tábuas sobre a mesa do quarto e voltou para a cama.
Deitou-se e puxou Olívia para junto de si, acomodando-a sobre o peito. Ela se ajeitou naturalmente ali.
O filme continuava passando… mas nenhum dos dois acompanhava de verdade.
A respiração de Olívia foi ficando mais lenta. A mão de Liam fazia movimentos preguiçosos em suas costas. Pouco a pouco, o cansaço venceu.
Sem perceberem, adormeceram assim.
Abraçados. Em silêncio. Sem terminar o filme, mas completamente satisfeitos com a noite que viveram juntos.
Na madrugada, o corpo de Liam se remexeu inquieto na cama.
O sono deixou de ser profundo e passou a ser fragmentado, pesado. A respiração mudou, ficando irregular. O maxilar se contraiu. Mesmo adormecido, os ombros se tensionaram, como se ele estivesse se preparando para se defender de algo invisível.
O sonho veio sem aviso.
Ele era criança. Tinha cinco anos.


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