A voz de Liam falhou. O choro veio forte.
— Mãe… — chamou, quase sem ar. — Abre a porta, mãe… por favor…
Nenhuma resposta.
No presente, Liam se debatia na cama. O corpo rígido, a respiração ofegante, o rosto contraído em dor.
— Não… — murmurou, ainda dormindo. — Para…
Olívia despertou no susto. Sentou-se rapidamente e segurou o rosto dele com cuidado, sentindo a tensão sob os dedos.
— Liam… amor, acorda. — chamou com firmeza e carinho. — Você está tendo um pesadelo. Amor… olha pra mim, abre os olhos. Mozão?
O cenário mudou de forma confusa, como acontece nos sonhos.
Agora Liam tinha seis anos.
O quarto estava silencioso demais. Ele entrou devagar e encontrou a mãe dormindo, deitada de lado, o rosto cansado, abatido, como se o peso do mundo tivesse se alojado ali.
Aproximou-se da cama com cuidado e tocou o braço dela, quase com medo de acordá-la.
— Mãe… — sussurrou. — Acorda… eu estou com saudade de brincar com a senhora. — A voz saiu doce, carregada de amor. — Eu te amo, mamãe.
Antes que ela respondesse, a porta se abriu.
Vânia entrou no quarto.
— Liam, meu príncipe… — disse com carinho. — Vamos almoçar. Sua mãe está descansando. Ela está muito cansada.
Liam franziu a testa, desconfiado demais para a idade.
— Tem dias que ela só dorme… — disse baixo. — Desde quando machucou os pulsos. — Olhou para Vânia, preocupado. — Ela caiu, Nana?
Vânia respirou fundo, desviando o olhar por um instante antes de responder.
— Sua mãe vai brincar com você depois. — disse, tentando soar firme. — Agora vamos almoçar. Ela não vai gostar de saber que você não quis se alimentar.
O sonho pulou novamente no tempo.
Meredith estava sentada na cama, chorando. Os ombros tremiam, o rosto enterrado nas mãos. O quarto parecia menor, mais escuro, como se a dor tivesse roubado o ar do lugar.
Liam entrou correndo.
— Mamãe, não chora… — disse, subindo na cama e abraçando-a com força. — Eu te amo muito. A senhora é linda.
Meredith segurou o rosto dele entre as mãos. Os olhos estavam vermelhos, cheios de dor, mas também de amor.
— Liam… — disse com a voz quebrada. — Promete pra mamãe que você não vai cometer a loucura de querer se casar cedo? — respirou fundo. — Promete que vai aproveitar a vida… ser feliz?
Liam sorriu, inocente, e a abraçou forte, como se pudesse protegê-la de tudo.
— Eu prometo, mamãe… — disse convicto. — Eu vou casar com a senhora. — Encostou o rosto no dela. — Eu te amo.
Foi nesse instante que o sonho se rompeu.
Liam continuou agitado por alguns segundos, preso entre o passado e o presente, até que a voz dela atravessou o sonho, firme o suficiente para alcançá-lo.
— Amor… — chamou novamente. — Acorda.
Liam abriu os olhos de repente e sentou-se na cama. O peito subia e descia rápido, os olhos perdidos por um instante até reconhecer o quarto… a cama… Olívia.
Ela o puxou, envolvendo-o num abraço protetor.
— Está tudo bem. — sussurrou. — Você está aqui comigo.
Ele fechou os olhos, encostando a testa no ombro dela, como se precisasse daquele contato para voltar completamente ao presente.
O passado ainda ecoava dentro dele.
— Quer me contar o que sonhou? — Olívia perguntou com cuidado, a voz baixa, sem invadir.
Liam respirou fundo. Passou a mão pelo rosto, como se ainda estivesse tentando se livrar das imagens que insistiam em permanecer.
— Agora não… — respondeu, sincero. — Eu preciso ficar um pouco sozinho.

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