O quarto estava silencioso quando Olívia abriu os olhos. Ela havia dormido apenas duas horas, mas parecia ter atravessado uma noite inteira. O vestido rasgado continuava no chão, um lembrete de tudo o que aconteceu. A cabeça doía por conta do choro.
Batidas leves na porta interromperam seus pensamentos.
— Senhora… eu trouxe seu lanche — disse uma voz feminina do outro lado.
Olívia piscou, sonolenta.
— Só um minuto, por favor… — murmurou, levantando-se devagar.
Sentiu o edredom escorregar do corpo. Parou, confusa.
— Como esse edredom veio parar aqui? — sussurrou para si mesma.
Foi até o closet, pegou um robe e vestiu-o. Respirou fundo e abriu a porta.
A empregada entrou com uma bandeja e colocou-a sobre a mesinha do quarto.
— Aqui está, senhora — disse, delicada.
— Muito obrigada… mas eu nem pedi — respondeu Olívia, a voz ainda rouca de sono.
— O senhor Liam mandou trazer. Vim antes mas, a senhora não atendeu — explicou a empregada.
Olívia franziu a testa.
— Ele está em casa?
— Não, senhora. Saiu faz um tempo.
Olívia hesitou antes de perguntar.
— Você sabe me dizer se alguém entrou no meu quarto? Estava dormindo… acordei coberta, mas não me lembro de ter pegado o edredom.
A empregada balançou a cabeça.
— Nós só entramos se a senhora autorizar. — respondeu com cuidado. — Com certeza foi o senhor Liam quem a cobriu.
Olívia mordeu o lábio inferior, surpresa.
— É verdade… quem mais poderia ser? — murmurou, sem graça. Depois tentou esboçar um sorriso e mudou de assunto. — Eu não sei nem se vou poder comer… sou alérgica a algumas coisas..
A mulher sorriu de leve.
— Fica tranquila, senhora Olívia. Tudo o que está aqui foi montado pela nutricionista. O senhor Liam também é alérgico.
Olívia ergueu os olhos.
— Ah, sim… verdade, ele é alérgico… acabei de acordar e minha cabeça ainda não está funcionando direito. Muito obrigada.
— Se precisar de qualquer coisa, disque zero no telefone. — disse a empregada e saiu, fechando a porta com cuidado.
O quarto voltou ao silêncio. Olívia sentou-se à mesa. Pegou o celular. Mensagens do pai, da mãe e do irmão. Leu primeiro o que Ana escreveu.
“Chegou bem? Todos estão comentando sobre o casamento, filha. Você foi a noiva mais linda que já viram.”
Olívia respirou fundo. Leu as outras mensagens e respondeu com emojis de coração e uma frase curta para os três.
“Já estou com saudades, amo vocês!”
Em seguida, mordeu o sanduíche. Estava gostoso, leve. Mesmo assim, um nó apertava-lhe o estômago.
Abriu o navegador e procurou os sites de fofoca. Manchetes sobre o casamento saltavam na tela.
“Liam Holt finalmente se casou”.
“O Rei dos Mares encontrou seu porto seguro.”
Fotos do beijo, do vestido, das alianças. Olívia abriu o perfil de Liam no I*******m. A conta já estava atualizada com uma foto dos dois no altar, legenda escrita pela assessoria.
“O início de uma nova vida. Te amo!”
Ela soltou um riso curto, amargo.
— Se todos soubessem que é fachada… que ele é um monstro… — murmurou.
Fechou o aplicativo e ligou a televisão, tentando distrair-se com uma série qualquer. Mas a paz durou pouco.
A porta abriu de repente, sem bater. Bárbara entrou como se fosse dona do lugar.



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