O ar no corredor pareceu ficar mais pesado, denso, como se até as paredes absorvessem a tensão entre elas.
Olívia permaneceu em silêncio por alguns segundos. Não desviou o olhar. Não se explicou.
Bárbara sorriu sentindo-se vitoriosa.
— O seu silêncio diz tudo.
Foi então que Olívia reagiu. Com um movimento firme, puxou o braço, libertando-se do toque invasivo. O gesto foi controlado, mas carregado de limite.
— Uma pessoa não precisa dizer “eu te amo” para demonstrar amor de verdade. — disse, com uma calma perigosa, daquelas que antecedem uma tempestade. — E você não conhece o Liam… mesmo tendo crescido com ele.
Bárbara soltou um riso baixo, sem humor algum.
— Eu conheço o Liam. — rebateu. — Conheço o suficiente para saber que ele não mudou. — inclinou levemente a cabeça. — Ele só está te usando. Ele não te ama, querida.
O olhar de Olívia endureceu.
— Eu conheço o homem que ele escolheu ser comigo. — respondeu. — Algo que você nunca vai entender… porque nunca foi sobre você.
O sorriso de Bárbara vacilou por uma fração de segundo. Quase imperceptível. Mas vacilou.
— Eu tenho pena de mulheres como você. — murmurou, recuperando o tom ácido. — Que acreditam que vida a dois é conto de fadas. Românticas demais. Emocionadas demais. — fez um gesto vago com a mão. — E não enxergam o óbvio. Não existe amor, Olívia. Existe conveniência. Poder. Jogo.
Olívia não recuou. Pelo contrário. Ela levou as duas mãos ao ventre, num gesto instintivo, protetor. Quando voltou a encarar Bárbara, havia algo diferente em seu olhar. Não era fragilidade, mas convicção.
— Este bebê é a maior prova de amor que existe entre nós dois. — disse, com firmeza. — Ele foi feito com desejo, entrega e escolha. — respirou fundo. — Quando o destino cruzou meu caminho com o do Liam naquela suíte em Dallas, ele poderia ter seguido a vida dele e me esquecido.
Deu um pequeno sorriso, seguro.
— Mas ele veio atrás de mim. — continuou. — O contrato foi só uma desculpa. Você sabe do trauma dele. — inclinou a cabeça levemente. — Eu poderia listar dezenas de coisas que provam que ele me ama… mas não vou perder meu tempo com alguém que vive tentando ser estepe na vida dos outros. Como meu pai disse, com muita clareza.
O rosto de Bárbara se fechou por um instante. Ela inclinou-se até o ouvido de Olívia. A voz saiu baixa, venenosa.
— Aproveita enquanto pode. — murmurou. — Porque quando a realidade bater… dói mais em quem acredita demais. — afastou-se apenas o suficiente para encará-la. — Você não é a primeira diversão na vida dele. E, no fim, ele sempre volta pra mim.
O sorriso voltou, cruel.
— O Liam é bom de cama. Sabe enfeitiçar mulheres. — sussurrou. — Você está cega porque tenho certeza que ele foi o seu primeiro. Mas a venda cai. Sempre cai. — deu um passo para trás. — E quando cair… você vai lembrar de cada palavra minha.
Olívia não respondeu. Apenas seguiu em frente.
No dia seguinte, no closet amplo da suíte principal da mansão de Liam, Olívia permanecia diante do enorme espelho, observando o próprio reflexo com atenção silenciosa.
O vestido longo preto acompanhava suas curvas com elegância absoluta. O tecido nobre, de brilho discreto, capturava a luz sem jamais chamar atenção em excesso. Os ombros à mostra revelavam uma feminilidade segura, madura e consciente de si. Nada ali era vulgar. Tudo era escolha.
Os cabelos presos em um coque levemente solto deixavam alguns fios escaparem de propósito, como se ela recusasse a perfeição rígida. A maquiagem realçava seus traços com delicadeza: olhos marcantes, boca suave, pele luminosa. Um equilíbrio exato entre sofisticação e naturalidade.
Ela respirou fundo, pousando as mãos sobre o vestido, observando o próprio reflexo quando percebeu a presença dele.
Liam entrou em silêncio, os olhos fixos nela. Parou por um instante, apenas a admirando. Então se aproximou e pousou a mão firme na cintura dela, como se precisasse daquele toque para confirmar que ela era real.

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