O grande salão de recepções da mansão Holt estava deslumbrante naquela noite. Lustres de cristal pendiam do teto alto, espalhando uma luz quente e elegante sobre as mesas impecavelmente postas. Arranjos clássicos, taças de cristal e porcelanas finas compunham o cenário de uma celebração rara: sessenta anos de casamento.
Olga e Frederico circulavam pelo salão com naturalidade e orgulho. Recebiam os convidados como verdadeiros pilares daquela família.
A cerimônia havia terminado há pouco tempo, e o clima agora era de celebração leve, conversas cruzadas, música clássica ao fundo e risos contidos.
Ísis aproximou-se de Olívia com um sorriso aberto, avaliando-a de cima a baixo com atenção. Os olhos passearam pelo vestido, pelo porte seguro, pelo brilho discreto que ela carregava.
— Amiga… — disse, sem exagero. — Você está poderosa com esse vestido. — inclinou levemente a cabeça, o olhar pousando no pescoço dela. — E esse colar… esses brincos… são tão delicados.
Olívia sorriu, quase instintivamente levando a mão até a pedra negra, como se aquele gesto a ancorasse.
— O Liam me deu hoje. — respondeu, com carinho evidente na voz. — O conjunto se chama Destino. — os olhos brilharam, úmidos de emoção contida. — Ele disse que representa o momento em que tudo mudou pra ele. — suspirou de leve. — Amiga… está tudo tão perfeito.
Ísis suspirou também, mas logo estreitou os olhos, a expressão mudando para algo mais alerta. Aproximou-se um pouco mais, baixando o tom.
— Pra ficar absolutamente perfeito… — murmurou — …essa naja da Bárbara tinha que sumir do planeta. — inclinou-se na direção dela. — Você contou pro Liam o que ela te disse?
Olívia balançou a cabeça com calma, mantendo a postura relaxada. O rosto não denunciava dúvida.
— Não contei. E nem vou contar. — respondeu com convicção. — Ela sempre vai tentar me provocar. — deu de ombros, com maturidade. — Eu preciso aprender a lidar com isso. — respirou fundo. — E eu não vou entrar nesse assunto de contrato. Pra falar a verdade… — fez uma pausa breve — … isso não me preocupa mais.
Ísis estreitou os olhos, cruzando os braços por um instante, estudando a amiga.
— Você tem certeza disso? — perguntou, com cuidado, a voz baixa. — De verdade?
Olívia endireitou os ombros, o olhar seguro.
— Tenho. — Ela respondeu sem hesitar, sustentando o olhar da amiga. — Nós estamos bem. Ele não mentiria pra mim. — falou sem pressa, escolhendo as palavras. — Estamos na melhor fase do casamento. — fez uma pausa curta. — Ele ainda não disse “eu te amo”… — admitiu, sem tristeza — …mas demonstra nas atitudes, no cuidado, nas coisas que ele tem renunciado pra ficar comigo. — sorriu de leve. — Ele não vai mais ficar pra ela.
Ísis relaxou um pouco, soltando os braços e assentindo devagar, ainda com uma ponta de apreensão.
— Se você acha melhor assim… — disse, tocando de leve o braço de Olívia, num gesto de apoio. — Não estou no direito de te julgar.
Olívia então a encarou com mais seriedade. O sorriso suavizou, mas o olhar ficou atento.
— E você? — perguntou. — Já contou pro Alex sobre o trabalho que você tinha antes?
Ísis desviou o olhar por um segundo, mordendo levemente o lábio inferior antes de responder, o corpo ficando um pouco mais tenso.
— Não. E nem vou contar, também. — respondeu, com convicção. — Ele nunca aceitaria isso.
Olívia a olhou com preocupação.
— Ísis… a mãe dele está pra chegar de viagem. — alertou. — Mesmo que ele não tenha mandado fotos suas, ela vai te ver. — baixou a voz. — Meu medo é ela lembrar de você do evento beneficente… e comentar. Amiga, isso pode ser pior.
Ísis respirou fundo e tentou se convencer.
— Já faz tempo aquele evento. — disse. — Tinha muita gente importante lá. Ela não vai lembrar. — tentou sorrir. — Fora que eu estava de cabelo liso naquele dia. Agora o Alex faz questão de pagar toda semana pra eu cuidar dos cachos. — revirou os olhos. — Ele tem uma obsessão por eles. Eu fico completamente diferente cacheada.
Olívia segurou a mão da amiga.
— Vamos pensar positivo. — disse. — Pelo menos ela já gosta de você só de falar por telefone.
Ísis relaxou um pouco.
— Tenho sorte com as sogras. A mãe do Caio também me adora. — comentou. — Ficou super feliz quando contei que estou namorando. — sorriu. — E mudando de assunto… a cerimônia foi linda. É raro hoje em dia ver bodas de diamante.
Olívia sorriu, sonhadora.
— Eu tenho fé que um dia vou comemorar também. — tocou o ventre de leve. — Ou melhor… nós vamos.
— Ainda está cedo pra eu e o Alex casarmos. — respondeu Ísis, sincera. — Então nem penso nisso.

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