Edgar aproximou-se de Marcela com passos firmes demais para alguém que dizia estar bem. O semblante estava fechado, duro, como se tivesse acabado de engolir algo amargo.
— Vou me despedir do senhor Frederico e da vovó Olga. — disse, em tom baixo. — Vamos embora.
Marcela estreitou levemente o olhar, percebendo de imediato que algo havia acontecido. Mas por dentro, estava adorando. Ela aproximou-se um pouco mais, buscando o olhar dele.
— O que aconteceu? — perguntou, com calma estudada.
Edgar respirou fundo, os ombros rígidos.
— Nada. — respondeu, rápido demais. — A Luna está me esperando para dormir.
O silêncio que se seguiu foi denso. Marcela manteve o olhar fixo nele, avaliando cada microgesto: a mandíbula travada, a mão fechando levemente, o desvio quase imperceptível dos olhos.
Ela não acreditou nem por um segundo.
E, para sua própria surpresa, estava adorando vê-lo daquela forma.
— Claro… — disse, por fim, com um sorriso radiante, luminoso demais para ser ingênuo. — Vamos, então. Nosso pacotinho de amor nos espera.
Perto da pista de dança, Ísis estava em pé ao lado de Olívia
— Amiga… — sussurrou, a voz quase falhando. — Você acredita que ele veio falar comigo? Eu quase morri ali.
Olívia não desviou o olhar do salão. Apenas respirou fundo antes de responder, séria demais para fingir tranquilidade.
— Isso era esperado. — disse, firme. — Ísis, repensa a sua decisão. — virou-se para encará-la. — Olha o que está acontecendo com a Laura e o Edgar por causa de mentiras. — a voz suavizou, mas o olhar continuou preocupado. — Eu estou com medo por você.
Ísis levou a mão ao ventre, pressionando de leve, como se tentasse conter algo que crescia ali dentro.
— Eu estou tão nervosa que está me dando cólica… — murmurou. — E ainda falta muito pra eu menstruar.
Antes que Olívia respondesse, a voz de Liam surgiu ao lado delas.
— Amor, vem. — disse, estendendo a mão para Olívia. — Vou te apresentar um amigo da família. — olhou para Ísis em seguida. — Nos acompanhe, Ísis. O Alex também quer te apresentar.
Ísis caminhou até Alex com a sensação incômoda de que o corpo estava alguns segundos atrasado em relação à mente. As pernas obedeciam, mas o peito apertava a cada passo. Quando chegou perto, ele a puxou naturalmente para junto de si, o braço envolvendo sua cintura.
O toque, que antes a fazia se sentir segura, agora queimou.
— Amor… — disse Alex, sorrindo. — Quero que conheça um amigo e cliente.
O coração de Ísis falhou uma batida. Quando encarou o homem à frente, sentiu o chão sumir por um instante muito curto, mas devastador. O estômago revirou, a boca ficou seca, e o ar pareceu insuficiente. O corpo inteiro entrou em alerta, como se estivesse prestes a ser desmascarado em praça pública.
Leonardo a observava com atenção demais. Os olhos dele passavam pelo rosto dela lentamente, como quem confirma uma informação. Um leve arquejo nas sobrancelhas, quase imperceptível. Um canto da boca se movendo, contido. Era o olhar de quem entende exatamente o que está acontecendo, mas escolhe não expor.
Alex continuou completamente alheio ao impacto silencioso.
— Leonardo, essa é a Ísis. — disse, com orgulho. — Minha futura esposa.
Ísis sentiu o próprio corpo reagir antes da razão. Os dedos se contraíram levemente na lateral do vestido, a respiração ficou curta, controlada demais. Ela precisou de um segundo inteiro para lembrar como se mantinha em pé.
Leonardo estendeu a mão. O gesto foi educado. O olhar, não. Havia ali uma pergunta muda. Uma provocação silenciosa. Um “então é isso?” não dito. Ele não sorria por educação, sorria por saber.
— Prazer, Ísis. — disse ele, num tom neutro demais para ser casual. — Alex falou muito de você.
Ela segurou a mão dele por um instante mínimo, soltando rápido demais para quem quisesse parecer tranquila.
— Prazer… Leonardo. — respondeu, com a voz surpreendentemente firme.
Por dentro, porém, tudo gritava. O medo não era de Leonardo falar. Era de Alex perceber.

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