Liam perguntou. A voz saiu controlada, mas carregada de autoridade. Ele estava de pé, o corpo levemente inclinado à frente, o olhar atento demais para ser casual.
Charles levantou-se imediatamente, quase automático.
— De forma alguma, primo. — disse, estendendo a mão. — Como vai?
Liam apertou a mão dele com firmeza, sem sorrir, sem prolongar o gesto. Em seguida, tomou a mão de Olívia com a mesma firmeza silenciosa e fez um gesto curto com a cabeça, deixando claro que era hora de se levantar.
— Os fotógrafos estão nos aguardando. — disse, já a conduzindo, num tom que não pedia discussão.
Enquanto a conduzia até a mesa da decoração, onde os fotógrafos aguardavam, Liam abaixou a voz, incapaz de disfarçar o incômodo que ainda pulsava nele.
— Você está proibida de conversar com ele. — murmurou. — De chegar perto dele.
Olívia parou no mesmo instante. Girou o corpo para encará-lo, o rosto sério, o olhar firme.
— Eu não estava fazendo nada demais. — respondeu, sem recuar. — Eu não sou a Bárbara. — aproximou-se um passo, a voz baixa, mas incisiva. — E não aceito que o Liam de antes volte.
Por um segundo, o olhar dele endureceu… e então suavizou. A tensão não desapareceu.
Liam não respondeu. Apenas a encarou.
O silêncio que se instalou entre os dois deixou claro que aquela conversa estava longe de terminar.
Algum tempo depois, Ísis se afastou da pista, tentando recuperar o fôlego. Foi quando sentiu a presença antes mesmo de ouvir a voz.
— Ísis… — disse Leonardo, aproximando-se com um sorriso contido, quase surpreso. — Não esperava te encontrar aqui. — fez uma pausa breve. — Depois de tantas tentativas de contato sem retorno… achei que ao menos uma conversa fosse justa. Não acha?
O coração dela disparou no mesmo instante. Ísis manteve o sorriso no rosto, mas os olhos já percorriam o salão em busca de Alex, num movimento quase instintivo, aflito.
— Senhor Leonardo… — respondeu, baixando o tom — por favor. — engoliu em seco. — Finja que não me conhece.
Ela voltou a procurar Alex com o olhar, o medo agora evidente, difícil demais de disfarçar. Sem esperar resposta, deu um passo para trás, manteve o sorriso social intacto e se afastou.
Leonardo ficou parado, apenas observando enquanto ela desaparecia entre os convidados.
Do lado de fora do salão, o ar parecia mais frio. A música chegava abafada, distante, como se o mundo tivesse ficado do outro lado da porta.
Victor encostou-se na parede, observando Laura tomar mais um gole.
— Você já bebeu demais. — disse, sério dessa vez. — Está na hora de parar.
Laura soltou um riso curto, quase debochado.
— Relaxa, Victor. — respondeu, firme. — Eu sei exatamente o momento de parar. Não estou bêbada.
Ela deu um passo à frente, invadindo o espaço dele com um sorriso perigoso.
— Deixa eu te usar mais um pouquinho… — murmurou. — Vem cá.
Antes que ele respondesse, Laura o puxou pelo colarinho e o beijou. Um beijo intenso, impaciente, como se quisesse calar qualquer tentativa de cuidado.
Quando se afastaram, Victor respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
— É por isso que eu fujo de relacionamento sério. — disse, sem ironia. — O final é sempre sofrimento. — olhou para ela com preocupação real. — Olha como você está.
Laura sustentou o olhar, sem vacilar.

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