Leonardo abriu a boca para responder, mas ela continuou.
— O Alex eu conheci numa boate. — disse, com honestidade dura. — Eu não imaginava que ia me apaixonar por ele. Meu coração estava completamente fechado. — os olhos brilharam, mas ela se manteve firme. — Ele tem sido um companheiro maravilhoso. — respirou fundo. — Deixou de ser um conquistador barato para se tornar o homem que eu mereço.
Leonardo a observava com atenção absoluta agora.
— Então, por favor… — Ísis concluiu, com a voz baixa, quase um pedido — …não estraga a minha felicidade. Se afasta de mim. — engoliu em seco. — Você sabe o quanto o Alex é ciumento. E sabe muito bem que ele não aceita o tipo de trabalho que eu fazia.
Leonardo respirou fundo, passando a mão pelo queixo.
— Eu não te forcei naquele dia. — disse, sério. — E não vou te forçar agora. — aproximou-se meio passo, sem tocar. — Só esperava que você fosse adulta o suficiente pra me atender e dizer que não queria mais que eu pagasse pelo seu serviço. — a voz endureceu. — Não fugir. Não bloquear. Isso não é postura de alguém centrada… e você me pareceu ser uma mulher de atitudes.
Ísis não hesitou.
— Ísis… ninguém sustenta um relacionamento mentindo. — disse, simples. — O Alex não é ingênuo. Só tome cuidado. — acrescentou, num tom baixo. — Ele sabe ser cruel quando quer. E, goste você ou não… eu não quero que você saia machucada nessa história.
Ela deu um passo para sair. Leonardo segurou o braço dela. Ísis virou o rosto lentamente, o olhar firme, perigoso.
— Solta. — disse, baixa.
Antes que ele respondesse, uma voz surgiu atrás deles. Grave. Controlada. Carregada de autoridade.
— O que está acontecendo aqui?
Alex estava parado a poucos passos, o olhar fixo na mão de Leonardo segurando o braço de Ísis. O corpo tenso. A expressão fechada. O tipo de calma que antecede tempestades.
O ar pareceu rarefeito. Ísis sentiu o coração disparar. Leonardo soltou o braço dela no mesmo instante.
E o silêncio que se seguiu… foi mais ameaçador do que qualquer grito.
Leonardo foi o primeiro a falar, compondo a voz com naturalidade estudada.
— Não está acontecendo nada, Alex. — disse, sereno demais. — Eu estava indo ao banheiro, sua namorada se distraiu ajeitando o vestido e acabou esbarrando em mim. — fez um gesto leve com a mão. — Só a segurei para não cair.
Alex não respondeu. Apenas virou o olhar para Ísis. Leonardo continuou, sem pressa, como quem sabe exatamente onde pisa.
— Ela sabe o namorado que tem. — acrescentou, com um meio sorriso contido. — Imagino que tenha ficado com medo de você aparecer e interpretar errado. No automático, mandou eu soltar o braço dela. — deu de ombros. — E o que ela temia acabou acontecendo.
Ísis manteve o rosto impassível, mas por dentro tudo tremia.
— Mas está tudo bem. — concluiu Leonardo. — Só… tome mais cuidado, senhorita Ísis.
Alex finalmente falou. A voz saiu baixa. Fria. Sem emoção.
— Obrigado, Leonardo.
Foi tudo.
Ele assentiu de leve, sem sorrir, e seguiu em direção ao banheiro masculino.
Ísis só voltou a respirar quando ele se afastou alguns passos. Alex olhou para ela novamente. Um olhar rápido. Avaliador. Analítico. Como quem arquiva informações.
— Vamos voltar pra festa. — disse.
Ísis assentiu.
— Aham. — respondeu, abrindo um sorriso que parecia no lugar… mas não chegava aos olhos.
E enquanto caminhavam lado a lado, ela teve a certeza incômoda de que Alex não tinha acreditado em tudo. Mas ainda não tinha decidido o que fazer com isso.
Na pista de dança, Frederico estendeu a mão para Olga com um sorriso orgulhoso. Os dois avançaram para o centro da pista, e o gesto foi o sinal para que o resto da família os acompanhasse.
Olívia seguiu com Liam, os dois em perfeita sintonia. Laura foi puxada por Charles, rindo, leve demais para quem carregava tanto por dentro. Felipe conduziu Érica com formalidade impecável. Fabrício envolveu Ana pela cintura, carinhoso, protetor.

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