Antes que Olívia pudesse responder, um empregado se aproximou com discrição.
— Senhor Liam, seu avô o aguarda no salão.
Liam assentiu e Olívia virou-se para ele e lhe deu um selinho rápido.
— Depois conversamos. — disse, baixo.
No estacionamento da cobertura de Bárbara, Victor desligou o carro. Ficou alguns segundos imóvel, respirando fundo, antes de soltar o cinto.
— Está entregue, senhorita ingrata. — disse, abrindo a porta e fazendo um gesto curto com a cabeça, indicando o prédio.
Bárbara secou o rosto com as costas da mão, pegou a bolsa do banco e saiu do carro com um movimento brusco.
— Sobe e compra sua passagem. — falou sem olhá-lo, a voz dura.
Victor apenas a observou por um segundo, fechou a porta do carro e travou o alarme.
— Nossa… — comentou, com um meio sorriso irônico. — Existe mesmo bondade nesse coração?
Ela virou o rosto na direção dele, o olhar afiado.
— Não gosto de dever favores. — respondeu, cruzando os braços. — Vai subir ou não?
Eles subiram em silêncio. Dentro da cobertura, Bárbara largou a bolsa no sofá com impaciência e caminhou até o bar.
— Quer beber alguma coisa? — perguntou por cima do ombro, já pegando uma garrafa.
— Não. — respondeu Victor, indo direto para o sofá. — Só preciso comprar minha passagem. Não quero mais problemas com meu pai.
— Fique à vontade. — disse ela, num tom neutro demais.
Victor sentou-se no sofá, o celular já nas mãos, completamente focado na tela. Bárbara pegou dois copos e voltou do bar. Ao chegar perto, colocou os copos na mesa de centro. Inspirou fundo… e deixou o vestido escorregar lentamente pelo corpo, caindo aos seus pés.
Victor levantou o olhar no mesmo instante, o movimento instintivo.
— O que você está fazendo? — perguntou, sério, o corpo enrijecendo.
Ela deu de ombros, despreocupada, passando a mão pelos cabelos.
— Me livrando de algo que estava me incomodando. — disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Ele desviou o olhar quase imediatamente.
— Assim? Na minha frente? — questionou, mantendo o tom controlado.
Bárbara inclinou-se com intenção, deixando as nádegas voltadas para ele, um sorriso provocador brincando no canto da boca.
— Não é nenhuma novidade o que você está vendo. — respondeu, servindo a bebida com calma. — E eu sou modelo. Já posei até nua.
Victor respirou fundo, voltou os olhos para o celular.
— Eu nem cheguei a te olhar direito. Estava no automático. Minha intenção era somente te ajudar. — disse, sério. — Sou homem, mas tenho respeito pelas mulheres.
— Interessante… — murmurou. — Você gosta de bancar o santinho igual à sua irmã.
Victor ergueu o olhar na hora, agora firme, duro.
— Não fala dela na minha frente. — disse, sem elevar a voz. — Minha irmã tem valores. Princípios. E eu a admiro muito.
Ele fez uma pausa curta. O olhar desceu rápido, involuntário, e voltou para o rosto dela.
— Mas não se engane. — completou, frio. — Quando eu quero… eu sei ser bem cafajeste.
Bárbara sorriu, lenta, provocadora.
— É mesmo? — aproximou-se um pouco. — Agora fiquei curiosa…

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