Edgar respirou fundo antes de falar com a recepcionista, ainda sem tirar os olhos de Olívia.
— Pode se retirar. — disse, num tom firme. — Eu vou atendê-la.
A porta se fechou atrás da recepcionista. Edgar indicou a cadeira à frente da mesa com um gesto contido.
— Sente-se, Olívia. — levantou-se levemente, ajeitando o jaleco. — Quer uma água? Um suco?
— Obrigada, Edgar, não quero nada. — respondeu com educação contida.
Ela sentou-se com calma. Edgar apoiou as mãos na mesa, inclinando-se um pouco para a frente, avaliando-a em silêncio por alguns segundos, como se tentasse entender o que a levara até ali.
— Confesso que estou surpreso com a sua visita. — disse por fim, a voz controlada, mas curiosa.
Olívia manteve a postura ereta. Cruzou as mãos sobre o colo, sustentando o olhar dele sem hesitar.
— Eu não vou demorar. — disse com firmeza. — Para estar aqui, tive que entrar numa loja de perfumes e sair pela outra entrada para despistar os seguranças.
Edgar soltou um breve suspiro pelo nariz e recostou-se na cadeira, passando a mão pelo queixo, pensativo.
— Você não vai ter problemas com o Liam? — perguntou, num tom cauteloso, mais preocupado do que acusatório.
— Depois eu me entendo com ele. — respondeu com calma. — Bem, Edgar… eu vim aqui apenas para tirar uma dúvida.
Ele se ajeitou na cadeira, ficando mais atento
.
— Algum problema com o seu pai? — perguntou. — Ele comentou na festa que tem problemas cardíacos.
Olívia balançou a cabeça lentamente.
— O coração do meu pai está bem, graças a Deus. — fez uma breve pausa. — Mas o coração de outra pessoa está sangrando.
Edgar sentiu o golpe. Ajeitou a gravata, respirando fundo.
— Olívia… me perdoe se eu for indelicado, mas não quero falar sobre a Laura. — disse com frieza controlada. — Ela é uma página virada na minha vida.
Olívia o encarou por alguns segundos antes de falar. O silêncio entre eles não era vazio, era carregado. Quando perguntou, a voz saiu firme, mas controlada.
— Por que você deixou aquela carta para a Laura quando foi embora?
Edgar ficou imóvel por um instante. O olhar dele perdeu o foco, como se a pergunta tivesse puxado algo que ele preferia manter enterrado. Ele se recostou na cadeira lentamente, inspirando fundo antes de responder.
— Carta? — repetiu, surpreso de verdade. — Acho que você se enganou… foi ela quem deixou uma pra mim.
Ele passou a mão pelo rosto, descendo pelos olhos até o maxilar, num gesto de impaciência misturada com lembrança amarga.
— Foi a Laura quem mandou uma freira… a mesma que nos ajudava… — continuou, a voz ficando mais dura a cada palavra. — Ela me entregou a carta quando estava esperando por ela no internato.
Edgar se inclinou um pouco para a frente, os antebraços apoiados na mesa.
— Ela não teve a decência de falar na minha cara que não queria o nosso filho. — engoliu em seco. — Que tinha feito o aborto. Ela sabia que eu nunca permitiria isso… então mandou a freira fazer o serviço por ela.
A última frase saiu carregada de ressentimento antigo. Edgar cerrou o maxilar.

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