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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 206

Edgar respirou fundo antes de falar com a recepcionista, ainda sem tirar os olhos de Olívia.

— Pode se retirar. — disse, num tom firme. — Eu vou atendê-la.

A porta se fechou atrás da recepcionista. Edgar indicou a cadeira à frente da mesa com um gesto contido.

— Sente-se, Olívia. — levantou-se levemente, ajeitando o jaleco. — Quer uma água? Um suco?

— Obrigada, Edgar, não quero nada. — respondeu com educação contida.

Ela sentou-se com calma. Edgar apoiou as mãos na mesa, inclinando-se um pouco para a frente, avaliando-a em silêncio por alguns segundos, como se tentasse entender o que a levara até ali.

— Confesso que estou surpreso com a sua visita. — disse por fim, a voz controlada, mas curiosa.

Olívia manteve a postura ereta. Cruzou as mãos sobre o colo, sustentando o olhar dele sem hesitar.

— Eu não vou demorar. — disse com firmeza. — Para estar aqui, tive que entrar numa loja de perfumes e sair pela outra entrada para despistar os seguranças.

Edgar soltou um breve suspiro pelo nariz e recostou-se na cadeira, passando a mão pelo queixo, pensativo.

— Você não vai ter problemas com o Liam? — perguntou, num tom cauteloso, mais preocupado do que acusatório.

— Depois eu me entendo com ele. — respondeu com calma. — Bem, Edgar… eu vim aqui apenas para tirar uma dúvida.

Ele se ajeitou na cadeira, ficando mais atento

.

— Algum problema com o seu pai? — perguntou. — Ele comentou na festa que tem problemas cardíacos.

Olívia balançou a cabeça lentamente.

— O coração do meu pai está bem, graças a Deus. — fez uma breve pausa. — Mas o coração de outra pessoa está sangrando.

Edgar sentiu o golpe. Ajeitou a gravata, respirando fundo.

— Olívia… me perdoe se eu for indelicado, mas não quero falar sobre a Laura. — disse com frieza controlada. — Ela é uma página virada na minha vida.

Olívia o encarou por alguns segundos antes de falar. O silêncio entre eles não era vazio, era carregado. Quando perguntou, a voz saiu firme, mas controlada.

— Por que você deixou aquela carta para a Laura quando foi embora?

Edgar ficou imóvel por um instante. O olhar dele perdeu o foco, como se a pergunta tivesse puxado algo que ele preferia manter enterrado. Ele se recostou na cadeira lentamente, inspirando fundo antes de responder.

— Carta? — repetiu, surpreso de verdade. — Acho que você se enganou… foi ela quem deixou uma pra mim.

Ele passou a mão pelo rosto, descendo pelos olhos até o maxilar, num gesto de impaciência misturada com lembrança amarga.

— Foi a Laura quem mandou uma freira… a mesma que nos ajudava… — continuou, a voz ficando mais dura a cada palavra. — Ela me entregou a carta quando estava esperando por ela no internato.

Edgar se inclinou um pouco para a frente, os antebraços apoiados na mesa.

— Ela não teve a decência de falar na minha cara que não queria o nosso filho. — engoliu em seco. — Que tinha feito o aborto. Ela sabia que eu nunca permitiria isso… então mandou a freira fazer o serviço por ela.

A última frase saiu carregada de ressentimento antigo. Edgar cerrou o maxilar.

Desligou antes que a recepcionista tivesse tempo de responder. Só então respirou fundo.

Lentamente, puxou o diário para mais perto, como se o simples gesto exigisse coragem. As mãos tremiam. Ainda assim, abriu a capa.

A primeira coisa que viu foi uma fotografia antiga. Ele e Laura, deitados lado a lado, abraçados na cama estreita do quartinho dele. Os dois sorrindo. Felizes. Inteiros.

O ar lhe faltou por um instante. Os dedos apertaram a borda do diário com força, como se precisasse de algo sólido para não se perder ali. Engoliu em seco e começou a ler.

“Hoje, indo ao cinema, ouvi uma voz tão parecida com a do Edgar que meu corpo inteiro reagiu. Por alguns segundos, foi como se o tempo tivesse voltado. Senti falta daquela voz sussurrando no meu ouvido palavras indecentes misturadas a juras de amor, poesias lidas entre um beijo e outro, promessas feitas na pele.

Não suportei. Tive uma crise de ansiedade no meio da rua. É humilhante admitir o quanto ainda sou refém das lembranças.”

No meio do primeiro parágrafo, Edgar fechou os olhos. Aquela descrição… a voz. Ele levou a mão ao próprio rosto, como se pudesse sentir de novo a textura da pele dela sob seus dedos. As poesias. As palavras sussurradas. As promessas que, para ele, tinham sido reais.

Quando leu “tive uma crise de ansiedade no meio da rua”, o peito apertou.

— Meu Deus… — murmurou, quase sem som. — Ela não estava vivendo. Estava sobrevivendo.

E ele nunca soube. Virou as páginas com cuidado, como quem teme o que vem a seguir.

“Hoje senti uma revolta tão grande de mim mesma. Como pude ser tão idiota e acreditar em tudo o que Edgar dizia? Ele só queria subir na vida do jeito mais fácil. E mesmo assim… tudo parecia tão real. Te odeio, Edgar. Ou talvez eu odeie mais a adolescente que fui ao teu lado.”

A revolta dela o atingiu como um tapa.

“Como pude ser tão idiota…”

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