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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 207

Edgar sentiu o rosto queimar. Não de raiva, de vergonha. Ela duvidava de si mesma. Ele tinha passado anos duvidando dela, alimentando ódio por ela.

Quando leu “ou talvez eu odeie mais a adolescente que fui ao teu lado”, o estômago revirou. Laura não o odiava apenas. Ela se culpava por ter amado.

Ele encostou as costas na cadeira, respirando fundo.

— Eu nunca quis subir na vida às suas custas… — sussurrou, como se ela pudesse ouvir.

Mas as palavras já estavam escritas. E doíam.

“Acabei de chegar do hotel. Transei com um carinha que conheci na balada. Ele quis dormir abraçado comigo, me vesti e logo fui embora. Só dormi com um embuste e foi o suficiente para arruinar minha vida. Nunca mais caio na lábia de um homem. O momento foi bom, mas meu corpo ainda procura os toques do Edgar. Isso é doentio, eu sei. Mas depois de tantos anos… ainda não consegui esquecê-lo.”

Edgar fechou o diário por um segundo. Passou a mão pelos cabelos, nervoso.

Reabriu. Leu tudo. Cada linha.

A tentativa dela de seguir em frente. O sexo vazio. A fuga. Quando chegou em “meu corpo ainda procura os toques do Edgar”, sentiu um nó duro se formar na garganta.

Não era vaidade. Era culpa. Ela estava presa a ele… enquanto ele acreditava que tinha sido descartado.

— Isso não é justo… — murmurou, com a voz rouca. — Nada disso foi.

Mas virou as páginas.

“Hoje é Dia das Mães. Como eu queria estar comemorando com o meu filho. Ele já seria um menininho lindo ou uma menininha. Até hoje não sei como consegui sobreviver à dor de perder meu bebê sozinha. Edgar não cumpriu a promessa de me proteger. Nem a mim, nem ao nosso filho. Nunca vou perdoá-lo por ter me mandado abortar naquela carta. Por ter fingido que queria o nosso bebê. Por ter ido embora com outra mulher.”

Essa página ele leu mais devagar. E parou.

Dia das Mães.

O coração falhou uma batida. Quando leu “perder meu bebê sozinha”, Edgar sentiu as pernas enfraquecerem. Precisou apoiar o cotovelo na mesa.

Sozinha. A palavra ecoou.

Ele voltou os olhos para a frase. Leu de novo. Mais devagar.

— Perder…? — murmurou, a voz quase inexistente. — Como assim perder?

Engoliu em seco. A lembrança da carta veio como um soco.

— Na carta… — continuou, atordoado — … você disse que abortou. — fechou os olhos por um instante. — Na clínica, você me disse que matou o nosso filho.

Abriu os olhos de novo, fixos no diário, como se ele pudesse responder.

— Então por que isso aqui não soa como escolha? — a voz falhou. — Por que isso soa como alguém que foi deixada sozinha… sangrando… enquanto eu acreditava numa versão que nunca foi sua?

O silêncio do consultório pareceu se fechar ao redor dele.

— O que foi que fizeram com você, Loirinha? — sussurrou, quebrado.

Ele leu tudo novamente, com calma. E então veio a frase que partiu algo dentro dele.

“Nunca vou perdoá-lo por ter me mandado abortar.”

— Eu nunca… — a voz falhou. — Eu nunca mandei…

Edgar fechou os olhos com força, como se tentasse expulsar a lembrança à força.

A carta.

A freira.

— Você nunca deixou de me amar… — murmurou, com a voz quebrada. — E eu te deixei acreditando que tinha sido descartado.

Ele levou a mão ao rosto e, dessa vez, não tentou se conter. O choro veio sofrido, fundo, arrancado do peito. Não explosivo, mas devastador.

Os ombros estremeceram. A respiração falhou. Edgar se curvou sobre a mesa, como se o próprio corpo não aguentasse o peso daquela verdade.

— Eu te abandonei acreditando que você me destruiu… — repetiu, a voz quebrada, quase irreconhecível. — E fui eu quem te deixou sangrar.

Passou a mão pelo rosto molhado, sem limpar as lágrimas, apenas espalhando-as.

— Agora eu entendo… — continuou, com dificuldade. — A sua revolta. As suas acusações. As suas atitudes. — engoliu em seco. — Tudo faz sentido…

Ele respirou fundo, tentando se recompor, mas o nó no peito não cedia.

— Me perdoa por não ter lutado… — sussurrou, a voz embargada. — Por ter acreditado naquela carta e não no seu amor. Por não ter voltado. Por não ter te esperado para te ouvir. — engoliu em seco. — Eu sou um monstro.

De repente, o controle se perdeu. Edgar fechou o diário com força. Pegou-o num movimento brusco, junto com o celular e a pasta sobre a mesa. Não tirou o jaleco. Não desligou o computador. Não olhou para mais nada.

Saiu do consultório como estava. Sem olhar para trás.

No corredor, a recepcionista levantou-se assustada ao vê-lo passar daquele jeito, o rosto fechado, os passos largos.

— Doutor Edgar… — chamou, apressada, indo atrás dele. — O senhor não vai mais atender? Cancelo as consultas? O senhor vai para o hospital?

Ele não respondeu.

A recepcionista parou no meio do corredor, observando as portas do elevador se fecharem lentamente.

— O que deu nele? — murmurou, atônita. — Pra onde ele vai?

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