Edgar sentiu o rosto queimar. Não de raiva, de vergonha. Ela duvidava de si mesma. Ele tinha passado anos duvidando dela, alimentando ódio por ela.
Quando leu “ou talvez eu odeie mais a adolescente que fui ao teu lado”, o estômago revirou. Laura não o odiava apenas. Ela se culpava por ter amado.
Ele encostou as costas na cadeira, respirando fundo.
— Eu nunca quis subir na vida às suas custas… — sussurrou, como se ela pudesse ouvir.
Mas as palavras já estavam escritas. E doíam.
“Acabei de chegar do hotel. Transei com um carinha que conheci na balada. Ele quis dormir abraçado comigo, me vesti e logo fui embora. Só dormi com um embuste e foi o suficiente para arruinar minha vida. Nunca mais caio na lábia de um homem. O momento foi bom, mas meu corpo ainda procura os toques do Edgar. Isso é doentio, eu sei. Mas depois de tantos anos… ainda não consegui esquecê-lo.”
Edgar fechou o diário por um segundo. Passou a mão pelos cabelos, nervoso.
Reabriu. Leu tudo. Cada linha.
A tentativa dela de seguir em frente. O sexo vazio. A fuga. Quando chegou em “meu corpo ainda procura os toques do Edgar”, sentiu um nó duro se formar na garganta.
Não era vaidade. Era culpa. Ela estava presa a ele… enquanto ele acreditava que tinha sido descartado.
— Isso não é justo… — murmurou, com a voz rouca. — Nada disso foi.
Mas virou as páginas.
“Hoje é Dia das Mães. Como eu queria estar comemorando com o meu filho. Ele já seria um menininho lindo ou uma menininha. Até hoje não sei como consegui sobreviver à dor de perder meu bebê sozinha. Edgar não cumpriu a promessa de me proteger. Nem a mim, nem ao nosso filho. Nunca vou perdoá-lo por ter me mandado abortar naquela carta. Por ter fingido que queria o nosso bebê. Por ter ido embora com outra mulher.”
Essa página ele leu mais devagar. E parou.
Dia das Mães.
O coração falhou uma batida. Quando leu “perder meu bebê sozinha”, Edgar sentiu as pernas enfraquecerem. Precisou apoiar o cotovelo na mesa.
Sozinha. A palavra ecoou.
Ele voltou os olhos para a frase. Leu de novo. Mais devagar.
— Perder…? — murmurou, a voz quase inexistente. — Como assim perder?
Engoliu em seco. A lembrança da carta veio como um soco.
— Na carta… — continuou, atordoado — … você disse que abortou. — fechou os olhos por um instante. — Na clínica, você me disse que matou o nosso filho.
Abriu os olhos de novo, fixos no diário, como se ele pudesse responder.
— Então por que isso aqui não soa como escolha? — a voz falhou. — Por que isso soa como alguém que foi deixada sozinha… sangrando… enquanto eu acreditava numa versão que nunca foi sua?
O silêncio do consultório pareceu se fechar ao redor dele.
— O que foi que fizeram com você, Loirinha? — sussurrou, quebrado.
Ele leu tudo novamente, com calma. E então veio a frase que partiu algo dentro dele.
“Nunca vou perdoá-lo por ter me mandado abortar.”
— Eu nunca… — a voz falhou. — Eu nunca mandei…
Edgar fechou os olhos com força, como se tentasse expulsar a lembrança à força.
A carta.
A freira.
— Você nunca deixou de me amar… — murmurou, com a voz quebrada. — E eu te deixei acreditando que tinha sido descartado.
Ele levou a mão ao rosto e, dessa vez, não tentou se conter. O choro veio sofrido, fundo, arrancado do peito. Não explosivo, mas devastador.
Os ombros estremeceram. A respiração falhou. Edgar se curvou sobre a mesa, como se o próprio corpo não aguentasse o peso daquela verdade.
— Eu te abandonei acreditando que você me destruiu… — repetiu, a voz quebrada, quase irreconhecível. — E fui eu quem te deixou sangrar.
Passou a mão pelo rosto molhado, sem limpar as lágrimas, apenas espalhando-as.
— Agora eu entendo… — continuou, com dificuldade. — A sua revolta. As suas acusações. As suas atitudes. — engoliu em seco. — Tudo faz sentido…
Ele respirou fundo, tentando se recompor, mas o nó no peito não cedia.
— Me perdoa por não ter lutado… — sussurrou, a voz embargada. — Por ter acreditado naquela carta e não no seu amor. Por não ter voltado. Por não ter te esperado para te ouvir. — engoliu em seco. — Eu sou um monstro.
De repente, o controle se perdeu. Edgar fechou o diário com força. Pegou-o num movimento brusco, junto com o celular e a pasta sobre a mesa. Não tirou o jaleco. Não desligou o computador. Não olhou para mais nada.
Saiu do consultório como estava. Sem olhar para trás.
No corredor, a recepcionista levantou-se assustada ao vê-lo passar daquele jeito, o rosto fechado, os passos largos.
— Doutor Edgar… — chamou, apressada, indo atrás dele. — O senhor não vai mais atender? Cancelo as consultas? O senhor vai para o hospital?
Ele não respondeu.
A recepcionista parou no meio do corredor, observando as portas do elevador se fecharem lentamente.
— O que deu nele? — murmurou, atônita. — Pra onde ele vai?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...