Edgar respirou fundo, virava as páginas com cuidado.
“Descobri que Edgar é casado com Marcela.
E que tem uma filha. Meu mundo desmoronou. Ele sempre me dizia que não havia nada entre eles.E agora surge casado… e pai.
Não suportei.
Tive uma crise forte de ansiedade na rua. Quando acordei, estava no hospital.
Como ele pôde fazer isso comigo? Como pôde ser tão cruel?
Depois de anos, aparece dizendo que vai cumprir promessas…quando a vida dele já seguiu. Eu te odeio, Edgar. Nunca vou te perdoar.”
Edgar permaneceu ali, em silêncio, olhando para o lago sem realmente enxergar nada. A garganta fechada. O peito ardendo.
— Eu te entendo… — sussurrou, a voz rouca. — No seu lugar, também não perdoaria.
Uma lágrima caiu no papel. Ele não se moveu para limpá-la.
Sentado ali no meio da cidade que nunca para, Edgar entendeu com clareza cruel que
Laura não ficou presa ao passado. Ela foi abandonada dentro dele.
“Cuidei da cachorrinha da Luna. Que loucura isso. Não sei como consegui respirar o mesmo ar que a Marcela, mas a menina não tem culpa de nada.
Edgar apareceu na clínica. Eu quis feri-lo. Falei mesmo que havia dormido com vários homens. Mas ele logo descobriu quando transamos. Ele estava tão carinhoso… e, por mais absurdo que seja admitir, eu adorei quando ele disse que não se importava, que eu estava o procurando neles.
Não demoramos muito juntos, mas o que vale não é o tempo, é a intensidade. Queria que a gente desse certo. Queria de verdade. Mas o destino não nos quer juntos.
Eu não vou mais esperar por ele. Vou matar esse amor que carrego há anos. Ele estragou tudo quando disse que, querendo ou não, agora eu ficaria com ele. Disse isso porque gozou em mim. Teve a coragem de falar que tínhamos feito nosso filho.
Como assim? Será que ele não percebe o quanto isso me fere? Depois de mandar eu abortar, depois de me obrigar a tomar a pílula do dia seguinte, depois de ter tido uma filha com outra mulher… agora resolveu mudar de ideia? Agora quer um filho comigo?
Agora que é tarde demais. Como ele pode dizer que me respeita? Falei mesmo que matei nosso filho. E que faria novamente.
Queria vê-lo sangrando… assim como eu estou sangrando.
Filho, me perdoa aí do céu, por ter falado isso. Mamãe nunca te mataria. Eu te queria mais do que tudo nessa vida. Eu sei que não tinha juízo nenhum, que teria que mudar e abrir mão de muitas coisas… mas faria isso por você.
Edgar, definitivamente eu te odeio.E quero você longe de mim.”
Ele fechou o diário contra o peito e apoiou a testa nele. O choro veio sofrido. Silencioso. Profundo. Não era desespero. Era luto.
— Não fomos nós que nos destruímos… — disse, com dificuldade. — Quem fez isso com a gente?
Depois de um tempo assim, Edgar olhou para o lago, respirou fundo e abriu o diário novamente, justamente onde estava a folha dobrada.
— Ela ainda guarda as coisas que eu escrevia pra ela.
Edgar vai desdobrar a folha e vai estreitar os olhos quando começar a ler.
“Laura,
Talvez você ache isso duro, mas eu nunca fui totalmente honesto com você. Agora que esse jogo acabou, não vejo mais motivo para fingir.
Desde o começo, meu plano era simples: fazer você se apaixonar por mim.
Eu sabia que, se você engravidasse, sua mãe não teria escolha a não ser aceitar o casamento. Teria que engolir o negro, pobre, filho do jardineiro. Seu pai já gostava de mim. Ele sempre quis alguém para continuar o legado que os próprios filhos nunca quiseram.
Eu vi nisso uma oportunidade.
Você era adolescente, impressionável, e fez exatamente o que eu esperava. Não precisei forçar nada. Bastou deixar que você acreditasse que aquilo era amor.
Mas, com o tempo, ficou claro que você era mimada demais. Revoltada demais. Imatura.
Nunca me satisfez de verdade.
Tudo com você era fácil demais. Raso demais.
A gravidez nunca foi sobre você.
Era só um meio. Um caminho para eu subir na vida.
Só que agora não vale mais a pena.
Eu encontrei alguém melhor. Uma mulher de verdade. Alguém que pode me dar tudo o que eu quero sem que eu precise usar um filho como moeda de troca.

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