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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 27

Olívia não respondeu, mas o choro ficou mais intenso, o peito subindo e descendo num ritmo pesado.

— Chora, vai — insistiu Ísis, num sussurro. — Coloca pra fora esse nó que está te sufocando. Ninguém aqui vai te julgar. — Deu um pequeno sorriso triste. — E olha… pode confiar em mim. Eu sei guardar segredos melhor do que receitas. — Fez uma pausa curta, o olhar firme. — Ele não vai saber de nada. Se esse é o teu medo. Eu só quero te ajudar.

A voz dela era uma mistura de leveza e convicção, um equilíbrio raro entre a força de quem já viu muita dor e a doçura de quem ainda acredita que carinho cura.

Olívia chorou por um bom tempo. Quando conseguiu se acalmar, limpou o rosto com o lenço que Ísis estendeu e falou com a voz fraca.

— Eu sei que você quer ajudar, e te agradeço de coração. Mas tem coisa que não tem solução, sabe? A gente só aprende a aceitar. Principalmente quando tomamos atitudes no calor do momento. Sem pensar em alternativas.

Ísis olhou pra ela com expressão triste, mas firme.

— A única coisa que não tem solução é a morte, Olívia. — disse simples, mas com peso. — Essa, sim, vem e pronto. O resto a gente sempre dá um jeito.

Olívia ergueu os olhos, curiosa com aquele tom.

— Você fala como quem perdeu alguém.

Ísis respirou fundo.

— Perdi — respondeu, sem floreio. — Foi rápido. Um dia estava tudo bem, no outro… acabou. A pessoa simplesmente não estava mais aqui. E aí a gente entende que o resto, por pior que seja, dá pra resolver. Só a morte não. Ela vem sem avisar, quando menos esperamos.

Olívia abaixou o olhar, com os olhos cheios d’água de novo.

— Eu sinto muito, de verdade. Deve ter sido horrível. Eu quase perdi meu pai. Ele tem problema no coração… achei que o mundo ia acabar. Ele é tudo pra mim.

Ísis assentiu, como quem entende sem precisar de mais palavras.

O celular dela vibrou no bolso do uniforme. Ísis pegou, leu a mensagem e murmurou.

— Ai, meu Deus… como é que eu vou conseguir isso agora? — levantou num pulo. — Espera só um minutinho, tá? Já volto!

Saiu apressada.

Olívia ficou sozinha no quarto, tentando se recompor, quando o próprio celular vibrou ao lado. Era uma chamada de vídeo. Ao atender, o rosto de Victor apareceu na tela, sorridente.

— Mas olha essa cara de choro, hein? — disse, rindo. — O que foi agora? O que meu cunhado fez? Pode falar que meto a porrada nele.

Olívia respirou fundo e disfarçou.

— Adivinha.

— Me recuso a acreditar que você está vendo aquele seu filme preferido de novo, em plena lua de mel — zombou.

— Pode acreditar — respondeu ela, tentando rir. — E eu estou na terceira vez. De ontem pra hoje.

Victor balançou a cabeça.

— Inacreditável! Cadê o seu marido, hein? O cara sumiu? Era pra vocês estarem, sei lá, se curtindo, viajando… fazendo sexo.

Olívia corou.

— Victor! Isso é coisa que se fala pra sua irmã?

Ele deu uma gargalhada.

— Ué, Liv, você casou! Era virgem até ontem, agora devia estar namorando o tempo todo! — provocou, divertido. — Um mulherão desses, se fosse comigo, eu não te deixava descansar.

— Para, Victor, você está me deixando sem graça — reclamou, mas acabou rindo junto.

— Sabe que eu te amo, né? — disse ele, o tom mais carinhoso.

— Eu sei. E eu te amo muito mais. Só precisa criar juízo e arrumar uma mulher que te coloque na linha.

Victor fingiu pensar.

— Que mulher, o quê... A romântica da família é você Liv. E depois da última, que você sabe muito bem o que é, estou de boa — respondeu. — Já aprendi a lição.

— Assim espero. Se não, eu mesma te mato.

— Tá bom, bravinha. Vou voltar pro trabalho, só liguei pra ver se você estava bem. Beijo, te amo.

— Beijo, te amo também — disse, sorrindo, e encerrou a ligação.

Pouco depois, Ísis voltou pro quarto nervosa, coçando a cabeça e um ar apressado.

— Aham, claro — respondeu Olívia, rindo. — Vai logo antes que eu desista.

Minutos depois, Olívia desceu as escadas já pronta. Quando abriu a porta, encontrou Ísis do lado de fora, encostada na mureta, mexendo no celular.

— Até que enfim, hein? — brincou Ísis, sorrindo. — Já estava achando que tinha desistido.

— Demorei pra achar coragem — respondeu Olívia, rindo de leve. — Vamos logo antes que eu mude de ideia.

As duas começaram a andar até o portão, mas o motorista apareceu, apressado, ajeitando a gravata.

— Senhora, vai sair? — perguntou educado. — Só me avisa o destino que eu levo.

Olívia sorriu, tentando ser simpática.

— Não precisa, o Uber já está me esperando lá fora.

O homem hesitou.

— Mas senhora?

— Goodbye — respondeu ela, abrindo o portão. — Vamos, Ísis.

As duas saíram e seguiram até o carro estacionado na calçada. O motorista as observou entrar e, logo em seguida, pegou o celular do bolso do terno.

— Senhor Liam? — disse assim que ele atendeu. — Desculpe incomodar, mas a senhora Olívia saiu e não aceitou que eu a levasse. Foi de Uber.

Do outro lado da linha, silêncio por um segundo. Depois, o som seco da ligação encerrada.

Dentro do carro, o celular de Olívia tocou.

Ísis lançou um olhar curioso, mas ficou quieta.

Olívia respirou fundo e atendeu.

A voz de Liam veio firme, fria, sem rodeios.

— Volta agora. Ouviu?

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