Olívia não respondeu, mas o choro ficou mais intenso, o peito subindo e descendo num ritmo pesado.
— Chora, vai — insistiu Ísis, num sussurro. — Coloca pra fora esse nó que está te sufocando. Ninguém aqui vai te julgar. — Deu um pequeno sorriso triste. — E olha… pode confiar em mim. Eu sei guardar segredos melhor do que receitas. — Fez uma pausa curta, o olhar firme. — Ele não vai saber de nada. Se esse é o teu medo. Eu só quero te ajudar.
A voz dela era uma mistura de leveza e convicção, um equilíbrio raro entre a força de quem já viu muita dor e a doçura de quem ainda acredita que carinho cura.
Olívia chorou por um bom tempo. Quando conseguiu se acalmar, limpou o rosto com o lenço que Ísis estendeu e falou com a voz fraca.
— Eu sei que você quer ajudar, e te agradeço de coração. Mas tem coisa que não tem solução, sabe? A gente só aprende a aceitar. Principalmente quando tomamos atitudes no calor do momento. Sem pensar em alternativas.
Ísis olhou pra ela com expressão triste, mas firme.
— A única coisa que não tem solução é a morte, Olívia. — disse simples, mas com peso. — Essa, sim, vem e pronto. O resto a gente sempre dá um jeito.
Olívia ergueu os olhos, curiosa com aquele tom.
— Você fala como quem perdeu alguém.
Ísis respirou fundo.
— Perdi — respondeu, sem floreio. — Foi rápido. Um dia estava tudo bem, no outro… acabou. A pessoa simplesmente não estava mais aqui. E aí a gente entende que o resto, por pior que seja, dá pra resolver. Só a morte não. Ela vem sem avisar, quando menos esperamos.
Olívia abaixou o olhar, com os olhos cheios d’água de novo.
— Eu sinto muito, de verdade. Deve ter sido horrível. Eu quase perdi meu pai. Ele tem problema no coração… achei que o mundo ia acabar. Ele é tudo pra mim.
Ísis assentiu, como quem entende sem precisar de mais palavras.
O celular dela vibrou no bolso do uniforme. Ísis pegou, leu a mensagem e murmurou.
— Ai, meu Deus… como é que eu vou conseguir isso agora? — levantou num pulo. — Espera só um minutinho, tá? Já volto!
Saiu apressada.
Olívia ficou sozinha no quarto, tentando se recompor, quando o próprio celular vibrou ao lado. Era uma chamada de vídeo. Ao atender, o rosto de Victor apareceu na tela, sorridente.
— Mas olha essa cara de choro, hein? — disse, rindo. — O que foi agora? O que meu cunhado fez? Pode falar que meto a porrada nele.
Olívia respirou fundo e disfarçou.
— Adivinha.
— Me recuso a acreditar que você está vendo aquele seu filme preferido de novo, em plena lua de mel — zombou.
— Pode acreditar — respondeu ela, tentando rir. — E eu estou na terceira vez. De ontem pra hoje.
Victor balançou a cabeça.
— Inacreditável! Cadê o seu marido, hein? O cara sumiu? Era pra vocês estarem, sei lá, se curtindo, viajando… fazendo sexo.
Olívia corou.
— Victor! Isso é coisa que se fala pra sua irmã?
Ele deu uma gargalhada.
— Ué, Liv, você casou! Era virgem até ontem, agora devia estar namorando o tempo todo! — provocou, divertido. — Um mulherão desses, se fosse comigo, eu não te deixava descansar.
— Para, Victor, você está me deixando sem graça — reclamou, mas acabou rindo junto.
— Sabe que eu te amo, né? — disse ele, o tom mais carinhoso.
— Eu sei. E eu te amo muito mais. Só precisa criar juízo e arrumar uma mulher que te coloque na linha.
Victor fingiu pensar.
— Que mulher, o quê... A romântica da família é você Liv. E depois da última, que você sabe muito bem o que é, estou de boa — respondeu. — Já aprendi a lição.
— Assim espero. Se não, eu mesma te mato.
— Tá bom, bravinha. Vou voltar pro trabalho, só liguei pra ver se você estava bem. Beijo, te amo.
— Beijo, te amo também — disse, sorrindo, e encerrou a ligação.
Pouco depois, Ísis voltou pro quarto nervosa, coçando a cabeça e um ar apressado.



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