Vânia hesitou por um momento, o semblante suavizando, como quem pisa em terreno delicado.
— Isso… só ele pode te contar, minha menina. — respondeu, num tom sereno, mas cheio de significado. — O que posso dizer é que ninguém se fecha desse jeito sem motivo.
O silêncio da cozinha se estendeu por alguns segundos, até que o mordomo entrou segurando o celular.
— Vânia, já fiz a lista do que está faltando na despensa. Vou resolver umas ordens do senhor Liam e depois passo no supermercado. Precisa de algo?
Ele ergueu o olhar e viu Olívia sentada à mesa.
— Bom dia, senhora. — disse,acenando com a cabeça. — Deseja que eu compre algo específico?
Olívia o observava desde quando entrou.
— Não, muito obrigada. Qual é o seu nome?
— Thomas, senhora.
— Thomas — repetiu, num tom cordial. — quero agradecer por ter me defendido… e pedir desculpas, pois a Bárbara foi grosseira com você. Eu não admito desrespeito com funcionários. E, por favor, não precisa me chamar de “senhora”.
Ele manteve o semblante sereno.
— Não precisa agradecer, senhora. Estava apenas fazendo meu trabalho. Sempre que precisar, estarei à disposição. Com licença.
Olívia assentiu com um leve sorriso. Ele se afastou, e o som dos passos ecoou até desaparecer no corredor.
Ela olhou o prato à frente e nada parecia apetitoso. Tomou um gole de suco e empurrou o copo de volta para o centro da mesa.
— Não vai comer nada, minha menina? — perguntou Vânia, observando-a com preocupação.
— Não desce nada. — olívia balançou a cabeça. — Estou muito enjoada. E o Liam? Já foi pra empresa?
— Saiu cedo para mais uma viagem. Voltar daqui a uma semana — respondeu Vânia, enxugando as mãos no pano.
— Verdade… — Olívia murmurou, sem graça. — era pra eu ter dito “viagem”, não “empresa”.
Levantou-se, ajeitando a cadeira.
— Vou pro meu quarto, tentar descansar um pouco.
Vânia a observou sair da cozinha com passos lentos. Havia uma tristeza no ar que nem o sol da manhã conseguia dissipar.
Dois dias se passaram.
O tempo parecia arrastar-se na mansão, os dias pareceriam intermináveis. Olívia quase não saía do quarto. As cortinas permaneciam entreabertas, deixando entrar uma luz pálida. A bandeja do almoço, intocada, ainda estava sobre o aparador.
Um leve toque na porta quebrou o silêncio.
— Pode entrar — murmurou ela, sem desviar os olhos da televisão.
Ísis abriu a porta devagar. A cena a fez suspirar alto: Olívia sentada no meio da cama, com o controle remoto numa mão e uma caixa de lenços na outra. Os olhos vermelhos denunciavam o que o rosto tentava esconder.
— Pelo amor de deus, Olívia! — exclamou Ísis, entrando. — Tem dois dias que você não come direito. E só fica aqui, vendo filme e chorando.
Olívia deu um leve sorriso cansado.
— Eu não posso voltar a trabalhar agora. Estou com muito enjôo, desanimada pra tudo… os filmes pelo menos me distraem. — limpou as lágrimas. — E neles, os finais são felizes.
Ísis cruzou os braços.
— Esses filmes estão te deixando cada vez mais deprê. — olhou pra tela e revirou os olhos. — Você já viu isso umas três vezes.
— É meu favorito, Ok? — Olívia sorriu de leve. — Darcy e Elizabeth se odeiam, mas depois ficam juntos. Ela é tão à frente do tempo dela. Esse filme é um clássico!
Ísis balançou a cabeça.
— Viu? — disse olívia, quase aliviada. — Deve estar em reunião. Por isso não perco meu tempo ligando. Meu marido é um homem muito ocupado… esse é o preço de ser esposa de um CEO.
— Você e o bebê são mais importante que uma reunião. — Ísis apertou “ligar” de novo.
No terceiro toque, a voz dele surgiu fria, impaciente.
— Fala rápido, estou numa reunião.
Olívia endireitou o corpo na cama.
— Eu só queria que você me passasse o número do — mas antes que terminasse, ouviu uma voz feminina ao fundo, suave e provocante.
— Gostosão prefere preservativo de morango ou o de uva?
Houve um breve silêncio. Então, a linha caiu. Ele havia desligado.
O quarto ficou mudo. O filme continuava passando, mas Olívia não via nada. Ísis ainda segurava o celular, atônita.
— Me perdoa — murmurou. — Eu só quis ajudar.
Olívia não respondeu. Os olhos estavam fixos na televisão, mas ela não via a tela. Via apenas a lembrança do som, a voz feminina, a frieza dele.
— Tem certeza que não quer conversar? — Insistiu Ísis, com cuidado.
— Amo essa parte do filme — respondeu Olívia, num tom baixo, quase automático. — Ela vai recusar o pedido do Darcy. Ele foi arrogante, confesso,mas fiquei com pena dele. Aliás, com pena dos dois.
Olívia respirou fundo, tentando segurar o choro, mas ele veio mesmo assim, silencioso.
Ísis se levantou devagar, deu a volta na cama e sentou ao lado dela. Por alguns segundos, ficou em silêncio, observando o rosto de Olívia. O olhar perdido, os lábios trêmulos, as lágrimas que insistiam em cair mesmo quando ela tentava disfarçar. Então, sem dizer nada, passou o braço por cima dos ombros da dela e a puxou para um abraço apertado, quente, firme.
— Ei… — murmurou, num tom suave. — Você não precisa ser forte o tempo todo, está ouvindo? — Afagou os cabelos de Olívia, sentindo o corpo dela estremecer. — Às vezes, a gente só precisa desabar pra depois conseguir levantar de novo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...