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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 26

Vânia hesitou por um momento, o semblante suavizando, como quem pisa em terreno delicado.

— Isso… só ele pode te contar, minha menina. — respondeu, num tom sereno, mas cheio de significado. — O que posso dizer é que ninguém se fecha desse jeito sem motivo.

O silêncio da cozinha se estendeu por alguns segundos, até que o mordomo entrou segurando o celular.

— Vânia, já fiz a lista do que está faltando na despensa. Vou resolver umas ordens do senhor Liam e depois passo no supermercado. Precisa de algo?

Ele ergueu o olhar e viu Olívia sentada à mesa.

— Bom dia, senhora. — disse,acenando com a cabeça. — Deseja que eu compre algo específico?

Olívia o observava desde quando entrou.

— Não, muito obrigada. Qual é o seu nome?

— Thomas, senhora.

— Thomas — repetiu, num tom cordial. — quero agradecer por ter me defendido… e pedir desculpas, pois a Bárbara foi grosseira com você. Eu não admito desrespeito com funcionários. E, por favor, não precisa me chamar de “senhora”.

Ele manteve o semblante sereno.

— Não precisa agradecer, senhora. Estava apenas fazendo meu trabalho. Sempre que precisar, estarei à disposição. Com licença.

Olívia assentiu com um leve sorriso. Ele se afastou, e o som dos passos ecoou até desaparecer no corredor.

Ela olhou o prato à frente e nada parecia apetitoso. Tomou um gole de suco e empurrou o copo de volta para o centro da mesa.

— Não vai comer nada, minha menina? — perguntou Vânia, observando-a com preocupação.

— Não desce nada. — olívia balançou a cabeça. — Estou muito enjoada. E o Liam? Já foi pra empresa?

— Saiu cedo para mais uma viagem. Voltar daqui a uma semana — respondeu Vânia, enxugando as mãos no pano.

— Verdade… — Olívia murmurou, sem graça. — era pra eu ter dito “viagem”, não “empresa”.

Levantou-se, ajeitando a cadeira.

— Vou pro meu quarto, tentar descansar um pouco.

Vânia a observou sair da cozinha com passos lentos. Havia uma tristeza no ar que nem o sol da manhã conseguia dissipar.

Dois dias se passaram.

O tempo parecia arrastar-se na mansão, os dias pareceriam intermináveis. Olívia quase não saía do quarto. As cortinas permaneciam entreabertas, deixando entrar uma luz pálida. A bandeja do almoço, intocada, ainda estava sobre o aparador.

Um leve toque na porta quebrou o silêncio.

— Pode entrar — murmurou ela, sem desviar os olhos da televisão.

Ísis abriu a porta devagar. A cena a fez suspirar alto: Olívia sentada no meio da cama, com o controle remoto numa mão e uma caixa de lenços na outra. Os olhos vermelhos denunciavam o que o rosto tentava esconder.

— Pelo amor de deus, Olívia! — exclamou Ísis, entrando. — Tem dois dias que você não come direito. E só fica aqui, vendo filme e chorando.

Olívia deu um leve sorriso cansado.

— Eu não posso voltar a trabalhar agora. Estou com muito enjôo, desanimada pra tudo… os filmes pelo menos me distraem. — limpou as lágrimas. — E neles, os finais são felizes.

Ísis cruzou os braços.

— Esses filmes estão te deixando cada vez mais deprê. — olhou pra tela e revirou os olhos. — Você já viu isso umas três vezes.

— É meu favorito, Ok? — Olívia sorriu de leve. — Darcy e Elizabeth se odeiam, mas depois ficam juntos. Ela é tão à frente do tempo dela. Esse filme é um clássico!

Ísis balançou a cabeça.

— Viu? — disse olívia, quase aliviada. — Deve estar em reunião. Por isso não perco meu tempo ligando. Meu marido é um homem muito ocupado… esse é o preço de ser esposa de um CEO.

— Você e o bebê são mais importante que uma reunião. — Ísis apertou “ligar” de novo.

No terceiro toque, a voz dele surgiu fria, impaciente.

— Fala rápido, estou numa reunião.

Olívia endireitou o corpo na cama.

— Eu só queria que você me passasse o número do — mas antes que terminasse, ouviu uma voz feminina ao fundo, suave e provocante.

— Gostosão prefere preservativo de morango ou o de uva?

Houve um breve silêncio. Então, a linha caiu. Ele havia desligado.

O quarto ficou mudo. O filme continuava passando, mas Olívia não via nada. Ísis ainda segurava o celular, atônita.

— Me perdoa — murmurou. — Eu só quis ajudar.

Olívia não respondeu. Os olhos estavam fixos na televisão, mas ela não via a tela. Via apenas a lembrança do som, a voz feminina, a frieza dele.

— Tem certeza que não quer conversar? — Insistiu Ísis, com cuidado.

— Amo essa parte do filme — respondeu Olívia, num tom baixo, quase automático. — Ela vai recusar o pedido do Darcy. Ele foi arrogante, confesso,mas fiquei com pena dele. Aliás, com pena dos dois.

Olívia respirou fundo, tentando segurar o choro, mas ele veio mesmo assim, silencioso.

Ísis se levantou devagar, deu a volta na cama e sentou ao lado dela. Por alguns segundos, ficou em silêncio, observando o rosto de Olívia. O olhar perdido, os lábios trêmulos, as lágrimas que insistiam em cair mesmo quando ela tentava disfarçar. Então, sem dizer nada, passou o braço por cima dos ombros da dela e a puxou para um abraço apertado, quente, firme.

— Ei… — murmurou, num tom suave. — Você não precisa ser forte o tempo todo, está ouvindo? — Afagou os cabelos de Olívia, sentindo o corpo dela estremecer. — Às vezes, a gente só precisa desabar pra depois conseguir levantar de novo.

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