Frederico entrou no carro, acomodando-se no banco traseiro. O motorista aguardava em silêncio, mas ele fez um gesto para não dar partida. Pegou o celular, observou o visor por alguns segundos e, com calma, começou a gravar um áudio.
“Liam… acabei de sair da sua mansão.”
(pausa breve)
“Conheci a sua esposa. E devo admitir… ela é encantadora. Educada, articulada, sabe exatamente o que dizer na hora certa. Talvez até demais.”
(um leve riso rouco, irônico)
“Estou… sem palavras com a forma que o amor de vocês surgiu em tão pouco tempo.”
(pausa mais longa, tom levemente mais sério)
“Curioso… ela estava sem aliança.”
(risada contida, fria)
“O rapaz da loja, devo supor que era algum amigo?”
(pausa breve, voz firme)
“De qualquer forma, foi… interessante conhecer a senhora Holt.
(suspira leve, o tom muda para algo quase paternal, mas frio)
“Espero que tudo isso seja real Liam, caso contrário, não vai ser ela quem vai pagar o preço.”
(pequena pausa)
“Vai ser você.”
(som do toque na tela — fim da gravação)
Liam ouviu o áudio na mesma hora e ficou em silêncio.
Do outro lado, Frederico permaneceu observando o celular por alguns instantes, pensativo.
Em seguida, fez um leve sinal para o motorista. O carro arrancou devagar, deixando a mansão para trás.
O ponteiro marcava nove da noite quando Ísis finalizou a maquiagem diante do espelho estreito da pequena kitnet. Ela se olhou com atenção e respirou fundo. O vestido dourado cintilava sob a luz fraca, e os cabelos soltos caíam sobre os ombros em ondas suaves.
— Mais um trabalho, vai dar tudo certo… — murmurou para si mesma, ajeitando a fenda lateral do vestido. — Deus me ajude.
Mas o coração batia mais forte do que de costume.
O som de uma buzina suave ecoou pela rua. Ísis olhou pela janela e viu o sedan preto estacionando. Desceu as escadas estreitas com um cuidado, equilibrando-se nos saltos. O motorista já se adiantava para abrir a porta traseira. De dentro, um homem elegante, de terno sob medida e expressão séria, desceu do carro com a tranquilidade de quem está acostumado a comandar salas inteiras.
Um bilionário do setor de energia e, naquela noite, seu “acompanhante” oficial.
— Boa noite, senhorita Ísis — cumprimentou ele, abrindo um sorriso cortês. — Está… simplesmente deslumbrante.
Ela sorriu de leve.
— Obrigada, senhor Azevedo. — disse, com um toque de humor na voz. — Mas para ir se acostumando, me chame de Eva.
Ele riu baixo.
— Combinado. Então, você me chama de Leonardo.
— Leonardo. — repetiu, testando o nome nos lábios. — Soa bem. E combina com o terno impecável.

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