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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 35

Savana sorriu, apertando-lhe a mão com firmeza.

— Obrigada, minha querida. Essa causa é muito especial pra mim. — disse, com emoção discreta. — A leucemia levou a neta de uma grande amiga há três anos. Foi por ela que comecei esse projeto. Nenhuma criança deveria morrer tão cedo.

Ísis ficou em silêncio por um instante. O ar pareceu rarefeito. Ela engoliu a emoção antes que transbordasse e respondeu com a voz baixa.

— Eu entendo mais do que a senhora imagina. — disse, com ternura. — Eu também perdi alguém… meu marido. Ele tinha leucemia. Quando descobrimos a doença, não saí do lado dele um minuto. Ver algo assim me toca profundamente. É lindo o que a senhora está fazendo.

Savana levou a mão ao peito, emocionada.

— Oh, minha querida… sinto muito. — disse, tocando o braço de Ísis com delicadeza. — Seu olhar diz tudo. O amor que continua mesmo depois da perda.

Leonardo observava em silêncio, admirado com a sinceridade inesperada. Naquele instante, Ísis não estava interpretando.

Estava lembrando.

A anfitriã sorriu, enxugando discretamente uma lágrima.

— Que força linda, Eva. — disse, com doçura. — O mundo precisa de mulheres assim.

Leonardo perguntou com gentileza.

— E o seu filho? Não estou vendo por aqui.

Savana sorriu, ajeitando a taça nas mãos.

— Alex está em uma viagem a trabalho — respondeu com serenidade. — Fiquem à vontade, preciso cumprimentar outros convidados. Aproveitem a noite, vocês dois. E obrigada por estarem aqui — disse, deixando o casal a sós.

Leonardo virou-se para Ísis, o olhar mais suave.

— Você falou com tanta verdade… — disse ele, em voz baixa. — Fiquei sem palavras. Você interpreta muito bem.

Ísis respirou fundo, olhando em volta.

— É porque era verdade — respondeu, simplesmente. — Eu não precisei inventar nada.

— Me perdoe, eu não fazia ideia… — murmurou. — Sinto muito pelo seu marido.

Ela respirou fundo e forçou um sorrisinho.

— Tudo bem. — respondeu. — Já faz tempo. A dor muda de lugar, mas nunca desaparece. A gente só aprende a conviver com ela.

O jantar seguiu elegante, embalado por discursos comoventes sobre o projeto e o impacto que aquele hospital teria na vida de tantas crianças. Ísis se mantinha ao lado de Leonardo, atenta, mantendo o papel que lhe cabia sendo a namorada perfeita, educada, sorridente e discreta.

A orquestra começou a tocar uma música lenta, e casais se levantaram para dançar. Leonardo virou-se para ela, estendendo a mão com um leve sorriso.

— Me concede essa dança? — perguntou, a voz baixa e gentil.

Ísis levantou-se, apoiou a mão sobre a dele, e o acompanhou até o centro do salão. A melodia suave os envolveu. Leonardo conduzia com firmeza, sem tirar os olhos dela.

— Você dança muito bem — elogiou, com um sorriso sincero.

— Faço o que posso pra não pisar no seu pé — respondeu, com leve ironia.

Ele riu.

Por alguns segundos, o silêncio entre os dois foi confortável, até que Leonardo o quebrou com uma pergunta direta.

— Posso te fazer uma pergunta pessoal, Ísis?

— Depende da pergunta. — respondeu, mantendo o olhar fixo no dele.

— Uma mulher bonita, inteligente, elegante como você… — começou, medindo as palavras — não pensa em recomeçar?

Leonardo se inclinou ligeiramente para ela, num gesto educado, e tocou o braço dela.

— Você merece ser tratada com carinho, Ísis.

Ele se aproximou, prestes a beijar-lhe o rosto, mas ela colocou a mão suavemente entre eles, tocando os próprios lábios.

— A regra é clara, senhor Leonardo — disse, num tom doce, porém firme. — Sem beijos.

Ele sorriu, um pouco surpreso, mas respeitoso.

— Boa noite, Ísis.

— Boa noite.

Ela abriu a porta antes mesmo que o motorista pudesse descer. Caminhou até a entrada da kitnet. Subiu as escadas devagar, o silêncio da madrugada acompanhando cada passo.

Ao entrar em seu pequeno lar, deixou a bolsa sobre a cama, e pegou uma moldura de madeira no criado mudo. Na foto, ela e o marido sorriam, abraçados, em um dia ensolarado.

Passou o polegar sobre o rosto dele, os olhos marejados.

— Você sempre vai ser o primeiro e o único homem da minha vida. — sussurrou, com a voz embargada. — Eu te amo, meu amor.

Colocou a foto de volta no lugar, respirou fundo e sentou-se na cama. Lá fora, as luzes da cidade piscavam como se ecoassem o que ela sentia por dentro: um brilho que ainda resistia, mesmo em meio à dor.

No outro dia, Olívia despertou devagar, sentindo o corpo cansado. O sol atravessava a cortina em feixes discretos, e por um segundo ela acreditou que estava sozinha em seu quarto, até perceber a presença de alguém.

Sentado na poltrona perto da cama, com o paletó jogado no encosto e o olhar frio fixo nela, estava Liam.

— O que você está fazendo aqui? — a voz dela saiu baixa, rouca de sono e surpresa. — Você não estava viajando? Só voltaria em uma semana. Aconteceu alguma coisa?

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