O silêncio que veio depois foi quase ensurdecedor. Liam se virou, o peito subindo e descendo, e caminhou até a janela sem dizer uma palavra. Ficou ali, imóvel, de costas para ela. Com um movimento lento, abriu uma fresta da cortina, como se precisasse do contato com o mundo lá fora para controlar algo dentro de si. A luz da manhã desenhou sua silhueta no chão, e a sombra projetada na parede revelava a tensão que vibrava em cada linha do seu corpo.
Depois de alguns segundos, ele falou — a voz agora baixa, controlada, mas fria como gelo.
— Está chegando o aniversário de casamento dos meus avós — disse, ainda olhando pela janela. — Trate de cumprir o contrato e ser a mulher que todos esperam que você seja. Principalmente na frente do meu avô.
— Por que você foge tanto, Liam? É tão difícil assim demonstrar o que sente?
Ele virou-se parcialmente, o olhar cortante.
— Não vou tolerar mais nenhum erro seu. Entenda de uma vez por todas, Olívia… todo mundo vai embora algum dia. — fez uma pausa curta, cruel. — Você também vai.
Ela sentiu o peito apertar, mas mesmo assim se aproximou.
— Liam… eu sei que existe um contrato — disse, tocando a mão dele e guiando-a até o próprio ventre —, mas nós já estamos casados. E o nosso filho… já está aqui. — levantou o olhar, as lágrimas contidas. — Por que a gente não tenta de verdade? Por que não deixa esse casamento ser real? Podemos esquecer desse maldito contrato.
Ele não respondeu. Apenas a encarou.
— Isso pode ser real, Liam — ela sussurrou, os olhos marejados, mas firmes. — Eu sei que não vai ser fácil no início… são duas pessoas totalmente diferentes, cheias de falhas e orgulhos, tentando se acertar. Mas, se a gente quiser, podemos construir algo de verdade. Um passo de cada vez… nos conhecendo a cada dia, aprendendo a lidar com os defeitos um do outro. — inspirou fundo. — Você já parou pra pensar no futuro do nosso filho? Uma criança precisa de um lar estruturado, de referências. Por que deixar ele crescer em uma família disfuncional se existe a chance de fazer esse casamento dar certo?
Ela engoliu o choro, mas sua voz continuou firme.
— Nosso filho vai crescer, Liam… vai fazer perguntas. Vai querer saber como tudo começou. E o que nós vamos dizer quando ele olhar nos nossos olhos e perguntar se houve amor? — a voz dela vacilou levemente. — E não é só sobre o bebê… a minha vida toda, eu sonhei em me casar, construir uma família, viver uma história de amor linda como a dos meus pais.
Ela deu um passo mais próximo, os lábios trêmulos, mas o olhar decidido.
— Eu só quero uma chance — disse, com a voz embargada. — Uma única chance de tentar com você… de construir algo que não precise ser uma mentira. Algo que não tenha uma data de validade.


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