Liam abriu a conversa sem hesitar e respondeu na mesma hora.
“Se você demorar mais a voltar, largo tudo e vou te buscar. Se cuida, linda. Nunca se esqueça… você é o grande amor da minha vida.”
Enviou. Bloqueou a tela. O rosto não mudou.
Foi até o closet e começou a se vestir sem pensar muito. Pegou a calça social escura, vestiu a camisa branca e fechou os botões com movimentos automáticos, como quem só quer terminar logo. Escolheu o terno mais alinhado, passou a mão na lapela apenas por costume, e pegou um relógio do porta-relógios, o primeiro que lhe pareceu adequado.
Passou perfume no pescoço e nos pulsos. Olhou rapidamente para o espelho grande do closet. A expressão voltou a mesma de sempre: séria, firme, inatingível.
Voltou para o quarto, pegou o celular em cima da cama, guardou no bolso do paletó e saiu.
Caminhou pelo corredor sem sequer cogitar olhar para a porta do quarto de Olívia. Passou reto.
Desceu as escadas com passos firmes. Thomas apareceu no pé da escada, mantendo a postura respeitosa de sempre.
— Senhor Liam, o café já está posto na mesa. Vai querer comer algo antes de sair? — perguntou Thomas, num tom respeitoso.
— Não vou querer nada — Liam respondeu, seco, mas sem alterar o tom. — Vou retornar à viagem. Volto em alguns dias. As ordens continuam as mesmas.
Thomas assentiu, sem questionar.
— Sim, senhor.
Liam atravessou o corredor, abriu a porta de entrada e encontrou o motorista já posicionado, ao lado do carro. O homem se apressou em abrir a porta traseira. Liam entrou. A porta fechou com precisão e o motorista deu partida.
Durante o trajeto, a cidade parecia mais barulhenta do que de costume, como se tentasse compensar o silêncio dentro do carro. Liam olhava pela janela, mas a própria mente produzia um ruído ainda mais ensurdecedor.
Na mansão, Olívia permanecia encolhida. O choro havia cessado, mas deixara para trás um peso estranho, um cansaço que não era físico. Sua mente rodava como uma fita repetida, voltando ao quarto dele… e, principalmente, ao que aconteceu na cama onde agora estava deitada.
Virou-se para o outro lado, passou a mão pelo próprio ventre num gesto inconsciente de consolo.
— Sabe, filho… — murmurou, com a voz embargada — …a mamãe imagina coisas demais, então… não fica chateado com seu pai. Eu também errei. Mas uma coisa é certa… nós te amamos.
Engoliu seco. A imagem de seus pais surgiu na mente, ao lado da lembrança do pequeno sapatinho branco que ela havia comprado para contar da gravidez. Pensou no avô de Liam. Pensou em como o mundo lá fora exigia que ela sorrisse, mesmo quando dentro dela tudo estava despencando.
“Eu te odeio, Liam”, repetiu mentalmente. Mas agora não soava como ódio. Soava como cansaço. Talvez como um pedido de socorro. Ou de tempo.
Fechou os olhos e o choro voltou, mais silencioso, mas tão forte que parecia rasgar de dentro para fora.
O carro desacelerou ao se aproximar do portão lateral da pista executiva. O segurança reconheceu o veículo e autorizou a passagem sem questionamentos. O sedan avançou pelo pavimento até o hangar privativo, onde a equipe de pista já aguardava sob a luz fria da manhã.
O motorista contornou a asa do jato e estacionou ao lado da faixa de embarque. Desligou o motor e abriu a porta para Liam, que desceu ajustando o paletó como se cada gesto fosse calculado para manter o controle.
— Senhor Liam, boa viagem — disse o motorista, num tom respeitoso, mas levemente tenso.
Liam olhou para ele firme.
— As ordens continuam as mesmas — disse ele, seco. — Minha esposa não sai sem você e os seguranças. Se houver falhas, todos serão demitidos na hora. E garanto que vocês não terão trabalho em lugar nenhum.

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